D. Manuel Martins, o " bispo de Setúbal, denunciou o desemprego, a fome, o trabalho infantil, a vida em barracas. A voz incómoda até ao fim, morreu este domingo, aos 90 anos de idade.
Por Natália Faria
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
Falar
sobre Deus, é um risco, é complexo e além disso não estudei teologia. Deixo
aqui a breve opinião de uma leiga na matéria. Após os programas que assisti,
inspirei-me um pouco sobre alguns assuntos. A vida de Cristo é apaixonante. É a
personagem mais perturbadora que conheci, misteriosa e maravilhosa. E aliar o
Pai, o Filho e o Espírito Santo… é soberbo, um desafio que cada um de nós vai
testar de forma diferente. Eu acredito na
existência de Deus, embora não se possa provar. “ O essencial é invisível aos
olhos”. Ou se acredita ou não se acredita. Ou se sente a sua presença ou não se sente a sua presença . Respeito as diversas crenças, cada qual com a
sua. Apesar dos rituais de celebração serem muito díspares, a essência é sempre
a mesma. O triunfo do Bem sobre o Mal. Há quem coloque a ciência acima da
existência de Deus. Já que a ciência não prova a respetiva entidade superior, então
Deus não existe. E a Ciência tinha de explicar Deus? A ciência foi concebida
para tratar de assuntos relacionados com o transcendental? A ciência ocupa-se
do domínio das necessidades dos homens, por isso, o mundo evoluiu muito mas contrariamente
regrediu. Como a ciência explica muitos
dos fenómenos naturais e não só....
Primitivamente o sol, a chuva, o trovão, etc. o que amedrontava era atribuído
a castigos ou manifestações divinas, então, o homem começa a pensar que
provavelmente um dia outros fenómenos serão descodificados por essa mesma ciência.
E isto bastará para provar a não existência de Deus? Se observarmos o que se
passa à escala planetária. E mais não
digo, os resultados estão aí ...
Não subscrevo quem defende a tese
de que foi o homem que criou Deus. Isto para se chegar a conclusão de que afinal deus reside no imaginário dos
homens. Para os ateus é isso mesmo ,
fica tudo no plano terreno. Outro ponto, que na minha opinião merece um
reparo; os homens almejam que Deus
intervenha nos problemas terrenos, que Deus é
este que sendo todo poderoso não
coloca ordem na "
casa"?! Na "casa" de quem !? Vamos lá ver, então é Deus que vai
carregar aos seus ombros as irresponsabilidades dos homens? Grande respeito
demonstram os homens por este Deus que dizem adorar e amar! É vulgar ouvir que
Deus criou o mundo em sete dias e depois ficou a descansar, sem se preocupar
connosco. Estão a julgar Deus?! Que moral?! O que o ser humano gostaria mesmo, era
de ter um deus à sua disposição para tudo. Que ele pudesse manipular, segundo
as suas conveniências. Para atender a todos os seus caprichos. Sem sequer se
dirigir a Deus de forma séria e consciente! Deus não pede que sejamos perfeitos,
que sejamos heróis, contudo, que possamos dar o melhor de nós. E não estamos
a fazer o mínimo esforço nesse sentido. Somos demasiado egoístas. E
insistimos na rota torta, batemos o pé como as crianças mimadas, cujas vontades
têm de ser impreterivelmente satisfeitas. Se queremos milagres, tenhamos fé e
acreditemos. Pratiquemos o bem. Não esqueçamos que existe um pouco de Deus em cada um de nós! Por isso somos imperfeitos!
Deus não pensa como os homens! Mal seria se assim fosse. A morte, embora nos
seja penosa, é uma condição da vida. Assim foi com Jesus Cristo, assim será
connosco. Em relação ao Apocalipse, ele está aí! O mar engole a terra! As
alterações climáticas são indesmentíveis! Que querem de Deus? Servir-se Dele
como quem brinca com uma marioneta? Deus abandonou-nos? Penso que não. Tenha
fé! E se nos deixou por nossa conta, não teria razões de sobra para isso? Pense
bem! Depois da morte? Eu acredito na vida! Às vezes imagino, são fantasias
minhas, que haverá uma Nova Jerusalém, onde habitam os bons e limpos de
coração. A maldade tem efeito porque o homem dá ouvidos a sentimentos negativos
e a vidas destroçadas e experiências horríveis. De qualquer forma há sempre a opção! Não gosto de cadeiras
eléctricas. Não gosto de prisões que desgraçam ainda mais quem se pretende
redimir! Todos têm direito a uma nova oportunidade! E aqueles que são um perigo
para a humanidade, prisão perpétua, sem nunca torná-los “animais” selvagens, ou
desfigurá-los ainda mais! O Diabo? Não existe!
Veja
ou reveja “ O prisioneiro de Alcatraz”
Burt
Lancaster é um assassino preso em Alcatraz e que se torna num técnico de renome
na área das aves. O excelente elenco inclui Thelma Ritter, Telly Savalas e Karl
Malden.
A
história verdadeira de um prisioneiro extraordinário, Robert F. Stroud, um
assassino duplo que passou 43 anos na solitária em Alcatraz. Uma prisão que
albergava os piores criminosos de sempre. Enquanto esteve preso, Stroud estudou
sozinho e tornou-se num ornitólogo reconhecido mundialmente, desenvolvendo
curas para aves doentes. Baseado no romance de Thomas E. Gaddis.
PN
Foto: NET
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
Porque existe o mal?
com Morgan Freeman
com Morgan Freeman
“Em crianças quando somos
confrontados com o racismo, ficamos perplexos. Porque existe isto? De onde vem?
“ MF
Apesar
de toda a nossa capacidade de fazer o bem, o impulso de praticar o mal tem sido
uma praga na história humana.
Se acreditam que vivemos
num mundo sob controlo divino, porque deve o mal existir? Como invade as nossas
vidas? Como e´ que o mal conquistou os nossos corações?
As religiões combatem o
mal de diferentes formas e rituais.
Temos duas mentalidades,
uma boa e outra má. Para transformar as trevas em luz.
Algumas confissões consideram-no
uma força invisível que impregna o mundo inteiro. Demónios espreitam na
escuridão. Para o cristianismo pode ser o próprio demónio ou será o mal uma
coisa que vem de dentro de nós?
Mas a pergunta é: Mesmo assim,
um criminoso não continua ele a ter escolha? Será um criminoso capaz de
escolher não cometer um crime hediondo?
O peso no coração assume a
forma de medo das consequências, é a
única coisa que nos mantém no caminho dos justos. O que me leva a perguntar… se
somos inerentemente bons ou inerentemente maus? A resposta está na raiz da fé
cristã. Os primeiros livros da igreja traçam a nossa tendência para pecar até Adão
e Eva que comeram o fruto proibido, o pecado original.
O que é o pecado original?
A tradição cristã cunhou um pecado original, um desejo primitivo que todos
temos. É uma necessidade, um impulso humano de natureza muito básica. Porque
Adão pecou. O pecado original foi transmitido a sucessivas gerações,
perpetuado, uma após outra geração. Um
homem que mata e viola por prazer e não sente arrependimento, pode ser chamado
de coisa demoníaca. É demoníaco. Mas penso que é importante reconhecermos que
existe um pouco dele em todos nós. Há algo inerente em nós que parece
inclinar-se para a morte e a violência.
- Será o diabo? Ou isso é
apenas uma metáfora?
Nascemos com a capacidade
de fazer o mal. A maioria de nós, luta uma vida inteira para resistir à
tentação, para resistir ao que está errado. Mas pode haver outra fonte de mal
nas nossas vidas; as pessoas que nos trouxeram a este mundo, estejam vivas ou
mortas.
Uma das mais antigas e
influentes religiões do mundo mas a maioria de nós nunca ouviu falar dela,
chama-se zoroastrismo, teve início há 3 mil e quinhentos anos, do antigo irão. O
fogo é um símbolo do zoroastrismo. O fogo esta sempre aceso. Representa a
iluminação. Quanto mais conscientes estamos do mundo em que vivemos, quanto
mais sabemos o que nos espera, melhores decisões podemos tomar. É como caminhar
com uma lanterna na mão. O lema zoroastriano é “ bons pensamentos, boas
palavras e bons atos”
É uma religião que se
concentra na derrota do mal. O zoroastrismo é anterior às religiões que
reverenciam Abraão. Para muitos
zoroastrianos, o demónio já não é uma figura real, é um combatente interior, a
luta entre o bem e o mal que tem lugar na mente.
A
escola de pensamento zoroastriano não tem que ver com passado ou futuro, mas
com o que podemos fazer no tempo atual. Todos os nossos problemas, os do mundo,
são causados pelo homem. Como tal, devem ser resolvidos pelos homens. Culpar
uma força sobrenatural, não é uma noção zoroastriana.
Purgar
o mundo do mal não é tarefa de Messias, de reis ou profetas. É tarefa de todos
nós. Sejamos alfaiates, talhantes, vendedores ou atores. Quem quer que sejamos.
Gosto disso. MF
A
pergunta proverbial é se assaltaríamos um banco, se soubéssemos que ninguém
poderia saber que o tínhamos feito. E acho que se formos honestos connosco,
muitos de nós entrariam e levariam todo o dinheiro.
A
recompensa do paraíso e a ameaça do castigo eterno ao inferno, mantem-nos no
caminho certo. MF
Mas e aqueles que
sucumbiram ao mal? Pode a fé conduzir-nos à redenção? Ou será que o mal nos
marca para a vida? Fará parte da condição humana? Muitas confissões incitam-nos
a combater a tentação. A colocar o bem maior, o bem de todos acima do seu
interesse pessoal mas será isto é possível?
Os budistas tibetanos
acreditam que a necessidade de praticar o mal deriva da nossa ignorância, do
funcionamento das nossas mentes. Para que possam compreender a sua causa e vencê-los.
Mas nem todos querem combater os seus demónios interiores. São muitos os que
parecem condenados ao fogo do inferno por fazerem coisas más. Haverá forma de
os mudar?
Segundo estudos, o cérebro
de alguém que mata é diferente daquele que não mata. A ciência pode ajudar a
identificar os mais propensos para o mal, mas como se volta costas a uma vida
de maldade?
O
que nos dá esperança de que as pessoas podem mudar são aqueles casos de
transformação absoluta, casos reais, um homem que conheceu uma mulher,
apaixonou-se tiveram um filho e ele mudou completamente a sua vida,
anteriormente entregue ao crime. O mal pode ser contido? Esta esperança está no
centro da fé cristã. As pessoas pecam, mas os seus pecados podem ser lavados
através do batismo. É um recomeço de vida. A bíblia diz-nos que adão e Eva não
conheciam o mal até comerem o fruto proibido. Quase todas as confissões
religiosas contam a história do início do mal, terá começado em almas
infelizes? No próprio demónio? Ou nos nossos demónios interiores? Todos
acabamos por ficar frente a frente com o mal.
O
sofrimento que provoca fazer bem e mal? Sem o mal, como teríamos
desenvolvido características humanas únicas? A capacidade de expressar bondade,
a misericórdia, o perdão. MF
FIM
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
A HISTÓRIA DE DEUS
O poder dos Milagres
-O que sabe sobre o Buda? O que
vos ensinam na América?
-Aprendi que ele era de berço
nobre, que cresceu muito protegido e que um dia saiu do complexo…
-Está certo…e começou a ver a
vida como ela era realmente. E porque fez ele isso?
-É a pergunta a que vai
responder.
-Gostava que o seu pai decidisse,
logo no seu nascimento, que o filho que tivera ia ser rei, e por isso, ia
mantê-lo no palácio, rodeado de objetos belos para os sentidos, de flores que
nunca secavam, de belas jovens que nunca envelheciam?
-Parece perfeito.
-Não é perfeito? Mas ele não
estava satisfeito com isso. Buda saiu do palácio. E sabe o que viu quando
deixou o palácio?
-Tanto quanto sei, ele viu sofrimento. Ele viu
a vida real.
-Em que forma?
-Havia velhos…aleijados…e pedintes.
Pessoas que não tinham nada, pessoas com fome.
-Sim, é como se abrisse os olhos.
Ele viu a morte. O pai não queria que ele visse a morte. Fê-lo ter a forte sensação
de ter de deixar aquele lugar e descobrir qual era a causa daquilo. Porque é
que as pessoas sofriam?
Siddhartha vagueou durante seis
anos para tentar compreender a origem do sofrimento até por acabar por se
sentar à sombra de uma figueira e decidir que permaneceria nesse lugar,
concentrando a sua mente até descobrir, como acabar com o sofrimento humano.
Depois de permanecer imóvel a noite inteira, Siddhartha conseguiu uma
transformação mental. Os budistas dizem que se tornou no Buda, o iluminado.
-Ele ensinou-nos, disse o que um
bom médico diz a um paciente. Que está doente, a sofrer, que tem um problema.
Em segundo lugar, que conhecia a causa. Basicamente, o apego ao desejo. O Buda
percebeu que livrando-se dos eus, desejos e da sua ligação ao mundo material,
poderia livrar-se do sofrimento. Para o buda, as gerações de budistas que lhe
sucederam, esta libertação parece permitir uma concentração mental e física notável,
talvez mesmo, milagrosa.
Ele ficou tão grato à árvore sob
a qual se sentara e alcançara essa perceção espantosa, que se sentou aqui
durante sete semanas, e passou uma dessas semanas sempre a olhar fixamente. Diz-se
que sem piscar os olhos. Imóvel.
É possível, Porque não? Não
exercitamos as nossas mentes. Estamos tão ocupados com coisas exteriores, a comprar,
a vender e a fazer o que precisamos….
Para os budistas, anos de treino
mental, e a desmonstração de amor e compaixão, para com os outros, pode
libertá-los do sofrimento.
Passeando por este templo sentimos
que podia acontecer aqui um milagre, o milagre de todas as pessoas se sentirem
contentes com as suas vidas e toda a gente se dar bem.
Todos precisamos de importar-nos,
de amar e de respeitar os outros. É essa a fonte da felicidade. Quem já
experimentou isso está no bom caminho. Quem não tiver isso no coração não está
no bom caminho.
-Muitas religiões baseiam-se
bastante em milagres. O Cristianismo, o judaísmo … vocês, budistas não fazem
milagres?
-O que é um milagre? Voar pelos
céus, é um milagre? As aves fazem-no.
-Mas normalmente pensamos em
milagres como uma espécie de coisa divina. Algo que nos faça prova da
existência de Deus
-Certo. Então, podemos perguntar
onde está Deus. Se perguntarmos aos místicos, ou yogis, onde está Deus, eles
apontam para aqui, não para cima. Dirão que está aqui dentro. Então, se for
inspirado pelo seu deus interior, Buda, Cristo, Krishna, o que lhe quiser
chamar, talvez possa realizar o que se chama um milagre. Do que precisa este mundo mais? Precisa de cura, de amor…Precisa de reconciliação. Acho que é esse o
milagre, o milagre de que precisamos. Não precisamos de pessoas que levitam
sentadas a 10 cm do chão enquanto meditam. Isso é estúpido. Fiquemos pelo
verdadeiro milagre, que é transformar a mente humana.
É irónico que um homem que queria
que descobríssemos o poder que todos possuímos, seja considerado uma espécie de
ser divino. O objetivo do budismo, como o entendo, é ensinar-nos que todos
somos capazes de muito mais do que podemos acreditar. Se nos concentrarmos
nisso, se lhe dedicarmos a nossa mente.
Passam tantas almas por este
mundo. E à medida que os nossos caminhos se cruzam, podem acontecer, e
acontecem, coisas milagrosas. As pessoas têm as oportunidades que sempre
desejaram, inspiram-se umas às outras, apaixonam-se …E sejam esses eventos
orquestrados pela mão de Deus, um poder da mente ou o acaso; uma hipótese num
milhão, creio que devemos acreditar em milagres. Porque os milagres, como quer
que os definam, ajudam alcançar o Bem, conferem-nos esperança. Levam-nos a
criar realidade a partir da possibilidade.
MF
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
A HISTÓRIA DE DEUS
O PODER DOS MILAGRES
O que é sorte e o que é
destino?
A crença em milagres pode
mudar a história
Os milagres simbolizam a
origem do povo judaico. E como a fé pode mudar vidas. Para conseguir o que
parece impossível.
O verdadeiro milagre é
transformar a mente humana.
A maioria dos crentes em
Deus, acredita que Ele vela por nós, a cada instante do dia, orientando-nos,
salvando-nos.
Alcides Moreno, morador em
Nova Iorque, há 8 anos, caiu de uma altura de 47 andares e sobreviveu
milagrosamente, os médicos reconheceram que não houve explicação e por que
razão o irmão que se encontrava a seu lado nesse fatídico momento, não sobreviveu?
Perguntas sem resposta! Deus salvou-o, acredita nisso e o irmão? Alcides já não
lava janelas, vive atualmente no Arizona com a mulher e continua a tentar
perceber se Deus tem algum plano para ele. “ Porquê eu? Terá Deus um propósito
para mim?”
Haverá uma entidade que
faz essa escolha? Viveremos…ao acaso? Ao mais puro acaso?
Para os cristãos, os
milagres são prova de que a vida não é aleatória. Acreditam que Deus intervém
no mundo por um motivo, os judeus também acreditam no poder dos milagres.
Em Roma, os milagres podem
transformar pessoas comuns em santos.
Os milagres existem mesmo?
Jesus a caminhar sobre as
águas. A própria vida de Cristo!
Cada palavra do Evangelho
é um milagre de Cristo. Para considerar uma pessoa santa, a Igreja precisa de
um milagre. Para que haja santos, são necessários milagres.
A Igreja tem um advogado
que vai onde quer que alguém afirme ter assistido ou passado por um milagre.
Advogados e cientistas, médicos especiais, para provar que é uma intervenção
especial de Deus.
Será que a mão de Deus
intervém realmente, não apenas em questões de vida ou de morte, mas também nos
altos e baixos das nossas vidas diárias? Ou será que tudo acontece apenas por
acaso?
“E se alguma coisa
governar os momentos aparentemente aleatórios que mudam as nossas vidas e nos
enviam em direções diferentes? Como um menino pobre do Mississippi acabar em
Hollywood. Sempre adorei cinema. Sempre sonhei entrar nele. Era um crente. E a
verdade é que consegui. Terá sido um milagre? “ MF
A maioria de nós conhece
um ponto de viragem das suas vidas muito crucial e nos perguntamos como é que
tudo aconteceu?
“Está na natureza humana
extrair uma sinfonia da cacofonia que nos rodeia. Não significa que a
providência divina não exista. “MF
Os antigos romanos tinham
uma visão diferente dos milagres. Os Deuses controlavam os seus destinos e tudo
o que acontecia era decidido por eles, até determinavam o resultado de eventos
desportivos. Mitra era um deus de homens, de homens duros, de soldados, de
poderosos homens de negócios. Estamos num mitreu, o original santuário para
homens. Sabemos que celebravam muitas festas. Estavam aqui sacerdotes que
supervisionavam o festim. Era essencial que se celebrasse rituais corretamente,
para garantir o sucesso da equipa no Circo Máximo. Todos os rituais eram
realizados para que se resolvesse o que queriam ver resolvido. Sabemos que se
fazia muita batota no Circo Máximo para que as coisas resultassem para o seu êxito.
O facto de permitirem que os deuses decidissem o seu destino, não significava
que não podiam dar-lhes uma ajuda. Porque tinham a ideia de que o deus
trabalhava para eles. E isso em todos os aspetos da vida. Incluindo, naturalmente,
a sua equipa que corria no Circo Máximo. Os romanos não tinham fé, tinham fés.
Apenas seguiam os rituais.
Os antigos romanos
acreditavam que se fossem bons para os deuses, estes seriam bons para eles.
A ideia que nada nas
nossas vidas acontece por acaso, não morreu com Roma antiga continua viva e de
saúde, na filosofia e na religião chinesa; Taoismo, por exemplo, os deuses não
são o centro da vida mas o Tao; a derradeira energia criativa do universo a que
todos estamos ligados, esta interligação significa que os nossos destinos são
selados à nascença. Mas será que os taoistas acreditam que os milagres são possíveis?
Sem dúvida. Não pensamos só na carta astrológica como predestinada. Que é o
único destino gravado na pedra. Vemos um mapa de vida, como dizemos que a vida
é uma viagem. E em todas as viagens é necessário um mapa. Haverá becos sem
saída, múltiplos buracos. Se soubermos onde estão, continuamos a comandar o
nosso carro. Isto é apenas um sistema de navegação. Podemos curvar. Se
percebermos como estamos ligados a tudo o que nos rodeia, esse é o milagre à
espera de acontecer.
Isso está relacionado com
o Feng- shui? O Feng- shui baseia-se no
pensamento taoista. Tudo o que nos rodeia está entreligado. Tudo é feito de
energia e todos estamos ligados por ela. Feng significa vento. Shui significa
água. É uma energia que não se pode criar ou destruir. Está sempre presente.
Mas podemos esquivar-nos ou aproveitá-la. Podemos ir ter com ela.
Os chineses dizem “ As
aves não voam, são carregadas. Os peixes não nadam. São levados pela água. Tudo
o que nos acontece resulta de todas as coisas a que estamos ligados. Aquilo a
que chamamos intervenção divina são meras ligações de que não estávamos conscientes.
Faz-me pensar se não devíamos, talvez, fazer menos esforço para controlarmos as
nossas vidas e aprender a seguir na onda da vida. MF
As nossas vidas estão
cheias de voltas e reviravoltas inesperadas. Alguns acreditam que nada existe
para além do acaso, outras dizem, que tudo depende da vontade de Deus e da energia.
As crenças podem fazer a diferença entre a vida e a morte. O milagre pode
derivar das nossas mentes?
Há seculos os muçulmanos
acreditavam que fé e medicina trabalharam de mãos dadas mas podem ter tido a
intervenção divina.
Fé e oração podem provocar
resultados médicos?
A questão que realmente me
interessa é o que acontece quando as pessoas rezam por uma cura.
Tenho a sensação que muito
do que chamamos milagroso, começa aqui mesmo, na mente. Fechamos os olhos ao
rezar, não fechamos? Eu acho que é porque o objetivo é concentrar a mente para
transcender as distrações da vida diária. Para pularmos as nossas mentes para
que alcancem o que inicialmente podemos recear que seja impossível.
sábado, 2 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
-Posso fazer
uma pergunta filosófica?
-Filosófica?
-Vou tentar…
-Tem que ver
…com os ocidentais, com a sua ideia do Apocalipse. O final dos tempos, o final
da vida. Existe algo assim no budismo? Quando tudo cessa, o mundo chega ao fim?
E a humanidade é julgada?
-Acreditamos
que cada dia é uma espécie de universo.
-E é como…Um
fim?
-Um fim? O
fim é …um início.
-Um início?
-Não há um
juiz… como direi? Que julgue as coisas. Não existe Dia do Juízo?
-Não existe,
não.
-É um pouco
diferente. Parece-me que está a dizer é que não existe um fim, apenas mudança.
-Sim,
mudança.
-Uma coisa
acaba, outra começa. Talvez não exista um fim absoluto…
Quando se
conhece alguém como sua santidade, o Karmapa, acho que o que mais se destaca é
a sua humildade. O Karmapa não nos dá a impressão de se considerar mais do que
nós, superior a nós. De modo algum, melhor que nós. Ele está aqui, como o resto
de nós, numa demanda. A tentar entender porque estamos aqui, procurando
descobrir a verdade. Procurando a iluminação.
Apocalipse
é uma palavra grega que significa levantar o véu. Não tem que ver com a guerra,
mas com iluminação. Não tem que ver com a morte. É um estado de espírito e de
coração que nos ajuda a ver a verdade. Não é um distante Dia do Juízo. Está
aqui. É o agora.
MF
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Alinhavo sobre o joelho
Apocalipse da água
com Morgan Freeman
“Tal
como a maioria dos americanos, nunca pensei muito sobre a água ou a falta dela.
Mas atualmente na Califórnia a falta de água é uma realidade, o problema é que
afeta também o resto do mundo. Apesar do planeta estar cheio de água, Só uma
pequena parte é utilizável para agricultura e uso doméstico. Quase 97% da água
é salgada e 2% é gelo e neve, ou seja resta 1% de água utilizável. A população
mundial está em crescimento acelerado mas o abastecimento de água potável não.
Em 2030, a procura de água deverá exceder a oferta em cerca de 50%. Estamos à
beira de um desastre global. Será que a ciência e a engenharia de vanguarda
poderão evitar o apocalipse da água?
Os
efeitos crescentes das alterações climáticas estão a fazer mossa. Sandra Postel
é perita em questões relacionadas com a água potável e sabe o que vai acontecer
se não mudarmos os nossos hábitos de desperdício. Sandra lidera os esforços
para trazer a água de volta, outrora exuberante, El Colorado, que secou devido
aos canais de desvio de água. Ao adquirir aos agricultores direitos à água, os
ambientalistas conseguiram devolver 15 mil milhões litros a este ecossistema
comprometido. Através da cooperação, Sandra acredita que podemos evitar que os
nossos pesadelos se tornem realidade. Soluções para a crise da água têm de ter
em atenção quem somos, onde estamos e a extensão dos nossos recursos mas há
soluções, se estivermos dispostos a procura-las, podemos evitar o Apocalipse da
água. “
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