sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018


Imagem retirada da INTERNET 


Ele, um conceituado jornalista do Diário de Notícias de uma pacata cidade e docente de Geometria Descritiva de décimo segundo ano. Ela, uma aluna discreta e muito aplicada.
Numa aula:

Ele - Apraz-me observar como unes os pontos, não se encontra mácula, borrão ou imperfeição nessas sombras perfeitas e traços sem hesitações. 
Ela - Obrigada pela apreciação, professor. É importante para mim atingir o grau máximo de exigência.
Ele - Há muito tempo que venho a reparar em ti, és muito dedicada e perfeccionista; desde a marcação de pontos, linhas, planos, sombras... Parabéns!
Ela - Agradecida!
Ele - Deduzo que terás em casa mais exercícios do gênero, não?
Ela - Sim, tenho.
Ele - Apresentas- me na próxima aula?
Ela - Com certeza

Na aula seguinte, ele passou a maior parte do tempo a lançar- lhe olhares sorridentes; ela respondia inibida. A campainha soou e depois de todos saírem, eles ficaram a sós:
Ele - Então, trouxeste o que te pedi?
Ela - Sim, sim, está aqui e pousou sobre a mesa um bloco de folhas e deixou-o folhear.
Ele - Que maravilha, gosto muito disto. Tens um talento inato! São dignos de uma exposição pública. 
Ela - Refere-se aqui na escola? - arriscou com as faces em fogo.
Ele - Mais que isso, não sei se sabes, mas sou diretor do Diário de Notícias e responsável pela revista semanal, penso que conheces a mesma, não?
Ela – Sou leitora assídua da revista e igualmente do diário, mas só ao fim de semana, quando o meu pai compra. Não fazia ideia que fosse o diretor do diário, nem o responsável pela revista. Fiquei a saber neste preciso momento.
Ele - Agora já sabes! E olha, isto vai ser publicado na revista. Que me dizes?
Ela - Nem sei o que dizer…!
Ele - Não carece de resposta. O teu semblante diz tudo; irradia alegria! Vem comigo à redação do DN.

Saíram ambos numa passada larga. Atravessaram ruas, subiram passeios, passaram semáforos. Estavam a meio de uma tarde cinzenta. Rapidamente entraram num edifício antigo e escuro. No interior, abriram e fecharam portas e foram dar a uma sala repleta de homens sentados às respetivas secretárias. Ergueram o rosto, entreolharam-se e sorriram cúmplices, de seguida, cravaram os olhos nela. Foi notório a perturbação e inquietação sentidas, ela queria desaparecer dali o mais depressa possível. Não compreendia o significado daqueles olhares, como se ela fosse um caso dele. Que absurdo! Quando ele voltou, ela respirou de alívio, ele sempre muito apressado:
Ele - Vamos?
Ela - Para onde?
Ele - Vem, para falarmos num lugar mais calmo.
Uma interrogação pairava no ar, por que razão não poderiam conversar ali, na sala, onde supostamente teria estado, ou noutra qualquer.
A rapidez dele não lhe deu tempo para argumentar.
Tornaram a atravessar ruas, galgar passeios, passar semáforos. Subitamente indicou:
Ele - Entra, é o meu carro.
Apeteceu-lhe recusar o convite mas as palavras enlearam-se nas cordas vocais sem que tivesse energia para articular fosse o que fosse.
Ele - Coloca o cinto.
Ela - Para onde pensa levar-me?
Ele - Seguimos até ao hotel Duas Torres e depois regressamos, um pequeno passeio. Olha, quanto à tua situação, é assim; já está tudo resolvido; terás duas páginas só para ti. Colocarás dois a três trabalhos, guardarás uma parte para te descreveres, só coisas que te favoreçam. Não é bom?

Ela não respondeu, os lábios rasgaram-se até aos cantos da cara; expressão de felicidade. Entretanto, o automóvel continuou a rolar devagar. Houve um silêncio momentâneo e subitamente a mão direita despegou-se do volante e pôs no joelho dela, sem dar tempo a nada, correu perna acima até à coxa apertando-a, sem observar a estupefação da rapariga. Como ela não teve reação, ele agarrou- lhe a mão esquerda, abriu-lhe os dedos com os dedos dele e apertou na sua. Algo ali mesmo estilhaçou, num clarão de relâmpago. Incrédula, disparou finalmente:
Ela - Para conversar é preciso tocar?
Ele - Não se pode?
Ela - Não. 
Imediatamente retirou a mão e juntou à outra que permanecera ao volante.
Ela - Posso sair?
Ele - Vou voltar o carro ao hotel.
Olhou-o estarrecida, ele não precisava ir tão distante. Havia no centro da cidade imensos lugares onde podia fazer inversão de marcha. Entre eles desceu um silêncio ensurdecedor. Ele tornou-se imperturbável, indiferente, frio. Ela, ao contrário, demasiado nervosa, inquieta, assustada. E desatou a tagarelar sobre assuntos corriqueiros de escola, ele nem olhava para ela, concentrado na condução, sem um único movimento de músculos faciais. Quando chegaram ao ponto de partida, sem mexer a cabeça, a olhar em frente:
Ele - Agora podes sair. - pronunciou num tom médio  e  impessoal.
Ela abriu a porta mas antes de sair, espreitou de esguelha, ele de perfil.
Ela - E a sua intenção de publicar os meus trabalhos como é que fica?
Sem mover a cabeça:
Ele - Vou pensar no assunto.
Ela - Está bem.

As aulas de Geometria prosseguiram como se ela não existisse dentro da sala. Ele mantinha uma relação cordial com os outros colegas mas ela fora literalmente banida. Ela deixou de participar, desistiu de expor dúvidas, evitava olha-lo quando ele fazia exposições orais. A nota final foi média. 

Durante muito tempo guardou aquele episódio só para si. Anos mais tarde vieram contar-lhe outros semelhantes ao seu e alguns muito piores com o mesmo docente. Chegou a assediar alunas dentro da sala de aula. Também soube que no ano que fora aluna dele, a esposa encontrava-se grávida. As poucas vezes que se cruzaram nas ruas, ela virou o rosto para o lado. Detestara-o! Depois, durante anos a fio, notou a ausência e regozijou-se. Há pouco tempo, aconteceu ler a notícia da sua morte, causa; cancro. Assistiu a um programa de informação em que os intervenientes elogiaram o jornalista que se opunha ao regime instituído, o professor exímio, o homem honesto e recto!

Só maravilhas de um ser tão abominável e asqueroso.

PN

Nota : Baseado em factos reais


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Infeliz acaso




(Durante dias, ela foi visitar o jardim, admirar a obra dele mas  e ele só tinha olhos para a beleza dela   . Agora, ela à janela, ele mesmo por baixo)

Ele- Peregrinava agora mesmo entre o jardim da minha mansão, onde sou rei e senhor, entre flores e cantos, distraído saí e conectei-me com outros jardins do mundo, depois de uma vigilância noturna dos meus sonhos, senti repentinamente, espontaneamente, abrir-se-me um rasgo de brilho fino na minha boca e os meus olhos nutriram-se de um gosto delicioso e lindo para a beleza desta manhã de domingo. Obrigado pela tua magia, rapariga.

 Ela- Ante um rosto inclinado, consumido pela vertigem da cultura e do conhecimento, coisa que já lhe conheço, sondei intrigada, e bebi o perfume… a elegância da novidade furou os meus olhos como um raio de luz... A magia deste domingo é recíproca. “Tudo vale a pena quando a alma não é míope" - atrevo-me!

Ele- Que lindo rapariga! Obrigado!
Ela - Parece que ambos somos adeptos da arte do belo!
Ele- É verdade rapariga, agradeço a tua amizade, senti logo uma simpatia muito especial por ti. O caminho ditará. Foi espontâneo, coisas belas… quando a formosura nos surge ou nos atrai imprevisivelmente.
 Ela - Às vezes acontece assim...Surge do nada...
Ele - Sim, do nada...de algum lado naturalmente, não sei donde, que mexe connosco e nos põe em movimento interior, e, a escrever...palavras vindas de lugares secretos, encerradas nos nossos mistérios, que se libertam na sua necessidade sem nós termos qualquer controlo, voam vindas de dentro de nós. Querem expressar-se, dar-te as boas vindas, sorrir para ti e mostrar-te a sua beleza atraída pela tua. É um simples gesto atraído pela simpatia.
Ela- Onde viu o rei e senhor, perdido entre as flores e os cantos do seu jardim, a tal magia de um domingo, um domingo delicioso, que rasgo foi esse? Que brilho?! Foi uma simpatia tão especial, vinda de lugares secretos. Onde moram os mistérios quase insondáveis. O mais estranho, é que o rei centrou-se apenas em mim, viu-me, digeriu rapidamente toda a beleza...num trago só... Esqueceu, no entanto, de se debruçar sobre a essência, nem um toque, nem uma remexida, qualquer coisa que mostrasse que por aqui andou...nada de nada até hoje, tudo no maior secretismo. Podia ter sido mais simpático ao mostrar um real interesse pelas “coisas” que "semeio como pregos por aqui". 
Ou Sua Eminência é narcísico ao ponto de sentir prazer em ser apreciado e não saber apreciar o que tenho meu?

Ele- Sabes sua essência, não fui eu que me dirigi a ti, foste tu que surgiste à janela quando passei e me cumprimentaste. É natural que eu veja o teu rosto e aprecie a sua beleza. A beleza também existe no exterior de alguma coisa, senão porque andas sempre de olhos atentos? Captas essências ou captas a beleza exterior? Bom, o meu olhar é como a lente dos teus olhos, captei-te a ti e memorizei a tua beleza antes da tua essência ou a essência desses pregos que espetas por ai, porque nem isso me deste tempo de apreciar, pela tua conversa insensível, o que fiz foi poetar, uma forma amistosa  de me aproximar de ti. Não tive segundas intenções. Se te choca um elogio à tua pessoa lamento, és de natureza insensível e grosseira. Depois eu não sou narcisista, se reparares eu não tenho nada do meu rosto a descoberto, nada exposto para me contemplarem a mim ou contemplarem as palavras elogiosas ou não que me possam fazer, isso é-me indiferente. Agora tu, deves ser sim, narcisista e um pouco mais, és egocentrista, senão que sentido faz permaneceres continuamente a essa janela, exposta para que os outros te vejam, comentem de uma forma bajulatória? Uma forma de visibilidade estranha e doentia de quem não quer que a vejam ou lhe façam um elogio, não te parece? Ao contrário de mim, não sinto essa necessidade de me expor aos outros, pelo contrário, ao não me expor à visibilidade dos outros, só tenho a revelar a minha essência pelo meu jardim, não é assim? Tu nunca me viste, mas já viste o meu jardim, foste espreitar e como podes  te dirigir a mim, ser minha amiga, uma pessoa que nunca viste, nem sequer conheces o meu rosto! Deduzo que seja pelo meu jardim, ou seja, por aquilo que eu demonstro ser interiormente, não tiveste a oportunidade de me ver como sou exteriormente, como fazes quando estás aí a essa janela. Tu és narcísica e egocêntrica ao ponto de te expores, para gostares de ser apreciada e não saberes apreciar a essência, a simplicidade e a minha amabilidade. Pois é. Mas aqui comigo, só tenho mesmo beleza, carácter distinto, sensibilidade e sobretudo simpatia. Não vou estragar o que existe de bom comigo e alterar o mundo lindo de gente que me rodeia  desde ; artistas, poetas, filósofos, uma massa cultural de pessoas que sabem ser sensíveis, fica com a tua grosseria. Adeus minha pseudo – amiga, para sempre.

Ela fechou a janela e deu-lhe as costas. 

PN


Nota: Inspirado em factos reais, e igualmente a pensar no que tem sucedido quer nos EUA, e também no  nosso país, há demasiado assédio sobre mulheres e homens! Parte sempre de quem tem poder! Este diálogo serve  para mostrar que se pode dizer NÃO! Dar as costas à estupidez, à sobranceria, à insensibilidade,  à má educação, à grosseria. Ele projecta nela o que ele é! Bastou ela fazer-lhe uma critica justíssima  que ele faz o qualquer fanfarrão faz; destrata-a. Há homens que justificam o injustificável, se a mulher usa mini- saia, é porque está mesmo a pedir... se usa decote, é porque está mesmo a pedir, se vai a uma discoteca, é porque está mesmo a pedir! Não digo com isto, que as mulheres são santas, não são, se aceitam certas condições, quem cala, consente! Refiro-me àquelas que se tornam presas  indefesas! Há mulheres que se oferecem, já presenciei!Ou então é necessário um jogo de cintura para conviver sem se envolver. 
PN

sábado, 6 de janeiro de 2018

Democracia, onde moras?



Presenciei algo verdadeiramente trágico, o meu queixo rolou pelo chão da sala quando aquela sombra denominada de gente ou talvez não, aquela espécie de corvo, uma verdadeira ave de rapina, se levantou do seu lugar, agitou os braços e em altos brados, vociferou demoníaco numa retórica repetida. Com que gozo e satisfação deixou subentendido que o seu superior hierárquico seria um assassino. O discurso daquele ser abjeto, supostamente preparado ao espelho inchou-lhe o ego mas revelou que o ser humano pode descer muitos degraus e o quanto se pode tornar cavernoso, medíocre, vil e desprezível. Este indivíduo desconhece a palavra respeito. Disforme, nem se aceita tamanha desfaçatez. E daqui, se conclui que a montanha pariu um rato. Ali, não se debateu nada útil, nem consensos, nem união nacional, nem acordos, nem espírito de equipa. Apenas espingardadas à semelhança de outas tantas sessões; tudo feio, cru, nu e ríspido. Democracia, onde moras?


(Nota inspirada na intervenção de um conceituado jornalista que faz parte do plantão de um programa de debate e discussão política).

PN

Fotos: NET

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Votos de Feliz Natal e Bom Ano Novo
PN

sábado, 25 de novembro de 2017

Oh, José!

Oh, José, se tivesses acreditado 
no Deus que te habitava...
a tua caravela tinha seguido outro rumo.
Não  içaste o pano e os ventos não  fazem milagres. 
Lembravas-me Pedro, o pescador;
constantemente a escarrar pragas, 
a cuspi-las por entre os dentes maldizentes. 
Pedro desconcertado, trovejador
Oh, José, via-te impotente ;
e repetias sem cessar:
- Já  sei que sou um diabo! Quando eu morrer,  todos vão  ficar  descansados ,   sou o bicho mau!  
Poucos viram o homem honesto, jamais ladrão 
poucos vislumbraram a tua inteligência
poucos te olharam e descobriram o teu corpo
em forma de poesia ; caixa craniana com medidas rigorosas 
  grandes olhos  azuis, lábios grossos, unhas cavadas e tratadas, mãos esguias... 
Mas que vazio,  que fastio, que insatisfação,
encurralado por mulheres contraditas, manipuladoras, 
generalas, rainhas e uma única submissa, não menos
feroz que tu próprio. 
Sei que querias um mundo à  parte, talvez outra época 
Havia em ti um ermita, habituado à  penitência, 
longe das gentes, isolado no teu próprio  degredo
humor de cão , sombrio de tempestade
sisudo de fechado , turvo de trágico , casmurro de vilão  . 
Ansiavas pelo sossego da solidão,
uma solidão que te esburacava por dentro, 
e te desterrava até  ao mais fundo da alma
Atormentado por uma cratera de vulcão,  ardias todo em  brasa.
Querias paz, uma paz de pés nus, descalços, 
sacrificada, num reino insólito,  bastava-te um casebre;
filhos ranhosos, maltrapilhos, uma mulher igual a ti, 
sem nenhuma ambição, resignada à  sua condição 
de pobreza extrema, sem queixumes nem lamúrias. 
José, sempre  prestaste   vassalagem aos ricos e poderosos. 
Dava-te gozo e satisfação ser servo, um humilde escravo 
do patrão.
PN 
 Foto : NET




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O desgosto de Agosto

Wojciech Voytek Nowakowski


Mágoa inquieta
olhos secos e nebulosos
vista amortalha
turva, embaciada,
boca escancarada, engano da “seta”
Corpos contorcidos
encurralados na selva do temor,
rasgos profundos
incicatrizáveis
e na fuga do espanto
o revés espreita
e o desespero estala
crepita, a visão agita,
no fumo e na labareda medonhamente ateada
mão cega da morte anunciada.
A chama, ninguém a trava,
a passo de louca, titubeante   
ágil nos saltos e tropeços…
Sombras e mais sombras,
Humana gente tragada sem compaixão,
figura do demo escapou às masmorras do inferno
e desceu às serras dos homens
Que agosto febril!
tingido de luto
Cinza escura, branco sujo, negro de agonia
A solidão anda por aí… ao abandono
uivando na noite…
vasculhando as trevas
em buca de água
As urtigas rompem a pele, fazem sangrar
e o sangue borbulhante ferve nas veias geladas
diante de semelhante vaticínio

Não vale a pena menear a cabeça,
Ou cobrir o céu da boca de estalinhos,
falsos compungidos.
A desgraça cumpriu-se sem escrúpulos
Mais enganos?
NÃO!
PN



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Bispo Vermelho

 D. Manuel Martins, o " bispo de Setúbal,  denunciou o desemprego, a fome, o trabalho infantil, a vida em barracas. A voz incómoda até  ao fim, morreu este domingo, aos 90 anos de idade.

Por Natália  Faria

sábado, 16 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho


Falar sobre Deus, é um risco, é complexo e além disso não estudei teologia. Deixo aqui a breve opinião de uma leiga na matéria. Após os programas que assisti, inspirei-me um pouco sobre alguns assuntos. A vida de Cristo é apaixonante. É a personagem mais perturbadora que conheci, misteriosa e maravilhosa. E aliar o Pai, o Filho e o Espírito Santo… é soberbo, um desafio que cada um de nós vai testar de forma diferente. Eu acredito na existência de Deus, embora não se possa provar. “ O essencial é invisível aos olhos”. Ou se acredita ou não se acredita. Ou se sente a sua presença  ou não se sente  a sua presença .  Respeito as diversas crenças, cada qual com a sua. Apesar dos rituais de celebração serem muito díspares, a essência é sempre a mesma. O triunfo do Bem sobre o Mal. Há quem coloque a ciência acima da existência de Deus. Já que a ciência não prova a respetiva entidade superior, então Deus não existe. E a Ciência tinha de explicar Deus? A ciência foi concebida para tratar de assuntos relacionados com o transcendental? A ciência ocupa-se do domínio das necessidades dos homens, por isso, o mundo evoluiu muito mas contrariamente regrediu. Como a ciência  explica muitos dos fenómenos  naturais e não  só....  Primitivamente o sol, a chuva, o trovão, etc. o que amedrontava era atribuído a castigos ou manifestações divinas, então, o homem começa a pensar que provavelmente um dia outros fenómenos serão descodificados por essa mesma ciência. E isto bastará para provar a não existência de Deus? Se observarmos o que se passa à escala planetária. E mais não  digo, os resultados estão  aí  ...  Não  subscrevo quem defende a tese de que foi o homem que criou Deus. Isto para se chegar a conclusão  de que afinal deus reside no imaginário dos homens. Para os ateus é  isso mesmo , fica tudo no plano terreno. Outro ponto, que na minha opinião merece um reparo;  os homens almejam que Deus intervenha nos problemas terrenos, que Deus é  este que sendo todo poderoso não  coloca  ordem na " casa"?! Na "casa" de quem !? Vamos lá ver, então é Deus que vai carregar aos seus ombros as irresponsabilidades dos homens? Grande respeito demonstram os homens por este Deus que dizem adorar e amar! É vulgar ouvir que Deus criou o mundo em sete dias e depois ficou a descansar, sem se preocupar connosco. Estão a julgar Deus?! Que moral?! O que o ser humano gostaria mesmo, era de ter um deus à sua disposição para tudo. Que ele pudesse manipular, segundo as suas conveniências. Para atender a todos os seus caprichos. Sem sequer se dirigir a Deus de forma séria e consciente! Deus não pede que sejamos perfeitos, que sejamos heróis, contudo, que possamos dar o melhor de nós. E não  estamos  a fazer o mínimo  esforço  nesse sentido. Somos demasiado egoístas. E insistimos na rota torta, batemos o pé como as crianças mimadas, cujas vontades têm de ser impreterivelmente satisfeitas. Se queremos milagres, tenhamos fé e acreditemos. Pratiquemos o bem. Não esqueçamos que existe um pouco de Deus em cada um de nós! Por isso somos imperfeitos! Deus não pensa como os homens! Mal seria se assim fosse. A morte, embora nos seja penosa, é uma condição da vida. Assim foi com Jesus Cristo, assim será connosco. Em relação ao Apocalipse, ele está aí! O mar engole a terra! As alterações climáticas são indesmentíveis! Que querem de Deus? Servir-se Dele como quem brinca com uma marioneta? Deus abandonou-nos? Penso que não. Tenha fé! E se nos deixou por nossa conta, não teria razões de sobra para isso? Pense bem! Depois da morte? Eu acredito na vida! Às vezes imagino, são fantasias minhas, que haverá uma Nova Jerusalém, onde habitam os bons e limpos de coração. A maldade tem efeito porque o homem dá ouvidos a sentimentos negativos e a vidas destroçadas e experiências horríveis. De qualquer forma há sempre a opção! Não gosto de cadeiras eléctricas. Não gosto de prisões que desgraçam ainda mais quem se pretende redimir! Todos têm direito a uma nova oportunidade! E aqueles que são um perigo para a humanidade, prisão perpétua, sem nunca torná-los  “animais” selvagens, ou desfigurá-los  ainda mais! O Diabo? Não existe! 

Veja ou reveja “ O prisioneiro de Alcatraz”
Burt Lancaster é um assassino preso em Alcatraz e que se torna num técnico de renome na área das aves. O excelente elenco inclui Thelma Ritter, Telly Savalas e Karl Malden.

A história verdadeira de um prisioneiro extraordinário, Robert F. Stroud, um assassino duplo que passou 43 anos na solitária em Alcatraz. Uma prisão que albergava os piores criminosos de sempre. Enquanto esteve preso, Stroud estudou sozinho e tornou-se num ornitólogo reconhecido mundialmente, desenvolvendo curas para aves doentes. Baseado no romance de Thomas E. Gaddis.
PN
Foto: NET

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

Porque existe o mal? 

com Morgan Freeman

“Em crianças quando somos confrontados com o racismo, ficamos perplexos. Porque existe isto? De onde vem? “ MF

Apesar de toda a nossa capacidade de fazer o bem, o impulso de praticar o mal tem sido uma praga na história humana.

Se acreditam que vivemos num mundo sob controlo divino, porque deve o mal existir? Como invade as nossas vidas? Como e´ que o mal conquistou os nossos corações?
As religiões combatem o mal de diferentes formas e rituais.

Temos duas mentalidades, uma boa e outra má. Para transformar as trevas em luz.
Algumas confissões consideram-no uma força invisível que impregna o mundo inteiro. Demónios espreitam na escuridão. Para o cristianismo pode ser o próprio demónio ou será o mal uma coisa que vem de dentro de nós?

Mas a pergunta é: Mesmo assim, um criminoso não continua ele a ter escolha? Será um criminoso capaz de escolher não cometer um crime hediondo?

O peso no coração assume a forma de  medo das consequências, é a única coisa que nos mantém no caminho dos justos. O que me leva a perguntar… se somos inerentemente bons ou inerentemente maus? A resposta está na raiz da fé cristã. Os primeiros livros da igreja traçam a nossa tendência para pecar até Adão e Eva que comeram o fruto proibido, o pecado original.

O que é o pecado original? A tradição cristã cunhou um pecado original, um desejo primitivo que todos temos. É uma necessidade, um impulso humano de natureza muito básica. Porque Adão pecou. O pecado original foi transmitido a sucessivas gerações, perpetuado, uma após outra geração. Um homem que mata e viola por prazer e não sente arrependimento, pode ser chamado de coisa demoníaca. É demoníaco. Mas penso que é importante reconhecermos que existe um pouco dele em todos nós. Há algo inerente em nós que parece inclinar-se para a morte e a violência.
- Será o diabo? Ou isso é apenas uma metáfora?

Nascemos com a capacidade de fazer o mal. A maioria de nós, luta uma vida inteira para resistir à tentação, para resistir ao que está errado. Mas pode haver outra fonte de mal nas nossas vidas; as pessoas que nos trouxeram a este mundo, estejam vivas ou mortas.
Uma das mais antigas e influentes religiões do mundo mas a maioria de nós nunca ouviu falar dela, chama-se zoroastrismo, teve início há 3 mil e quinhentos anos, do antigo irão. O fogo é um símbolo do zoroastrismo. O fogo esta sempre aceso. Representa a iluminação. Quanto mais conscientes estamos do mundo em que vivemos, quanto mais sabemos o que nos espera, melhores decisões podemos tomar. É como caminhar com uma lanterna na mão. O lema zoroastriano é “ bons pensamentos, boas palavras e bons atos”

É uma religião que se concentra na derrota do mal. O zoroastrismo é anterior às religiões que reverenciam Abraão. Para muitos zoroastrianos, o demónio já não é uma figura real, é um combatente interior, a luta entre o bem e o mal que tem lugar na mente.

A escola de pensamento zoroastriano não tem que ver com passado ou futuro, mas com o que podemos fazer no tempo atual. Todos os nossos problemas, os do mundo, são causados pelo homem. Como tal, devem ser resolvidos pelos homens. Culpar uma força sobrenatural, não é uma noção zoroastriana.

Purgar o mundo do mal não é tarefa de Messias, de reis ou profetas. É tarefa de todos nós. Sejamos alfaiates, talhantes, vendedores ou atores. Quem quer que sejamos. Gosto disso. MF

A pergunta proverbial é se assaltaríamos um banco, se soubéssemos que ninguém poderia saber que o tínhamos feito. E acho que se formos honestos connosco, muitos de nós entrariam e levariam todo o dinheiro.
A recompensa do paraíso e a ameaça do castigo eterno ao inferno, mantem-nos no caminho certo. MF

Mas e aqueles que sucumbiram ao mal? Pode a fé conduzir-nos à redenção? Ou será que o mal nos marca para a vida? Fará parte da condição humana? Muitas confissões incitam-nos a combater a tentação. A colocar o bem maior, o bem de todos acima do seu interesse pessoal mas será isto é possível? 

Os budistas tibetanos acreditam que a necessidade de praticar o mal deriva da nossa ignorância, do funcionamento das nossas mentes. Para que possam compreender a sua causa e vencê-los. Mas nem todos querem combater os seus demónios interiores. São muitos os que parecem condenados ao fogo do inferno por fazerem coisas más. Haverá forma de os mudar?

Segundo estudos, o cérebro de alguém que mata é diferente daquele que não mata. A ciência pode ajudar a identificar os mais propensos para o mal, mas como se volta costas a uma vida de maldade?

O que nos dá esperança de que as pessoas podem mudar são aqueles casos de transformação absoluta, casos reais, um homem que conheceu uma mulher, apaixonou-se tiveram um filho e ele mudou completamente a sua vida, anteriormente entregue ao crime. O mal pode ser contido? Esta esperança está no centro da fé cristã. As pessoas pecam, mas os seus pecados podem ser lavados através do batismo. É um recomeço de vida. A bíblia diz-nos que adão e Eva não conheciam o mal até comerem o fruto proibido. Quase todas as confissões religiosas contam a história do início do mal, terá começado em almas infelizes? No próprio demónio? Ou nos nossos demónios interiores? Todos acabamos por ficar frente a frente com o mal.


O sofrimento que provoca fazer  bem e mal? Sem o mal, como teríamos desenvolvido características humanas únicas? A capacidade de expressar bondade, a misericórdia, o perdão. MF

FIM 






quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

A HISTÓRIA DE DEUS

O poder dos Milagres


-O que sabe sobre o Buda? O que vos ensinam na América?
-Aprendi que ele era de berço nobre, que cresceu muito protegido e que um dia saiu do complexo…
-Está certo…e começou a ver a vida como ela era realmente. E porque fez ele isso?
-É a pergunta a que vai responder.
-Gostava que o seu pai decidisse, logo no seu nascimento, que o filho que tivera ia ser rei, e por isso, ia mantê-lo no palácio, rodeado de objetos belos para os sentidos, de flores que nunca secavam, de belas jovens que nunca envelheciam?
-Parece perfeito.
-Não é perfeito? Mas ele não estava satisfeito com isso. Buda saiu do palácio. E sabe o que viu quando deixou o palácio?
 -Tanto quanto sei, ele viu sofrimento. Ele viu a vida real.
-Em que forma?
-Havia velhos…aleijados…e pedintes. Pessoas que não tinham nada, pessoas com fome.
-Sim, é como se abrisse os olhos. Ele viu a morte. O pai não queria que ele visse a morte. Fê-lo ter a forte sensação de ter de deixar aquele lugar e descobrir qual era a causa daquilo. Porque é que as pessoas sofriam?
Siddhartha vagueou durante seis anos para tentar compreender a origem do sofrimento até por acabar por se sentar à sombra de uma figueira e decidir que permaneceria nesse lugar, concentrando a sua mente até descobrir, como acabar com o sofrimento humano. Depois de permanecer imóvel a noite inteira, Siddhartha conseguiu uma transformação mental. Os budistas dizem que se tornou no Buda, o iluminado.
-Ele ensinou-nos, disse o que um bom médico diz a um paciente. Que está doente, a sofrer, que tem um problema. Em segundo lugar, que conhecia a causa. Basicamente, o apego ao desejo. O Buda percebeu que livrando-se dos eus, desejos e da sua ligação ao mundo material, poderia livrar-se do sofrimento. Para o buda, as gerações de budistas que lhe sucederam, esta libertação parece permitir uma concentração mental e física notável, talvez mesmo, milagrosa.
Ele ficou tão grato à árvore sob a qual se sentara e alcançara essa perceção espantosa, que se sentou aqui durante sete semanas, e passou uma dessas semanas sempre a olhar fixamente. Diz-se que sem piscar os olhos. Imóvel.
É possível, Porque não? Não exercitamos as nossas mentes. Estamos tão ocupados com coisas exteriores, a comprar, a vender e a fazer o que precisamos….
Para os budistas, anos de treino mental, e a desmonstração de amor e compaixão, para com os outros, pode libertá-los do sofrimento. 
Passeando por este templo sentimos que podia acontecer aqui um milagre, o milagre de todas as pessoas se sentirem contentes com as suas vidas e toda a gente se dar bem.
Todos precisamos de importar-nos, de amar e de respeitar os outros. É essa a fonte da felicidade. Quem já experimentou isso está no bom caminho. Quem não tiver isso no coração não está no bom caminho.
-Muitas religiões baseiam-se bastante em milagres. O Cristianismo, o judaísmo … vocês, budistas não fazem milagres?
-O que é um milagre? Voar pelos céus, é um milagre? As aves fazem-no.
-Mas normalmente pensamos em milagres como uma espécie de coisa divina. Algo que nos faça prova da existência de Deus
-Certo. Então, podemos perguntar onde está Deus. Se perguntarmos aos místicos, ou yogis, onde está Deus, eles apontam para aqui, não para cima. Dirão que está aqui dentro. Então, se for inspirado pelo seu deus interior, Buda, Cristo, Krishna, o que lhe quiser chamar, talvez possa realizar o que se chama um milagre. Do que precisa este mundo mais? Precisa de cura, de amor…Precisa de reconciliação. Acho que é esse o milagre, o milagre de que precisamos. Não precisamos de pessoas que levitam sentadas a 10 cm do chão enquanto meditam. Isso é estúpido. Fiquemos pelo verdadeiro milagre, que é transformar a mente humana.

É irónico que um homem que queria que descobríssemos o poder que todos possuímos, seja considerado uma espécie de ser divino. O objetivo do budismo, como o entendo, é ensinar-nos que todos somos capazes de muito mais do que podemos acreditar. Se nos concentrarmos nisso, se lhe dedicarmos a nossa mente.
Passam tantas almas por este mundo. E à medida que os nossos caminhos se cruzam, podem acontecer, e acontecem, coisas milagrosas. As pessoas têm as oportunidades que sempre desejaram, inspiram-se umas às outras, apaixonam-se …E sejam esses eventos orquestrados pela mão de Deus, um poder da mente ou o acaso; uma hipótese num milhão, creio que devemos acreditar em milagres. Porque os milagres, como quer que os definam, ajudam alcançar o Bem, conferem-nos esperança. Levam-nos a criar realidade a partir da possibilidade.

MF

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

A HISTÓRIA DE DEUS
O PODER DOS MILAGRES
O que é sorte e o que é destino?
A crença em milagres pode mudar a história
Os milagres simbolizam a origem do povo judaico. E como a fé pode mudar vidas. Para conseguir o que parece impossível.
O verdadeiro milagre é transformar a mente humana.
A maioria dos crentes em Deus, acredita que Ele vela por nós, a cada instante do dia, orientando-nos, salvando-nos.
Alcides Moreno, morador em Nova Iorque, há 8 anos, caiu de uma altura de 47 andares e sobreviveu milagrosamente, os médicos reconheceram que não houve explicação e por que razão o irmão que se encontrava a seu lado nesse fatídico momento, não sobreviveu? Perguntas sem resposta! Deus salvou-o, acredita nisso e o irmão? Alcides já não lava janelas, vive atualmente no Arizona com a mulher e continua a tentar perceber se Deus tem algum plano para ele. “ Porquê eu? Terá Deus um propósito para mim?”
Haverá uma entidade que faz essa escolha? Viveremos…ao acaso? Ao mais puro acaso?
Para os cristãos, os milagres são prova de que a vida não é aleatória. Acreditam que Deus intervém no mundo por um motivo, os judeus também acreditam no poder dos milagres.

Em Roma, os milagres podem transformar pessoas comuns em santos.
Os milagres existem mesmo?
Jesus a caminhar sobre as águas. A própria vida de Cristo!
Cada palavra do Evangelho é um milagre de Cristo. Para considerar uma pessoa santa, a Igreja precisa de um milagre. Para que haja santos, são necessários milagres.
A Igreja tem um advogado que vai onde quer que alguém afirme ter assistido ou passado por um milagre. Advogados e cientistas, médicos especiais, para provar que é uma intervenção especial de Deus.
Será que a mão de Deus intervém realmente, não apenas em questões de vida ou de morte, mas também nos altos e baixos das nossas vidas diárias? Ou será que tudo acontece apenas por acaso?
“E se alguma coisa governar os momentos aparentemente aleatórios que mudam as nossas vidas e nos enviam em direções diferentes? Como um menino pobre do Mississippi acabar em Hollywood. Sempre adorei cinema. Sempre sonhei entrar nele. Era um crente. E a verdade é que consegui. Terá sido um milagre? “ MF
A maioria de nós conhece um ponto de viragem das suas vidas muito crucial e nos perguntamos como é que tudo aconteceu?
“Está na natureza humana extrair uma sinfonia da cacofonia que nos rodeia. Não significa que a providência divina não exista. “MF
Os antigos romanos tinham uma visão diferente dos milagres. Os Deuses controlavam os seus destinos e tudo o que acontecia era decidido por eles, até determinavam o resultado de eventos desportivos. Mitra era um deus de homens, de homens duros, de soldados, de poderosos homens de negócios. Estamos num mitreu, o original santuário para homens. Sabemos que celebravam muitas festas. Estavam aqui sacerdotes que supervisionavam o festim. Era essencial que se celebrasse rituais corretamente, para garantir o sucesso da equipa no Circo Máximo. Todos os rituais eram realizados para que se resolvesse o que queriam ver resolvido. Sabemos que se fazia muita batota no Circo Máximo para que as coisas resultassem para o seu êxito. O facto de permitirem que os deuses decidissem o seu destino, não significava que não podiam dar-lhes uma ajuda. Porque tinham a ideia de que o deus trabalhava para eles. E isso em todos os aspetos da vida. Incluindo, naturalmente, a sua equipa que corria no Circo Máximo. Os romanos não tinham fé, tinham fés. Apenas seguiam os rituais.
Os antigos romanos acreditavam que se fossem bons para os deuses, estes seriam bons para eles.
A ideia que nada nas nossas vidas acontece por acaso, não morreu com Roma antiga continua viva e de saúde, na filosofia e na religião chinesa; Taoismo, por exemplo, os deuses não são o centro da vida mas o Tao; a derradeira energia criativa do universo a que todos estamos ligados, esta interligação significa que os nossos destinos são selados à nascença. Mas será que os taoistas acreditam que os milagres são possíveis? Sem dúvida. Não pensamos só na carta astrológica como predestinada. Que é o único destino gravado na pedra. Vemos um mapa de vida, como dizemos que a vida é uma viagem. E em todas as viagens é necessário um mapa. Haverá becos sem saída, múltiplos buracos. Se soubermos onde estão, continuamos a comandar o nosso carro. Isto é apenas um sistema de navegação. Podemos curvar. Se percebermos como estamos ligados a tudo o que nos rodeia, esse é o milagre à espera de acontecer.
Isso está relacionado com o Feng- shui?  O Feng- shui baseia-se no pensamento taoista. Tudo o que nos rodeia está entreligado. Tudo é feito de energia e todos estamos ligados por ela. Feng significa vento. Shui significa água. É uma energia que não se pode criar ou destruir. Está sempre presente. Mas podemos esquivar-nos ou aproveitá-la. Podemos ir ter com ela.

Os chineses dizem “ As aves não voam, são carregadas. Os peixes não nadam. São levados pela água. Tudo o que nos acontece resulta de todas as coisas a que estamos ligados. Aquilo a que chamamos intervenção divina são meras ligações de que não estávamos conscientes. Faz-me pensar se não devíamos, talvez, fazer menos esforço para controlarmos as nossas vidas e aprender a seguir na onda da vida. MF
As nossas vidas estão cheias de voltas e reviravoltas inesperadas. Alguns acreditam que nada existe para além do acaso, outras dizem, que tudo depende da vontade de Deus e da energia. As crenças podem fazer a diferença entre a vida e a morte. O milagre pode derivar das nossas mentes?
Há seculos os muçulmanos acreditavam que fé e medicina trabalharam de mãos dadas mas podem ter tido a intervenção divina.
Fé e oração podem provocar resultados médicos?
A questão que realmente me interessa é o que acontece quando as pessoas rezam por uma cura.
Tenho a sensação que muito do que chamamos milagroso, começa aqui mesmo, na mente. Fechamos os olhos ao rezar, não fechamos? Eu acho que é porque o objetivo é concentrar a mente para transcender as distrações da vida diária. Para pularmos as nossas mentes para que alcancem o que inicialmente podemos recear que seja impossível.