terça-feira, 25 de abril de 2017
" E tudo o vento levou"
Abril chegou
e pariu luz,
a verdade estendeu-se
e andou de boca em boca,
de sorriso em sorriso
de brilho em brilho,
tempo de abundância
ouro, canela , marfim,
jeito de não ter fim!
Liberdade solta como uma louca
e foi bom!
sem laços forçados, sem agrafos, sem parafusos
ou outras ataduras
e os becos levantaram, as ruas esticaram
os edifícios alongaram
as cidades prosperaram e cresceram…
Paulatinamente, assim, num tom baixo, lento
vieram de longe sopros estranhos,
arrotos traiçoeiros.
Vinham a compasso de ameaça…
Um ruído de abelhas assassinas
lançou tédio, confusão, pobreza, falta de pão
estragaram o conceito, profanaram a certeza
a luz a meio gás, tudo atirado por terra,
impiedosamente ,
Abril desfeito num golpe perfeito
E o vil metal a rir-se de nós …
PN 25 de Abril de 2017
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Fénix purificada
O tempo que demorámos frente a
frente…
um tempo só nosso!
Anos e anos a fio;
pacientemente, a puxar nós
na mais completa escuridão.
Um imbróglio sufocado em lixo
tóxico,
a garganta apertada, urze áspera
Tinhas tanto para me ensinar
e eu tanto a escutar,
a minha concentração;
um tecido esponjoso
a absorver ; cada sílaba, cada gesto
cada silêncio,cada sorriso
cada riso,cada provocação.
Ganhei asas; experimentei voos
rasos e outros altos
Espantei os torpes, os
deselegantes
Espantei os ambiciosos, os
altivos
Espantei os covardes, os
maliciosos
Espantei os intriguistas, os
inimigos
Despertei iras, cobiças e ciúmes
Rasguei-me nos espinhos,
piquei-me na sarça
E nesta tortura desencantada
masquei travo, vomitei azedume
Sangrei por dentro, chorei fundo e
num frio leito me deitei
Baixei aos invernos e busquei salvação;
tua chegada,
a mão estendida, carinhosamente
compreensiva
Uma dádiva dos céus;…
ora navegando na vaga alterosa,
ora submergindo na profundidade
da dor
a estrebuchar aflita e a querer
respirar
E neste penoso agitar-se, contra galés
invencíveis
com cordas a apertar, a sufocar
as abdominais…
soltei-me das amarras!
Depois, depois falhaste,
manobraste o destino da barca;
primeiro chegaram os atrasos, raramente
prontidão…
Vinha sempre colada nos teus lábios
sorridentes uma nota de arrependimento,
trazias sempre uma desculpa engendrada
pronta a enfiar,
e eu mesmo a explodir, fingia que
em mim não crescia uma fúria colossal
Não me quiseste dar a
independência, teria de permanecer cega, de olhos
postos em ti, só em ti… Tinhas a
ilusão que estaríamos uma para a outra até ao fim dos nossos dias…
Deusa, dona e
senhora do meu destino, tu sabias tudo;
Panaceia dos
iluminados,
queimámos etapas,
ora podia ser, ora não podia ser.
farta do jogo
de ilusionismo, manipulada até ao tutano,
depois de
muito conjecturar, mudei de rumo.
Agora vou navegar
sem ti,
não sozinha, vou errar, vou acertar,
levo comigo
tudo o que de ti aprendi!
PN
Feliz Páscoa a todos os que me visitam!
sábado, 18 de março de 2017
Coisa de “Moscas”
O asfalto inclina. A Mosca
Anã reduz o andamento. Mais à frente; um largo conspurcado de latas vazias, de papéis
surrados, plásticos adiposos. Puxa o freio, a máquina derrapa.Apeia-se.Aguarda-a
a rainha Vareja; a do verniz estilhaçado. A Anã, antecipa apressadamente o
abraço, o cumprimento não desmancha a imperturbável majestade, vaidosa
imperatriz do lixo costurado, solta um grunhido displicente, o rosto incha de
tão pérfida maldade. A mosquinha indignada, escancara as narinas, em tom esganiçado:”
Sou sempre a má da fita, a embusteira, logo eu que me esmero tanto”. Sua alteza,
torna-se sombria e desfia metálica: “Aborto mal parido, cigarro apagado, dente
furado, não tomas a palavra sem antes consultar a minha!” Faúlhas de raiva a
coser por dentro, o dedo em riste:”Sai daqui indigente, este lugar é meu, por
sufrágio universal direto! Excomungada, coisa tirana, busca outra morada.” A
Anã, em pranto se desfaz: “Não acredito que me estás a expulsar! sempre te
defendi! assim pago pelo mal que não fiz!? São as outras, não vês que são as
outras, que te colocam contra mim?!”.”Chega de carpir, sai daqui!”- ordena sua alteza.
A mosquinha dirige-se ao carro, a Vareja fixa-a inquieta, desconfiada. Mal se
ajeita no assento do volvo, liga a ignição, já distante, ri-se baixinho, gargalha
e até uiva; por fim, raivosa: “Velhaca! Um dia lixo-te!”A Vareja cogita:“Vai
para o diabo, o meu trono nunca o ganharás!”
( Recriação de um poema já editado)
segunda-feira, 6 de março de 2017
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Chamamento
…na pressa…pressa….os pés têm pressa…
os sapatos…os sapatos pesados e gangrenados
puxam o passo para o fundo, fundo, fundo….
a lama viscosa trava a passada,
o sujo resvala
os pés rolam , rolam… nos sapatos apertados de solas batidas
ai os sapatos andrajosos
atiram o esqueleto à cama
e o combalido sono serve-me um chá morno,
uma chávena abocanhada e encardida
antes mesmo dos delírios nocturnos
Quando a tampa do quarto se abre…
lá por cima, volteiam pássaros sem norte… pássaros que sondam
o mistério da morte
Meus olhos doridos e pedrados de insónia
bocejam copiosos na demora,
estafados de bater na mesma tecla; em surdina, em som
esbracejado,
em gritos brandos, em
brados coléricos…,
sofrida retina, estala em fissuras crispadas de pesar
sonolência tardia… o repouso que não chega
a paz desejada… remota, sempre afastada…
Os pássaros descem, percorrem o quadro, esboçam linhas
curvas
voos rasos à minha volta…
Masco a poalha amarga das visões trágicas… cenas sem
remédio, irremediavelmente perdidas,
outras; luzes, de grande porte, desmedidamente cintilantes;
o doce a derreter-se na saliva … uma pequena luz bruxuleante
dentro da boca…
É hora… e os pássaros… os pássaros levam o meu espírito com
eles…,
eles sabem, sabem onde depositar, no lugar que perpetuamente
sonhei.
(Reedição)
(Reedição)
PN
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Tem pertinência
"Que autoridade moral tem a Europa para
criticar Trump, se tem os refugiados amontoados e espalhados em tendas, a
sofrerem com a falta de tudo, a morrerem de frio e não sabemos se de fome, a
suicidarem-se desesperados, a darem à luz nas condições mais desumanas, e se
não fossem os voluntários, que pouco melhor vivem do que eles, (mas se querem
viver num apartamento, sem nada, com uns colchõezitos no chão, onde dormem, tem
de o pagar) não imaginamos como seria. Eles, estes nossos irmãos, são pessoas,
porque se fossem animais, já alguém se teria levantado, para reclamar os seus
direitos! Porque razão não são assistidos pelo menos com os bens essênciais, e
com pessoal capacitado e pago pela UE? Há campos de refugiados, onde tudo é
desenrascado, pela caridade de Pessoas com letra maiúscula que, estes sim, não
levantam muros, mas constroem pontes, levando amor, carinho e serviço. Quando a
água congela nos canos e estes rebentam, são os voluntários quem socorrem. Quando
a energia se vai abaixo com a sobre carga, são os voluntários que concertam,
etc. É a caridade humana que está a desenrascar aquilo que a UE devia fazer com
os fundos europeus existentes para isso. Tanto se luta para se fazer justiça a
umas coisas, e está certo, mas porque outras tão importantes tão depressa são
esquecidas? Porquê que as televisões não vão fazer uma reportagem a sério para
mostrar à UE e ao mundo como eles vivem?"
Encontrei por aí...
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