" Para ser sincera,
sempre detestei filmes sobre alterações climáticas, porque será que aqueles
glaciares a desaparecer e os desesperados ursos polares me fazem querer mudar
de canal?"
"A causa não está lá
fora, está em nós, na natureza humana; somos ingratos, gananciosos e tacanhos,
e, se isto é verdade, não há esperança.
Há uma fase brutal em que
a Terra e as pessoas são envenenadas mas depois acaba por dar lugar a céus
limpos e a uma vida melhor para todos mas parece que não conseguimos
ultrapassar a poluição, só a mudança de sítio.
Por exemplo; o que se
verifica na China, é mais um campo de batalha; de um lado painéis solares, do outro,
Smog. Este smog vem de fábricas que fazem produtos para a minha casa e para a
vossa e agora temos tanta poluição que já não ameaça só a China, ameaça a vida
na terra. Se calhar não é o oriente contra o ocidente, se calhar somos todos
contra a lógica da dominação e o crescimento a todo o custo. O capitalismo
contra o clima.
Nos últimos 40 anos,
andamos a promover um modelo de capitalismo selvagem. Vêmo-lo à nossa volta,
estamos encharcados nelas, as cooperações estão desreguladas e à solta para
flagelar a terra em busca dos trabalhadores mais baratos e do ar mais poluído.
Os governos definham, a
classe média dissolve-se e os lucros disparam.
Na Alemanha, o governo
interveio com mão pesada, gastaram milhões para que se construíssem imensas
centrais eólicas e painéis solares por todo o país. O resultado foi uma das
transições energéticas mais rápidas do mundo. Hoje em dia 30% da electricidade
do país vem das energias renováveis. As emissões estão a descer e o desemprego
a baixar, foram criados 400mil empregos. As renováveis tiveram um sucesso aqui
incomparável no mundo inteiro. O governo alemão ainda promove políticas de
austeridade poluentes, tanto a nível doméstico, como a nível internacional.
Esta alteração teve uma
causa muito diferente; as pessoas não esperaram por um líder, fizeram por si
próprias; 1º lutaram contra a energia nuclear, quando a maré mudou, elas
lutaram pelas alternativas e no processo desencadearam uma verdadeira mudança
no equilíbrio do poder. Centenas de cidades e vilas recuperaram a gestão da
rede eléctrica de empresas privadas e gerem-nas elas próprias, muitas vezes
como cooperativas democráticas. Quando vejo isto, pergunto-me; o que quer isto
dizer para o resto do mundo?
Como é que todos podemos
trazer até nós esta revolução energética?
Passei 6 anos a vaguear
pelos destroços causados por esta fantasia com 400 anos, a de que poderíamos
tratar a natureza como a nossa máquina. Mas começo a ver outra história a
germinar, a começar pela premissa bem diferente e que surge no sítio mais
improvável de todos. O impacto ambiental do desenvolvimento de areias
betuminosas é bárbaro, se somassem dois mais dois, sentiam-se directamente
responsáveis por afectar a saúde das outras pessoas que vêm depois. Não apoio o
encerramento das areias betuminosas para amanhã, nem pensar, tenho demasiados
amigos, cujas famílias dependem deste recurso. É que a indústria das renováveis
iria empregar os mesmos trabalhadores que estão nas areias betuminosas. Com o
dinheiro que se faz ali, podemos construir eólicas, podemos ter energia solar
onde fizer sentido. Não há razão nenhuma para não fazer a transição. Precisamos
de entrar em acção rapidamente enquanto sociedade e não temos tempo para estar
calados. Por todo o mundo, as pessoas não se limitam a escrever aos políticos
pedindo-lhes educadamente que tomem a atitude correcta. Estão a tomar acções
directas, estão a exigi-las, nós estamos num buraco e antes que alguma coisa
nova possa crescer, temos de parar de cavar. Há medidas que as plataformas de
perfuração se espalha pela terra, o mesmo acontece às comunidades de população
ligadas a quem nelas trabalha. Abrem-se novos trilhos metálicos de energia
suja.

“Caso este oleoduto
avance, o nosso governo vai contribuir mais para a violação e pilhagem das
terras dos meus antepassados e depois vão prometer devolver-nos o que nunca
sequer foi deles. Não se deixem enganar pela sua ideologia do que é a
recuperação das terras. A recuperação é eu estar aqui com 99%, estamos aqui
hoje para declarar que nunca fomos a lado nenhum e que não tencionamos ir.
Quando vemos comunidades
atiradas para a linha de fogo porque uma questão ambiental ou política ou
económica lhes é imposta, vemos a incrível transformação que se dá. Elas
tornam-se mais fortes, erguem-se e nós pensamos – Não é incrível?! Não é esta
sociedade que nós queremos?”
Uma confissão final, já
estive em mais convenções sobre o clima do que aquelas que consigo contar mas e
os ursos polares? Ainda não me convencem! Desejo-lhes tudo de bom! Mas se
aprendi alguma coisa, foi que travar as alterações climáticas não é bem por
causa deles, é por causa de nós. Somos egoístas, gananciosos, tacanhos e o que
nós podemos ser, capazes de cuidar da terra e uns dos outros e que no futuro, a
longo prazo já não é só um problema de índios, e esse é o aspecto positivo,
quando estão a começar a perceber que beber água e respirar ar, isto diz-te
respeito também.
Temos de parar de fingir
que conseguimos controlar a natureza e começar a agir como sendo parte da natureza.
“