quinta-feira, 30 de maio de 2024

Sem tempo ...

 

Fui andar no cinzento  cinzentão das ruas,
das construções tombadas e ardidas ,
dos prédios  inclinados e descidos,
periclitantes à passada e  a um ligeiro sopro
À frente dos meus olhos , seguiam  no esquecimento
 os automóveis a uma  velocidade  estonteante , 
a correr desalmadamente para um ponto de fuga
Descreviam uma linha reta e desapareciam
ou fugiam de si mesmos,
ou havia mesmo muita pressa,
 ou competiam entre si,
 ou  eram devorados pela adrenalina
ou a náusea do dia carregava ansiosa no acelerador
Ou como num pesadelo, do qual queremos escapar
 e parece que não vamos conseguir acordar a tempo...