quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O covil


São bruxas com dentes de riso cínico;

monstrinhas endiabradas mexeriqueiras,

com a vida dos outros naquelas bocas de tesoura,

cabeças piolhentas de invenção,  abaixo de cão.

Aquelas cadelas fracas derrapam a  velocidades sem freio

Não existe reciclagem que as salve, cérebros acéfalos …

Limitam-se a consumir livros e mais livros, numa sofreguidão sem nenhuma expressão;

e não limpam o pó preto dos móveis, das estantes, das cadeiras, do chão

Sopram a poalha granulada das mesas, para cima;

com sorte o gato sai da história e lambe por engano os ácaros de dentes afiados,

continuam as leituras, olhos em bico, olhos traiçoeiros,  a  instruírem-se; as ratazanas;

 é moda, é elegante; verniz pelintra rachado

Ler e arrotar com a boca podre de satisfação;

 adoram autores, livros e livrarias, basta um mexerico e  as baratas tontas correm

em todas as direções, elas querem avidamente saber!

 De repente o livro jaz abandonado sobre a secretária  

Armadas em doutoras cultas, à procura de histórias do alheio,

a dar palpites sabedores e a trepar a vedação para o desconhecido, que atrevimento!

 Ignorantes, carregam um poço de miséria às costas, cujas águas cheiram muito mal

Revestem-se de falso brilho, deslizam com língua de cobra a cada canto, tudo para chegar em lugar primeiro;

a tentar seduzir com aqueles olhos bicudos de enxofre e maldade pura;

maldade crua mas  bem camuflada à mais incauta das criaturas inocentes

E, lá andam sobre os andaimes, a esconder as dívidas que lhes vergam a espinha;

Convencer através da indumentária faustosa e a lixeira a vir bater-lhes à mão...

Puta que as pariu, negra sorte cruzar-se com semelhantes entes; ratoeiras

Infestam o ar com o bafo daquelas vozes desengonçadas, mal resolvidas, altifalantes

Traiçoeiras, tiranas, acham-se senhoras, madames, rainhas;


É ver aquelas mosquinhas babarem felizes, a estremecer de gozo

Enfartadas na própria aleivosia e ignorância…
Assaltam as ideias dos outros e vendem como sendo propriedade sua,

dão ordens contraditórias, chafurdam na lama … e é tudo o que sabem fazer!
Coitadas!
  
PN