A HISTÓRIA DE DEUS
O poder dos Milagres
-O que sabe sobre o Buda? O que
vos ensinam na América?
-Aprendi que ele era de berço
nobre, que cresceu muito protegido e que um dia saiu do complexo…
-Está certo…e começou a ver a
vida como ela era realmente. E porque fez ele isso?
-É a pergunta a que vai
responder.
-Gostava que o seu pai decidisse,
logo no seu nascimento, que o filho que tivera ia ser rei, e por isso, ia
mantê-lo no palácio, rodeado de objetos belos para os sentidos, de flores que
nunca secavam, de belas jovens que nunca envelheciam?
-Parece perfeito.
-Não é perfeito? Mas ele não
estava satisfeito com isso. Buda saiu do palácio. E sabe o que viu quando
deixou o palácio?
-Tanto quanto sei, ele viu sofrimento. Ele viu
a vida real.
-Em que forma?
-Havia velhos…aleijados…e pedintes.
Pessoas que não tinham nada, pessoas com fome.
-Sim, é como se abrisse os olhos.
Ele viu a morte. O pai não queria que ele visse a morte. Fê-lo ter a forte sensação
de ter de deixar aquele lugar e descobrir qual era a causa daquilo. Porque é
que as pessoas sofriam?
Siddhartha vagueou durante seis
anos para tentar compreender a origem do sofrimento até por acabar por se
sentar à sombra de uma figueira e decidir que permaneceria nesse lugar,
concentrando a sua mente até descobrir, como acabar com o sofrimento humano.
Depois de permanecer imóvel a noite inteira, Siddhartha conseguiu uma
transformação mental. Os budistas dizem que se tornou no Buda, o iluminado.
-Ele ensinou-nos, disse o que um
bom médico diz a um paciente. Que está doente, a sofrer, que tem um problema.
Em segundo lugar, que conhecia a causa. Basicamente, o apego ao desejo. O Buda
percebeu que livrando-se dos eus, desejos e da sua ligação ao mundo material,
poderia livrar-se do sofrimento. Para o buda, as gerações de budistas que lhe
sucederam, esta libertação parece permitir uma concentração mental e física notável,
talvez mesmo, milagrosa.
Ele ficou tão grato à árvore sob
a qual se sentara e alcançara essa perceção espantosa, que se sentou aqui
durante sete semanas, e passou uma dessas semanas sempre a olhar fixamente. Diz-se
que sem piscar os olhos. Imóvel.
É possível, Porque não? Não
exercitamos as nossas mentes. Estamos tão ocupados com coisas exteriores, a comprar,
a vender e a fazer o que precisamos….
Para os budistas, anos de treino
mental, e a desmonstração de amor e compaixão, para com os outros, pode
libertá-los do sofrimento.
Passeando por este templo sentimos
que podia acontecer aqui um milagre, o milagre de todas as pessoas se sentirem
contentes com as suas vidas e toda a gente se dar bem.
Todos precisamos de importar-nos,
de amar e de respeitar os outros. É essa a fonte da felicidade. Quem já
experimentou isso está no bom caminho. Quem não tiver isso no coração não está
no bom caminho.
-Muitas religiões baseiam-se
bastante em milagres. O Cristianismo, o judaísmo … vocês, budistas não fazem
milagres?
-O que é um milagre? Voar pelos
céus, é um milagre? As aves fazem-no.
-Mas normalmente pensamos em
milagres como uma espécie de coisa divina. Algo que nos faça prova da
existência de Deus
-Certo. Então, podemos perguntar
onde está Deus. Se perguntarmos aos místicos, ou yogis, onde está Deus, eles
apontam para aqui, não para cima. Dirão que está aqui dentro. Então, se for
inspirado pelo seu deus interior, Buda, Cristo, Krishna, o que lhe quiser
chamar, talvez possa realizar o que se chama um milagre. Do que precisa este mundo mais? Precisa de cura, de amor…Precisa de reconciliação. Acho que é esse o
milagre, o milagre de que precisamos. Não precisamos de pessoas que levitam
sentadas a 10 cm do chão enquanto meditam. Isso é estúpido. Fiquemos pelo
verdadeiro milagre, que é transformar a mente humana.
É irónico que um homem que queria
que descobríssemos o poder que todos possuímos, seja considerado uma espécie de
ser divino. O objetivo do budismo, como o entendo, é ensinar-nos que todos
somos capazes de muito mais do que podemos acreditar. Se nos concentrarmos
nisso, se lhe dedicarmos a nossa mente.
Passam tantas almas por este
mundo. E à medida que os nossos caminhos se cruzam, podem acontecer, e
acontecem, coisas milagrosas. As pessoas têm as oportunidades que sempre
desejaram, inspiram-se umas às outras, apaixonam-se …E sejam esses eventos
orquestrados pela mão de Deus, um poder da mente ou o acaso; uma hipótese num
milhão, creio que devemos acreditar em milagres. Porque os milagres, como quer
que os definam, ajudam alcançar o Bem, conferem-nos esperança. Levam-nos a
criar realidade a partir da possibilidade.
MF