terça-feira, 12 de março de 2024

Deixa uma flor na sepultura

 

Não há  qualquer vestígio  de ti;
 voz, risos, gestos ou cheiros
Nada. Quase tudo apagado...
Entrevejo-te  entre "séculos"
numa imagem diluída
 dos tempos esquecidos
Nem sei onde vives...
Tudo o que de ti
era vivo em mim
está morto e sepultado
apagado  até à eternidade
Se no fim dos meus  dias
 vieres ter comigo por qualquer motivo
encontrarás  a porta entreaberta;
Não por ti nem para ti
Mas se quiseres te despedir de mim...
Nessa altura vamos ser diferentes
sem o pretérito a incomodar os egos
Já sem tempo para  ressentimentos
pueris, estúpidos, raivas abrasivas
Velhos ódios bafientos
Suponho  que esse monte de sujidade
terá perdido aqueles odores nauseados
e insuportáveis
A tralha   inutilizada
deve  ser definitivamente abandonada
Nós, mudados por dentro;
mais generosos, mais humildes
menos ácidos, menos aborrecidos
Arrependimentos confessados
dentro de nós surja algum bom fundo...
Ou de nada, a vida, terá válido