Não há qualquer vestígio de ti;
voz, risos, gestos ou cheiros
Nada. Quase tudo apagado...
Entrevejo-te entre "séculos"
numa imagem diluída
dos tempos esquecidos
Nem sei onde vives...
Tudo o que de ti
era vivo em mim
está morto e sepultado
apagado até à eternidade
Se no fim dos meus dias
vieres ter comigo por qualquer motivo
encontrarás a porta entreaberta;
Não por ti nem para ti
Mas se quiseres te despedir de mim...
Nessa altura vamos ser diferentes
sem o pretérito a incomodar os egos
Já sem tempo para ressentimentos
pueris, estúpidos, raivas abrasivas
Velhos ódios bafientos
Suponho que esse monte de sujidade
terá perdido aqueles odores nauseados
e insuportáveis
A tralha inutilizada
deve ser definitivamente abandonada
Nós, mudados por dentro;
mais generosos, mais humildes
menos ácidos, menos aborrecidos
Arrependimentos confessados
dentro de nós surja algum bom fundo...
Ou de nada, a vida, terá válido