-Posso fazer
uma pergunta filosófica?
-Filosófica?
-Vou tentar…
-Tem que ver
…com os ocidentais, com a sua ideia do Apocalipse. O final dos tempos, o final
da vida. Existe algo assim no budismo? Quando tudo cessa, o mundo chega ao fim?
E a humanidade é julgada?
-Acreditamos
que cada dia é uma espécie de universo.
-E é como…Um
fim?
-Um fim? O
fim é …um início.
-Um início?
-Não há um
juiz… como direi? Que julgue as coisas. Não existe Dia do Juízo?
-Não existe,
não.
-É um pouco
diferente. Parece-me que está a dizer é que não existe um fim, apenas mudança.
-Sim,
mudança.
-Uma coisa
acaba, outra começa. Talvez não exista um fim absoluto…
Quando se
conhece alguém como sua santidade, o Karmapa, acho que o que mais se destaca é
a sua humildade. O Karmapa não nos dá a impressão de se considerar mais do que
nós, superior a nós. De modo algum, melhor que nós. Ele está aqui, como o resto
de nós, numa demanda. A tentar entender porque estamos aqui, procurando
descobrir a verdade. Procurando a iluminação.
Apocalipse
é uma palavra grega que significa levantar o véu. Não tem que ver com a guerra,
mas com iluminação. Não tem que ver com a morte. É um estado de espírito e de
coração que nos ajuda a ver a verdade. Não é um distante Dia do Juízo. Está
aqui. É o agora.
MF






