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A chave roda na
fechadura. A porta abre-se:
- Salete, minha
querida Salete!
- A recém
chegada baixa-se e toma o rosto da velha senhora nas mãos:
- Bom dia,
D.Teresa, com paz e alegria!
Abraçam-se,
Salete senta-se a seu lado e pergunta-lhe pela noite, pelo sono e depois lá
ficam ambas a conferenciar, numa lógica que só as duas sabem decifrar;
sorrisos, risos, gargalhadas; imensa cumplicidade.
A mais jovem
levanta-se calmamente e vai preparar o banho da idosa senhora. Lá dentro, tudo
igual; conversas muito divertidas.
Após o pequeno
almoço, a senhora pede:
- Salete,
leve-me lá fora se faz favor!
- Com certeza D.
Teresa! Segure o meu braço!
Cá fora, o dia esplendoroso,
o casario estendido, não rouba a visão ao cais, como pano de fundo, barcos,
navios, céu e mar… a senhora idosa aperta a mão da mais jovem. Entreolham-se com extremosa
simpatia:
- Nunca me
deixe, Salete! Se me deixa, eu morro!
- Jamais vou
abandoná-la! é uma mãe para mim! Não se fala em morrer, diante
desta beleza toda, concentre-se na vida!
- Tem razão! a
Salete é como uma filha para mim. Uma filha dedicada! Vamos regar as minhas
flores?
- Com certeza,
eu ajudo! - assim é, um bocadinho de água dentro do regador, Teresa vai matando
a sede às rosas e azáleas que tanto estima. No fim, satisfeita da
tarefa cumprida, entrega o regador nas mãos da outra mulher, que vai imediatamente colocá-lo no
sítio habitual; enfrentam-se e entrelaçam-se novamente por entre risos
engraçados.
- Linda manhã de
sol! Rica coisa. - ergue o rosto ainda formoso, apesar da idade avançada e
exclama com vivacidade: - Salete do céu!
A outra não se
contém e remata, muito efusiva:
- Só a D. Teresa
para me fazer rir!
De mão dada,
numa dedicação amorosa, muito lentamente, entram as duas dentro de casa.
PN





