Fui andar no cinzento cinzentão das ruas,
das construções tombadas e ardidas ,
dos prédios inclinados e descidos,
periclitantes à passada e a um ligeiro sopro
À frente dos meus olhos , seguiam no esquecimento
os automóveis a uma velocidade estonteante ,
a correr desalmadamente para um ponto de fuga
Descreviam uma linha reta e desapareciam
ou fugiam de si mesmos,
ou havia mesmo muita pressa,
ou competiam entre si,
ou eram devorados pela adrenalina
ou a náusea do dia carregava ansiosa no acelerador
Ou como num pesadelo, do qual queremos escapar
e parece que não vamos conseguir acordar a tempo...