segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A mulher, o homem e a outra mulher

 

A estação de comboio e esta  hora encontra-se  deserta. Os painéis de azulejaria narram  episódios   emblemáticos de vidas passadas.  Do lado esquerdo, a bilheteira , no espaço contíguo, os sanitários. Em frente, a máquina  de vender chocolates.  Encostado à parede do meio, jaz um banco comprido, a criar ferrugem . Na parte dianteira, o portão fechado esconde a linha férrea.  Nas laterais da parede do meio, duas aberturas   largas e altas,  em arcadas, cuja parte cimeira forma meio arco. É por ali que passam os viajantes. Àquela hora, o último comboio partira. Na estação só estão três pessoas.  Duas mulheres, sentadas nas  extremidades do banco, a meio, um homem. No início,  calados,  apenas se escuta o respirar da noite e o murmurar dos materiais de que são feitas todas as coisas que os rodeiam. A certa altura, o homem,  solta um suspiro que revela impaciência, um estalinho com a língua no Palato. A mulher mais velha,  ajusta os óculos modernos e põe um ar sério.  A mulher mais nova, arqueia as sobrancelhas resignada, os olhos minúsculos mas muito atrentes atrás das lentes, usa óculos antigos e baratos. Agarra a bolsa com ambas as mãos. Rente aos pés, um saco grande. O homem, desabafa incrédulo e em voz alta, os olhos direcionados para a frente:

- Não me digam que vamos pernoitar aqui?!
A mulher mais velha:
- É o mais óbvio! 
- Que chatice! - de novo um estalo com a língua - enche as bochechas e dispara  uma baforada de ar sonora
- Que desespero! - expressa-se a mulher mais nova
-  Por acaso também não  está? - pergunta enervado
- Desesperada, não! Acontece a quem se atrasa, paciência ! - responde resignada
- Impávida e serena ?!- observa o homem
- Afinal, que quer que eu faça? Que me ponha aos gritos?  Que lhe bata?
- Me bater é que não! - defende-se cáustico
- Tenham calma, principalmente o senhor, não provoque! - a mais velha chama à razão
- Óptimo, assim  já  sei como vou ocupar o meu tempo!  - levanta-se e apalpa os bolsos das calças,  do casaco. Solta um grunhido a meia voz, dirige-se rapidamente para o trole,  escancara as aberturas exteriores. E volta a remexer:
- Hum?! Perdi-o! Grande porcaria! - visivelmente abatido, volta-se para as  mulheres- alguma de vocês tem telemóvel?
- O meu ficou sem bateria! - declara a mais velha
- Eu não tenho telemóvel! - esclarece a mais nova
- Não acredito, perco o comboio, o telemóvel,  que mais vou perder?!
- Nenhuma desgraça! - resmunga a mais nova
- Perder o único meio de transporte não é uma grande chatice?!  A minha mulher vai ficar preocupada por não chegar a horas. Os meus amigos facebookianos vão começar a imaginar as razões da minha ausência ! - outra baforada sonora de ar
Volta a questionar as  mulheres, se efetivamente possuem ou não o respetivo objecto. A resposta é a mesma. Como não se cala acerca da rede social:
- Fez casa no facebook? -  a mais nova pergunta entre dentes
Ele senta-se e volta a cabeça  para a esquerda :
- O que é que ela disse?
- Também não percebi.
Cai um silêncio estranho, subitamente nenhum se atreve a dizer mais nada. Após um intervalo:
- Sinto-me vazio, perdido! Este silêncio mexe comigo... - rompe queixoso
- É como se ficasse sem um membro, não é? -  a mais velha manifesta-se solidária 
- Também sente o mesmo em relação a não poder usar o seu ?
- Assim, tanto, não.  Um dos meus filhos que está a estudar em Londres , é uma loucura! O que eu passei...  A vida dele fazia-se através daquele retângulo, se falhasse,   tornava-se possesso!  Trepava paredes!
- Além de vício,  é doença ! - atalha a mais nova
-   Falhei como mãe  e o meu marido falhou como pai, essa e outras...
- Ainda tem consciência para admitir, eu também cometi os meus erros! - declara  a mais nova
- Não tenho problemas em colocar a mão no peito! e  perceber que nós,  mulheres, somos muito moles com os nossos filhos e os homens duros e frios, eles obedecem a quem? Por medo ou por respeito, mais medo que respeito,  estes extremismos, não fazem sentido - confessa a mais velha
- Não percebi o que quis dizer, desculpe lá . - responde a outra
- Não se preocupe com isso. Tem filhos?
- Tenho dois filhos - declara a mais nova
- O que fazem ?
- O rapaz  já saiu de casa, julgo que trabalha num escritório, não tenho a certeza, a rapariga vive comigo e com o pai,  é empregada de balcão  . - explica calmamente
- Não tem a certeza do seu filho?
- Ele só aparece em casa para pedir dinheiro e desaparece.

 Subitamente o homem ergue-se, estica  os braços, as pernas e boceja violentamente.
- Ei, que modos são esses? - interpela a mais velha
- A conversa está animada, por isso... as senhoras deviam aproveitar para fazer o mesmo. Estão aí,  travadas, enroladas...
- Tem razão,  mas não necessita ser tão expansivo!
- Acusa-me de má educação, ou receia que os meus vírus a atinjam?  - ri-se festivo
- E ainda se ri?! -  repreende a mais nova
- Se estamos aqui, testamos negativo...certo? - adianta o homem
- Certo! - aprova a mulher  -  também já levou a vacina?
- Já tomei a primeira dose e as reações não foram famosas.
- E  a senhora?- dirige-se à outra 
- Eu não tomo, tudo me faz mal! - justifica a mais nova 
- Somos apenas três entes, que a ironia do destino, juntou, o banco é comprido, o distanciamento, recomendável... portanto...- conclui o homem satisfeito
- Não estou tão optimista, nenhum de nós tem máscara posta.
- Se fomos testados! - atira o homem
- Não é bem assim! - a mulher mais velha  continua séria- toda esta questão causa-me  uma enorme  confusão, como é  possível,  termos as tecnologias mais sofisticadas e aperfeiçoadas e ainda recorrermos às  técnicas usadas durante a Peste Negra!? confinar toda a gente!? Que absurdo, o auge da Peste deu-se no século catorze! Estamos no século vinte e um?! Parar tudo!? Uma demonstração total da nossa falta de preparação, é  óbvio  que não estamos no bom caminho. E , olhem lá,  se continuarmos como até aqui,  não vai ser nada bom!
- Tem razão- o homem subscreve as palavras da mulher mais velha - e continua- surpreende-me  que cada vez mais pessoas aceitem  restrições  às suas liberdades e caladinhos.... 
 -Estou convencida que inúmeras pessoas  querem mudar, têm os valores corretos. Desejam cuidar dos outros e das gerações futuras mas não sabem como fazer ... não os deixam fazer, colocam barreiras a cada passo. Um dos  maiores desafios que enfrentamos, é  a nossa propria sobrevivência  no mundo e a nossa sobrevivência depende da forma como tratamos o planeta. Não é  só  sermos solidários com o vizinho do lado mas com o destino da humanidade, se repararem , há uma tendência,  encorajada por todos os governos,  a incitar  para que  nós confiemos neles e deixarmos as  responsabilidades nas suas mãos,  mas eles já demontraram nitidamente que não conseguem nos proteger de nada . Hoje, temos de ser nós a arranjar meios de proteção e defesa, por outro lado, somos obrigados a aceitar tudo o que nos impingem?! Aprendamos a nos libertar desta gente!
- É isso mesmo! - acrescenta o homem entusiasmado - a mulher prossegue-  toda a gente devia fazer algo superior, eu trato de um problema, o meu vizinho trata de outro, os meus amigos, cada um deles trata de um problema.  Sabe, é urgente uma maior envolvência por parte de todos.
- Eu até gosto de escutá-los - começa a mulher mais nova-  sabem, ser amigo, começa dentro de casa, amigo primeiro dos seus, depois dos outros.   Às vezes a família  ajuda e não é reconhecida, ajudar  para um certo número de pessoas, é   dar sem abrir a boca, como se fosse  a nossa obrigação!Querem sair de casa, saiam, depois venham de visita! 
- Refere-se ao seu filho?
- Ao meu filho e a outros tantos que andam por aí! Se não fosse a família...
- Eles querem o peixe pescado, cozinhado, pronto para mastigar e sem espinhas... acrescenta de novo a mais velha.
- O meu filho é diferente da irmã, ela ajuda em tudo, é muito nossa amiga, ensina-me coisas da escola e que vê na televisão. Ele tem vergonha da mãe, depois  bate à porta porque lhe falta dinheiro. 
- Vergonha da mãe?  - acrescenta  a mais velha chocada
- O único motivo é eu  ser bordadeira, picar o dedo na agulha,   apesar de mal paga, ainda o ajudo! - explica a mais nova.
- A sua filha nunca pensou em se meter num curso superior?
- Quando vai a uma loja, precisa de quem a atenda, não é assim? quando vai ao supermercado,  precisa de ajuda ? Mal de nós se não fosse essa gente, o varredor de rua, imagina o lixo de monte durante muito tempo? Como seria? A minha filha  falou-me se as máquinas que tratam das  águas  dos  esgotos avariassem e não houvesse quem arranjasse , morríamos todos, levantavam- se doenças perigosas. Acha que alguém pensa nesses homens ?  são como eu, mal pagos.

 Essa gente, que ninguém presta atenção,  que ninguém liga, eles são os que garantem a vida dos outros e são escravos e os mais mal pagos. Acha justo?
- Tem toda a razão! - comove-se sinceramente a mais velha
- A minha filha é digna, gosta do que faz, não explora a família, a mania que só vale quem tem curso superior! Mas os que têm mais estudos não mostram esse saber todo! Olhe o que disse há pouco? Ah! Tanta gente informada para quê? Estamos num beco sem saída. Veja o ambiente! A mesma coisa! Isto está de pernas para cima.  Uns ladrões de todo o tamanho. Na minha casa não há ladrões. Apesar de tudo, o meu filho, pede.  Somos pobres e honrados .  O meu marido também é como eu!  só tenho a quarta classe dos tempos antigos, a cabeça não deu para mais. Foram outros tempos! E agora? Como é? Mudou tanto para isto?!é o que se sabe e se vê?!
- A minha tia dizia; " Quem não rouba nem herda, não tem se não merda"- remata o homem.
- Não ouviu esta senhora? - acudiu a mais velha - estamos como estamos, em parte, por  pensarmos dessa forma!
O homem cala-se, mete as mãos nos bolsos do casaco, continua de pé, mexendo-se de um lado para o outro. 
- Olhe, eu sou professora reformada - confessa a mais velha fixando a mais nova nos olhos.
- Ah, sim? - a outra mostra-se curiosa
- Sim, reformei-me mais cedo, o ensino ficou um barco encalhado, ninguém conserta nada, é remendo aqui, ali, acolá... assim não se chega lá-  a mulher levanta-se entusiasmada pelo tema,  aproxima-se mais da outra, que permanece sentada.
- Fugiu dessa desgraça? - quis saber a mais nova  - e retoma a palavra- Deu-se mal?
- Não me dei mal, até tive muita sorte, consegui atingir o penúltimo escalão, um salário bom, para se chegar lá é uma chatice, enfim, é  para esquecer  esta estranha forma de avaliar professores.  Inventaram o projeto docente e relatórios.  Anda muita gente vaidosa, com o quê? A qualidade da educação  que se dá  às classes mais baixas  é a mais vulgar  possível,  para haver uma diferença entre as duas classes. Para que as elevadas permaneçam num nível superior,  fazendo crer às  menores que não conseguem atingir  o mesmo patamar. Agora, promove-se a mediocridade,  tornou-se   moda ter falta de inteligência,  ter falta de educação,  se estiverem atentos, hão-de perceber que tudo o que é medíocre,  aparece em grande número,  em todas as esferas sociais, refiro-me  à  arte, à  ciência,  à  religião,  à  política. Mas, quando falei que tive sorte, é mesmo verdade,no ensino,   passei por quase todos os cargos,  fui muito bajulada, também bajulei. Testemunhei situações com colegas, inadmissíveis,  passam-se coisas nas escolas que não é do conhecimento geral, autênticas  aberrações, envolve  professores, funcionários, pais, alunos, é uma vergonha, uma falta de ética, de consciência! Julga-se que já se viu tudo, nem pensar!
- Dizem que os professores faltam muito! - interrompe a mais nova , o homem fica parado, atento à mulher mais velha.
- Exatamente,  faltam muito! Os ambientes de trabalho são péssimos! Há professores muito  mal tratados, alguns são forçados a se afastarem e vão metendo atestados médicos psiquiátricos porque preferem estar em casa e outros adoecem mesmo. Não têm idade para sair do ativo e ficam reféns destas situações nojentas, desculpem-me a expressão.  Há  escolas que não passam de autênticas  ratoeiras. 
- Os professores doentes, ficam sem juízo? - interroga a mais nova 
- É isso que acabou de dizer! Sem juízo!  - justifica a outra
- Porque é que os professores não ficam numa escola, apenas quatro anos, terminado o prazo, seguem para outra ... não estou a dizer para fazerem grandes deslocações, até cerca de uma hora de carro, afinal praticamente todos eles conduzem . - lança  o homem
- Parece-me bem! Nada que eu já não tivesse pensado! Fiz mal, arrisquei pouco. Acomodei-me e fiquei parada no tempo, por muitas formações que se frequente, é saudável arejar, ver outras escolas, sentir outros sentires; cheiros, vozes, colegas, alunos...enfim, embruteci,  fartei e enfartei! 
- Coitado daquele que cai nas garras desses loucos! manicómios ! - observa  a mais nova
- Um covil de hipócritas!- acrescenta o homem 
- Sabe, recebemos ordens para trabalhar à frente de um ecrã,  com falhas grosseiras  de imagem e som, o ensino à distância! Querem habituaram-nos a isto? É o projeto do neocapitalismo, fazer com que a tecnologia avance cada vez mais, a inteligência artificial,  a digitalização generalizada, a 5G. Sempre  mais máquinas...E os laços humanos? manter as pessoas  distantes, sequestradas  por ecrãs  e pela Internet,  sequestrados  por essas ondas 5G ou outra invenção qualquer.  A intenção é isolar-nos uns dos outros! - continua a mais velha
- E já são cinco horas! - o homem consulta o relógio
- Ainda? - a mais nova e endireita os óculos desiludida
- Já estivemos mais longe - acrescenta o homem e finalmente senta-se, e cruza os braços
A mulher mais nova também cruza os braços e desata:

- A senhora deve receber uma boa reforma, não? Veste bem, parece uma rainha! - comenta risonha, a mais nova
O homem olha em frente e sorri também. 
- Confesso que em termos financeiros, não  há problemas, tenho bons recursos, cresci com eles. Tive sorte, o meu casamento acabou mas conheci um senhor pelo Facebook e agora vou vê-lo ao vivo e a cores.
- Tenha cuidado com essa gente! -adverte a mais nova
- Já  falo com ele há muito tempo, agrada-me o género e o meu género agrada-lhe!
- Não quer experimentar comigo? - o homem  tenta sua sorte
- O senhor não é casado?- lembra a mais nova
- Mal casado! - responde ligeiramente irritado 
- É bem mais jovem do que eu ! - observa a mais velha
- Não gosta de homens mais novos? - atira com um sorriso maroto
- Tem boa presença! - a mais velha comprova -  Mas não o conheço!
- Se me der uma oportunidade...
- Posso dar... - declara com alguma incerteza - e sequer acha-me interessante, faço o seu tipo?
- Já tinha reparado em si...
- A sério?!
A mulher mais nova, olha para um e para o outro com um ar reprovador. 
Pouco a pouco cai um silêncio estranho,  os três calados, a mulher mais nova, acaba por fechar os olhos. Entretanto, o comboio chega.
O homem começa a fazer olhinhos à mulher mais velha. Ela fica constrangida , porém,  demonstra que lhe agrada. O homem de  quando em vez , espreita a outra para se certificar que dormita ou simula.
- Assim podemos nos entender sem esta senhora incomodar- diz o homem
- Coitada, deve estar cansada . Que quer dizer?
- Quando descermos vou acompanhá-la! Esqueça o outro ! Quantos dias ia ficar com ele?
- Cinco dias!
- Óptimo,  passe-os comigo! - consegue ser convincente
- Ai, estou confusa! O outro espera-me, não é uma atitude digna da minha parte!
- Isso passa, invente uma desculpa,  já sabe, vou consigo! Certo?
- Sim, certo! - concorda meio desajeitada
A mulher mais velha levanta-se pensativa, o homem também,  ficam próximos, ela afasta-se.
- Que se passa? Tem medo de mim ?
- Não se trata disso! O confinamento, o distanciamento, repetido sem cessar, está tudo dentro da minha cabeça...o outro senhor , o outro senhor que me aguarda...que falta de respeito e de palavra!não me sinto confortável nesta posição...
- Ligue-lhe e arranje uma situação impossível...
-Calma, as coisas não podem ser no seu timing! 
- Então vamos dar tempo... para começar uma amizade! nem pense em fugir de mim! Declara carinhoso e passa um braço pela cintura da mulher -Gosta do toque ? - pergunta ele baixinho
- Gosto! -ela responde baixinho
-  O ritmo é  o aconselhável por agora! - acrescenta o homem
- Agora sente-se no seu lugar - pede branda
- Com certeza! - alisa o bigode louro recortado sobre o lábio superior e ajeita o cabelo lambido da mesma cor.
Depois, ficam calados e aos poucos lançam olhares mútuos , ora  sérios ora sorridentes.  A mulher mais nova,  acorda atordoada, foi comprar um chocolate, a mais velha procurou o WC. O homem fica sozinho.
 Anunciam a hora de embarque.  Os poucos  viajantes vão entrando,  o homem segura imediatamente o braço da mais velha e conduz  a mesma para dentro do comboio.
- A outra senhora onde está? 
-Acredita que ela tem telemóvel e não  me emprestou?!
- Como descobriu?
- Quando foi à máquina dos chocolates, tirou o porta moedas da bolsa e deixou-a cair, nisto,  o telemóvel sai.... eu agarrei e vi que estava ativo e tinha bateria, ela ficou atrapalhada.
- Ela não vem?! Esqueça isso,   ela não tinha que emprestar o  telemóvel a um desconhecido.  É um objeto pessoal. Que lhe aconteceu? Não a vejo!
- Vai aprender ! - sussurra  o homem
- Que falou?!
- Arrefeceu!
- Faz fresco! Mas está agradável,  temos os nossos agasalhos, dá sempre jeito!
- Muito mais agradável com a sua presença !
A mulher sorri :
- Vá chamar a outra senhora!
- Espere, vou chamar!
Volta sozinho.
-Então? ! -  exclama pasmada
- Ela  recebeu uma chamada e disse que afinal vai de boleia.
- Tem a certeza disso? Nem me despedi dela, nem fiquei com o contato...simpatizei com a sua simplicidade e franqueza, que pena!
- O comboio já vai partir! - anuncia o homem- e escuta-se o som de saída 
A mulher mais velha ainda espreita pela janela, volta o pescoço e nem sinal da outra.
Na estação,  a mulher mais nova percorre o recinto numa aflição:
-Bom dia, que procura? - pergunta o homem da belheteira
- A minha bolsa! Meu Deus, perdi o comboio! E agora? Tenho  toalhas para entregar amanhã. A minha bolsa?! - pronuncia quase a chorar 
- A sua bolsa?  O  indivíduo que estava aqui com as senhoras meteu debaixo do banco! 
- O meu filho?! 














terça-feira, 10 de agosto de 2021

Recortes instantâneos

“ É  quando
te pedem para desistires
que eles têm mais medo
que continues a tentar”
                           T. A. 
Isto de incomodar, é tramado! Ninguém atira pedras a uma figueira seca. 

Maria Silva