sábado, 6 de janeiro de 2018
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
sábado, 25 de novembro de 2017
Oh, José!
Oh, José, se tivesses acreditado
no Deus que te habitava...
a tua caravela tinha seguido outro rumo.
Não içaste o pano e os ventos não fazem milagres.
Lembravas-me Pedro, o pescador;
constantemente a escarrar pragas,
a cuspi-las por entre os dentes maldizentes.
Pedro desconcertado, trovejador
Oh, José, via-te impotente ;
e repetias sem cessar:
- Já sei que sou um diabo! Quando eu morrer, todos vão ficar descansados , sou o bicho mau!
Poucos viram o homem honesto, jamais ladrão
poucos vislumbraram a tua inteligência
poucos te olharam e descobriram o teu corpo
em forma de poesia ; caixa craniana com medidas rigorosas
grandes olhos azuis, lábios grossos, unhas cavadas e tratadas, mãos esguias...
Mas que vazio, que fastio, que insatisfação,
encurralado por mulheres contraditas, manipuladoras,
generalas, rainhas e uma única submissa, não menos
feroz que tu próprio.
Sei que querias um mundo à parte, talvez outra época
Havia em ti um ermita, habituado à penitência,
longe das gentes, isolado no teu próprio degredo
humor de cão , sombrio de tempestade
sisudo de fechado , turvo de trágico , casmurro de vilão .
Ansiavas pelo sossego da solidão,
uma solidão que te esburacava por dentro,
e te desterrava até ao mais fundo da alma
Atormentado por uma cratera de vulcão, ardias todo em brasa.
Querias paz, uma paz de pés nus, descalços,
sacrificada, num reino insólito, bastava-te um casebre;
filhos ranhosos, maltrapilhos, uma mulher igual a ti,
sem nenhuma ambição, resignada à sua condição
de pobreza extrema, sem queixumes nem lamúrias.
José, sempre prestaste vassalagem aos ricos e poderosos.
Dava-te gozo e satisfação ser servo, um humilde escravo
do patrão.
PN
Foto : NET
no Deus que te habitava...
a tua caravela tinha seguido outro rumo.
Não içaste o pano e os ventos não fazem milagres.
Lembravas-me Pedro, o pescador;
constantemente a escarrar pragas,
a cuspi-las por entre os dentes maldizentes.
Pedro desconcertado, trovejador
Oh, José, via-te impotente ;
e repetias sem cessar:
- Já sei que sou um diabo! Quando eu morrer, todos vão ficar descansados , sou o bicho mau!
Poucos viram o homem honesto, jamais ladrão
poucos vislumbraram a tua inteligência
poucos te olharam e descobriram o teu corpo
em forma de poesia ; caixa craniana com medidas rigorosas
grandes olhos azuis, lábios grossos, unhas cavadas e tratadas, mãos esguias...
Mas que vazio, que fastio, que insatisfação,
encurralado por mulheres contraditas, manipuladoras,
generalas, rainhas e uma única submissa, não menos
feroz que tu próprio.
Sei que querias um mundo à parte, talvez outra época
Havia em ti um ermita, habituado à penitência,
longe das gentes, isolado no teu próprio degredo
humor de cão , sombrio de tempestade
sisudo de fechado , turvo de trágico , casmurro de vilão .
Ansiavas pelo sossego da solidão,
uma solidão que te esburacava por dentro,
e te desterrava até ao mais fundo da alma
Atormentado por uma cratera de vulcão, ardias todo em brasa.
Querias paz, uma paz de pés nus, descalços,
sacrificada, num reino insólito, bastava-te um casebre;
filhos ranhosos, maltrapilhos, uma mulher igual a ti,
sem nenhuma ambição, resignada à sua condição
de pobreza extrema, sem queixumes nem lamúrias.
José, sempre prestaste vassalagem aos ricos e poderosos.
Dava-te gozo e satisfação ser servo, um humilde escravo
do patrão.
PN
Foto : NET
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
O desgosto de Agosto
Wojciech Voytek Nowakowski
Mágoa inquieta
olhos secos e
nebulosos
vista amortalha
turva, embaciada,
boca
escancarada, engano da “seta”
Corpos
contorcidos
encurralados na
selva do temor,
rasgos profundos
incicatrizáveis
e na fuga do
espanto
o revés espreita
e o desespero
estala
crepita, a visão
agita,
no fumo e na
labareda medonhamente ateada
mão cega da
morte anunciada.
A chama, ninguém
a trava,
a passo de louca,
titubeante
ágil nos saltos
e tropeços…
Sombras e mais
sombras,
Humana gente tragada
sem compaixão,
figura do demo escapou
às masmorras do inferno
e desceu às
serras dos homens
Que agosto
febril!
tingido de luto
Cinza escura,
branco sujo, negro de agonia
A solidão anda
por aí… ao abandono
uivando na noite…
vasculhando as
trevas
em buca de água
As urtigas rompem
a pele, fazem sangrar
e o sangue
borbulhante ferve nas veias geladas
diante de semelhante
vaticínio
Não vale a pena menear
a cabeça,
Ou cobrir o céu
da boca de estalinhos,
falsos
compungidos.
A desgraça
cumpriu-se sem escrúpulos
Mais enganos?
NÃO!
PN
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
O Bispo Vermelho
D. Manuel Martins, o " bispo de Setúbal, denunciou o desemprego, a fome, o trabalho infantil, a vida em barracas. A voz incómoda até ao fim, morreu este domingo, aos 90 anos de idade.
Por Natália Faria
Por Natália Faria
sábado, 16 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
Falar
sobre Deus, é um risco, é complexo e além disso não estudei teologia. Deixo
aqui a breve opinião de uma leiga na matéria. Após os programas que assisti,
inspirei-me um pouco sobre alguns assuntos. A vida de Cristo é apaixonante. É a
personagem mais perturbadora que conheci, misteriosa e maravilhosa. E aliar o
Pai, o Filho e o Espírito Santo… é soberbo, um desafio que cada um de nós vai
testar de forma diferente. Eu acredito na
existência de Deus, embora não se possa provar. “ O essencial é invisível aos
olhos”. Ou se acredita ou não se acredita. Ou se sente a sua presença ou não se sente a sua presença . Respeito as diversas crenças, cada qual com a
sua. Apesar dos rituais de celebração serem muito díspares, a essência é sempre
a mesma. O triunfo do Bem sobre o Mal. Há quem coloque a ciência acima da
existência de Deus. Já que a ciência não prova a respetiva entidade superior, então
Deus não existe. E a Ciência tinha de explicar Deus? A ciência foi concebida
para tratar de assuntos relacionados com o transcendental? A ciência ocupa-se
do domínio das necessidades dos homens, por isso, o mundo evoluiu muito mas contrariamente
regrediu. Como a ciência explica muitos
dos fenómenos naturais e não só....
Primitivamente o sol, a chuva, o trovão, etc. o que amedrontava era atribuído
a castigos ou manifestações divinas, então, o homem começa a pensar que
provavelmente um dia outros fenómenos serão descodificados por essa mesma ciência.
E isto bastará para provar a não existência de Deus? Se observarmos o que se
passa à escala planetária. E mais não
digo, os resultados estão aí ...
Não subscrevo quem defende a tese
de que foi o homem que criou Deus. Isto para se chegar a conclusão de que afinal deus reside no imaginário dos
homens. Para os ateus é isso mesmo ,
fica tudo no plano terreno. Outro ponto, que na minha opinião merece um
reparo; os homens almejam que Deus
intervenha nos problemas terrenos, que Deus é
este que sendo todo poderoso não
coloca ordem na "
casa"?! Na "casa" de quem !? Vamos lá ver, então é Deus que vai
carregar aos seus ombros as irresponsabilidades dos homens? Grande respeito
demonstram os homens por este Deus que dizem adorar e amar! É vulgar ouvir que
Deus criou o mundo em sete dias e depois ficou a descansar, sem se preocupar
connosco. Estão a julgar Deus?! Que moral?! O que o ser humano gostaria mesmo, era
de ter um deus à sua disposição para tudo. Que ele pudesse manipular, segundo
as suas conveniências. Para atender a todos os seus caprichos. Sem sequer se
dirigir a Deus de forma séria e consciente! Deus não pede que sejamos perfeitos,
que sejamos heróis, contudo, que possamos dar o melhor de nós. E não estamos
a fazer o mínimo esforço nesse sentido. Somos demasiado egoístas. E
insistimos na rota torta, batemos o pé como as crianças mimadas, cujas vontades
têm de ser impreterivelmente satisfeitas. Se queremos milagres, tenhamos fé e
acreditemos. Pratiquemos o bem. Não esqueçamos que existe um pouco de Deus em cada um de nós! Por isso somos imperfeitos!
Deus não pensa como os homens! Mal seria se assim fosse. A morte, embora nos
seja penosa, é uma condição da vida. Assim foi com Jesus Cristo, assim será
connosco. Em relação ao Apocalipse, ele está aí! O mar engole a terra! As
alterações climáticas são indesmentíveis! Que querem de Deus? Servir-se Dele
como quem brinca com uma marioneta? Deus abandonou-nos? Penso que não. Tenha
fé! E se nos deixou por nossa conta, não teria razões de sobra para isso? Pense
bem! Depois da morte? Eu acredito na vida! Às vezes imagino, são fantasias
minhas, que haverá uma Nova Jerusalém, onde habitam os bons e limpos de
coração. A maldade tem efeito porque o homem dá ouvidos a sentimentos negativos
e a vidas destroçadas e experiências horríveis. De qualquer forma há sempre a opção! Não gosto de cadeiras
eléctricas. Não gosto de prisões que desgraçam ainda mais quem se pretende
redimir! Todos têm direito a uma nova oportunidade! E aqueles que são um perigo
para a humanidade, prisão perpétua, sem nunca torná-los “animais” selvagens, ou
desfigurá-los ainda mais! O Diabo? Não existe!
Veja
ou reveja “ O prisioneiro de Alcatraz”
Burt
Lancaster é um assassino preso em Alcatraz e que se torna num técnico de renome
na área das aves. O excelente elenco inclui Thelma Ritter, Telly Savalas e Karl
Malden.
A
história verdadeira de um prisioneiro extraordinário, Robert F. Stroud, um
assassino duplo que passou 43 anos na solitária em Alcatraz. Uma prisão que
albergava os piores criminosos de sempre. Enquanto esteve preso, Stroud estudou
sozinho e tornou-se num ornitólogo reconhecido mundialmente, desenvolvendo
curas para aves doentes. Baseado no romance de Thomas E. Gaddis.
PN
Foto: NET
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Alinhavo sobre o joelho
Porque existe o mal?
com Morgan Freeman
com Morgan Freeman
“Em crianças quando somos
confrontados com o racismo, ficamos perplexos. Porque existe isto? De onde vem?
“ MF
Apesar
de toda a nossa capacidade de fazer o bem, o impulso de praticar o mal tem sido
uma praga na história humana.
Se acreditam que vivemos
num mundo sob controlo divino, porque deve o mal existir? Como invade as nossas
vidas? Como e´ que o mal conquistou os nossos corações?
As religiões combatem o
mal de diferentes formas e rituais.
Temos duas mentalidades,
uma boa e outra má. Para transformar as trevas em luz.
Algumas confissões consideram-no
uma força invisível que impregna o mundo inteiro. Demónios espreitam na
escuridão. Para o cristianismo pode ser o próprio demónio ou será o mal uma
coisa que vem de dentro de nós?
Mas a pergunta é: Mesmo assim,
um criminoso não continua ele a ter escolha? Será um criminoso capaz de
escolher não cometer um crime hediondo?
O peso no coração assume a
forma de medo das consequências, é a
única coisa que nos mantém no caminho dos justos. O que me leva a perguntar… se
somos inerentemente bons ou inerentemente maus? A resposta está na raiz da fé
cristã. Os primeiros livros da igreja traçam a nossa tendência para pecar até Adão
e Eva que comeram o fruto proibido, o pecado original.
O que é o pecado original?
A tradição cristã cunhou um pecado original, um desejo primitivo que todos
temos. É uma necessidade, um impulso humano de natureza muito básica. Porque
Adão pecou. O pecado original foi transmitido a sucessivas gerações,
perpetuado, uma após outra geração. Um
homem que mata e viola por prazer e não sente arrependimento, pode ser chamado
de coisa demoníaca. É demoníaco. Mas penso que é importante reconhecermos que
existe um pouco dele em todos nós. Há algo inerente em nós que parece
inclinar-se para a morte e a violência.
- Será o diabo? Ou isso é
apenas uma metáfora?
Nascemos com a capacidade
de fazer o mal. A maioria de nós, luta uma vida inteira para resistir à
tentação, para resistir ao que está errado. Mas pode haver outra fonte de mal
nas nossas vidas; as pessoas que nos trouxeram a este mundo, estejam vivas ou
mortas.
Uma das mais antigas e
influentes religiões do mundo mas a maioria de nós nunca ouviu falar dela,
chama-se zoroastrismo, teve início há 3 mil e quinhentos anos, do antigo irão. O
fogo é um símbolo do zoroastrismo. O fogo esta sempre aceso. Representa a
iluminação. Quanto mais conscientes estamos do mundo em que vivemos, quanto
mais sabemos o que nos espera, melhores decisões podemos tomar. É como caminhar
com uma lanterna na mão. O lema zoroastriano é “ bons pensamentos, boas
palavras e bons atos”
É uma religião que se
concentra na derrota do mal. O zoroastrismo é anterior às religiões que
reverenciam Abraão. Para muitos
zoroastrianos, o demónio já não é uma figura real, é um combatente interior, a
luta entre o bem e o mal que tem lugar na mente.
A
escola de pensamento zoroastriano não tem que ver com passado ou futuro, mas
com o que podemos fazer no tempo atual. Todos os nossos problemas, os do mundo,
são causados pelo homem. Como tal, devem ser resolvidos pelos homens. Culpar
uma força sobrenatural, não é uma noção zoroastriana.
Purgar
o mundo do mal não é tarefa de Messias, de reis ou profetas. É tarefa de todos
nós. Sejamos alfaiates, talhantes, vendedores ou atores. Quem quer que sejamos.
Gosto disso. MF
A
pergunta proverbial é se assaltaríamos um banco, se soubéssemos que ninguém
poderia saber que o tínhamos feito. E acho que se formos honestos connosco,
muitos de nós entrariam e levariam todo o dinheiro.
A
recompensa do paraíso e a ameaça do castigo eterno ao inferno, mantem-nos no
caminho certo. MF
Mas e aqueles que
sucumbiram ao mal? Pode a fé conduzir-nos à redenção? Ou será que o mal nos
marca para a vida? Fará parte da condição humana? Muitas confissões incitam-nos
a combater a tentação. A colocar o bem maior, o bem de todos acima do seu
interesse pessoal mas será isto é possível?
Os budistas tibetanos
acreditam que a necessidade de praticar o mal deriva da nossa ignorância, do
funcionamento das nossas mentes. Para que possam compreender a sua causa e vencê-los.
Mas nem todos querem combater os seus demónios interiores. São muitos os que
parecem condenados ao fogo do inferno por fazerem coisas más. Haverá forma de
os mudar?
Segundo estudos, o cérebro
de alguém que mata é diferente daquele que não mata. A ciência pode ajudar a
identificar os mais propensos para o mal, mas como se volta costas a uma vida
de maldade?
O
que nos dá esperança de que as pessoas podem mudar são aqueles casos de
transformação absoluta, casos reais, um homem que conheceu uma mulher,
apaixonou-se tiveram um filho e ele mudou completamente a sua vida,
anteriormente entregue ao crime. O mal pode ser contido? Esta esperança está no
centro da fé cristã. As pessoas pecam, mas os seus pecados podem ser lavados
através do batismo. É um recomeço de vida. A bíblia diz-nos que adão e Eva não
conheciam o mal até comerem o fruto proibido. Quase todas as confissões
religiosas contam a história do início do mal, terá começado em almas
infelizes? No próprio demónio? Ou nos nossos demónios interiores? Todos
acabamos por ficar frente a frente com o mal.
O
sofrimento que provoca fazer bem e mal? Sem o mal, como teríamos
desenvolvido características humanas únicas? A capacidade de expressar bondade,
a misericórdia, o perdão. MF
FIM
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