Mulher, casada, mãe de três filhos, estados de espírito controlados, picos de emoção fortes, adequados às situações. Às vezes preferia ter nascido homem, há imensas vantagens; não menstruam uma por mês durante toda a vida, não engravidam e consequentemente desconhecem as dores do parto. Não lhes são impostas as mesmas responsabilidades que às mulheres. Ganham salários mais altos. Urinam de pé que é mais prático. Mudar de sexo? Fora de questão. Nem pensar. Nasci, vivo, respiro e acabarei os meus dias como mulher.
O amor? é intemporal, nunca esteve fora de "moda", " mudam-se os tempos e a vontade, todo o mundo é composto de mudança, sublinho (há mudanças e mudanças...) tomando sempre novas qualidades...( que qualidades?) "Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança"...( Diferentes em tudo da esperança!) Nunca me foi dado a observar tanto desamor como agora, transversal à sociedade; facto inegável! Apesar dos alertas, continuamos a descartar atitudes saudáveis, a descartar afetos, a descartar o que é vital para nós. Os mais novos? O reflexo dos mais velhos, entretidos a nadar insistentemente no virtual. Que realidade? Que laços? O retangulozinho extensão do braço. Loucos por amor ao digital, aos jogos, perdidos em conversas arranhadas, suprimidas, gatafunhos mal urdidos, sem nexo, sem lógica, embebidos de sensações baratas; "meia pataca". A diversão do álcool, do sexo,das drogas e das mentiras. A geração dos caprichos, não foram feitos para grandes esforços , as redes sociais dão-lhes boleia para o estrelado; cabelos esticados, maquiagem à farta, vestuário arejado, é de suprema importância exibir as curvas e os músculos. Correr nas áreas vizinhas, não pela saúde, pela moda e vai outra fotografia; num estalar de dedos e Hollywood à vista! Contudo, sem talento, sem cultura, e uma falta tremenda de inteligência, nasceram cansados. Os pais pouparam os filhos das dificuldades e esconderam as partes pesadas e sofridas, esqueceram de ensinar aos (t)chicos , a lidar com as frustrações. A sociedade dá à luz jovens que enchem pavilhões, festivais de música, bares e discotecas. Partilham imagens das bebedeiras uns aos outros! mostram-se ao planeta sem nenhum receio ou pudor... sem maneiras...habituados ao supérfluo. Quanto mais caídos, melhor! Grande farra! Viciados nos likes, nas visualizações, não suportam um "Não "nem compreendem, por isso disparam à queima roupa, eles têm direitos e fazem birra em voz alta, ai de quem lhes mexa, nessas "aquisições", eles têm necessidades e querem satisfazê-las logo, adiar impacienta-os , eles têm expectativas muito altas, disseram aos (t)chicos que eles eram muito bons, por isso continuam a querer, numa sede insuportável e insaciável e já ninguém os atura. Estudar é chatice, uma maçada! Exigem diplomas para alimentar o ego insuflado, sem conhecimento teórico e duvidosa capacidade de exercer qualquer atividade ou ofício.
A responsabilidade é nossa, dos adultos, perdemos, fomos mesmo cegos, surdos e tontos, não soubemos formar, nem educar, em momento algum paramos para ver a realidade . Ter atenção ao que estávamos a criar! A sociedade não assume , não quer, não consegue, não pode, facilitamos demais e agora resta enfrentar o nosso terrível fracasso.
As mulheres? O seu estatuto de mães é fundamental na qualidade da educação, são elas as verdadeiras obreiras na continuidade da espécie. A arquitetura da família que se conhece hoje, deixa muito a desejar. É fraca, é pobre. Não pode dar bons frutos. Para se ser mãe, primeiro que tudo, é sentir vocação, estar preparada, ter responsabilidade e maturidade! Há muita leviandade e os resultados são visíveis. Podem negar com o slogan do politicamente correto, a realidade contradiz essa publicidade enganosa.
Conheço muita mulher má; mentirosa, hipócrita, terrivelmente manipuladora, péssimas mães, que exemplos?! mal resolvidas, mal estruturadas, pobres de espírito, no entanto, a grande maioria julga-se excelente mãe! Não há exame de consciência. Tal como as crianças levam para a escola a má educação vinda de casa, as mulheres transportam o mesmo para o local de trabalho; quando atingem cargos de topo; má conduta, falta de ética, sem escrúpulos, tirania,etc,etc. Quem puder fugir, que se ponha a milhas. Quando se fareja o poder, tanto faz homens como mulheres, é tudo igual ; Deus nos acuda!
As desgraças formam-se quando os (t)chicos, apesar de novinhos já distinguem o bem do mal, praticam a maldade, julgando-se ilibados, salvos pello ambiente familiar onde estão inseridos. Cuidado, a vida não se compadece disso, se já tem noção dos seus atos, será melhor não ir por aí, começam cedo os amargos de boca. Preparem-se! Que alguém os ensine isso mesmo.
Os meus filhos? Boa pergunta. O meu marido e eu acertamos numas, desacertamos em outras. Procurei a via do diálogo, mesmo quando havia zangas que chegavam ao limite, o tempo é bom conselheiro, após a fervura baixar, calmamente introduzir a palavra. Abre-se uma brecha de sol por entre um céu fechado e é nesse tempo que devagar procurei chegar ao outro lado. Resultou sempre? É óbvio que não. Não desistir, é o meu lema. Aprendi, errei, chorei, ensinei, deixei atalhos, contornei alguns, meti por outros...
Se me considero feliz? Sim, sem qualquer dúvida! A felicidade não é viver num mar de rosas; pedi ajuda ao meu marido e vice-versa, aos filhos quando atingiram a idade adulta, socorri-me de profissionais de saúde mental, procurei padres para ouvir o conforto das suas palavras, inclusive algumas religiosas, nomeadamente freiras. Tive amigos que me deram atenção quando precisava e outros que me voltaram as costas.
Nunca fui mulher de andar constantemente aos prantos e lamúrias. Quando necessário, vou mesmo aos cornos do touro, depois, logo se vê. A vida não é só dor, nem só alegria. Sofrer por antecipação também está fora de questão. Rir com vontade se for caso disso e contrariamente, chorar copiosamente se for caso disso. Somos de opostos, quem pensa ficar fora desta lógica, vai se dar mal. Enquanto pudermos, pouparemos os filhos a preocupações nossas. Eles precisam seguir as suas vidas com independência e autonomia, nós os dois, igualmente . Temos nos desenvencilhado bem, somos amigos um do outro, sem traições, uma relação de cumplicidade mútua; de respeito, longe de ser perfeita! Mas tenho muito orgulho no projeto familiar que erguemos. Os meus filhos são unidos, e sinto a amizade deles para connosco. Sigo descansada e em paz. Mais tarde, precisarei de me libertar do trabalho e me dedicar a outras atividades que me dão prazer e realização, tanto a mim quanto ao meu marido. Cada um de nós seguirá as suas motivações, de forma saudável, desprendidos e soltos. Ao contrário da frase ; "o trabalho liberta", uma expressão conhecida por constar à entrada de certos campos de extermínio do regime nazista . Um paradoxo total, como tudo o que se conhece deste regime. Quando os loucos chegam ao poder, corre-se perigo... a História está cheia deles ; cito uma frase de Aldous Huxley que fala das ditaduras do futuro, eu acrescento, as falsas democracias do futuro e Aldous continua assim; ..." produzirão uma espécie de campo de concentração indolor para sociedades inteiras, de modo, que, de facto, poderão tirar às pessoas as coisas mais fundamentais que, no entanto, ficarão satisfeitas e até felizes com essa situação porque foram desviadas de qualquer desejo de rebelião por meio de drogas, propaganda ou lavagem de cérebro." Há países onde é possível reivindicar mas... há consequências embora não saibamos...
Certos profissionais ficam desejosos de colocar um ponto final à sua carreira, porque são pouco valorizados, mal remunerados e o ambiente de trabalho é péssimo, por vezes, prisões austeras, lugares irrespiráveis,inóspitos, um sufoco mortal, onde se pratica uma verdadeira caça ao homem , uma perseguição doentia. Isto é mais que suficiente para retirar a vontade de permanecer, retira o sossego do homem mais tranquilo. Sem condições, não se consegue tirar proveito algum de nada . A idade ideal de se reformar é inequivocamente aos sessenta anos, sem as terríveis e injustas penalizações. As pessoas estão cansadas, fartas , caso contrário, ficam por obrigação mas desempenham mal as suas funções. Desta forma, os serviços não funcionam bem. É ocaos, agarrar-se a quê, então? Aos telemóveis!
A morte é um tema delicado. Muito íntimo, singular. O ponto de viragem. A grande viagem! Uma morte digna? A acompanhia dos seus. Presenciei certa vez um senhor a morrer na sala aberta, no serviço de urgência, à sua volta gente a gemer, gente sofrida, gente desconhecida. E outro caso; este ainda pior, o senhor no estertor da morte, o biombo posto, na cama ao lado, as assistentes sentadas desportivamente , a contar anedotas, sufocadas em risos e garlhadas. Há lá coisa pior que isto? Alzheimer? Não é melhor morrer louquinho, que ter o seu juizinho e perceber que se está a partir sozinho? Faz-me lembrar um filme, do qual nada restou a não ser uma imagem, sei apenas que é clássico; um homem condenado à cadeira elétrica e no momento exato da descarga, o condenado interrompe o processo, pede que chamem o capelão, que está a assistir à execução, para lhe desapertar o cinto, pois está a demasiado apertado, na zona da barriga. Para nós, pode parecer um absurdo, para o condenado não. Além do direito de se sentir cómodo, o contato com alguém que lhe transmitisse conforto e salvação naquela hora pavorosa.
A pena de morte é a vingança lícita, um ajuste de contas, olho por olho, dente por dente. E, quanto a enganar-se ? Condenar inocentes? É tenebroso que ainda existam condenações deste género; injeção letal, cadeira elétrica, enforcamento, decapitação. Há um turismo mórbido a passear por lugares onde aconteceram estas execuções sumárias, porquê? Respirar as energias fúnebres ?
A nossa sociedade tem desprezo pelos seus velhos; aterradora negligência, basta visitar lares e hospitais. Os familiares deixam os seus idosos à mercê de profissionais descuidados; a maioria é sexo feminino; mulheres insensíveis e mal formadas, uma maneira de igualmente perpetuar o sofrimento , tornar mais enfermo quem já se encontra numa fase pouco saudável. Uma forma camuflada de "atentado" aos mais frágeis e incapacitados , sem qualquer sentimento de culpa, sem qualquer complacência. Vivemos num submundo, cada vez mais intolerante e desumano , que aposta forte nos jovens belos, nas caras lindas e perfeitas, nos corpos invejáveis, tudo pela aparência, o que sai destes padrões fica atirado ao esquecimento, à negligência, aos maus tratos, à sorte de ter caído em certas mãos.
Para além desta vida deve haver outra forma de vida, talvez uma nova Jerusalém, a cidade espiritual de Cristo. Bem diferente daquela que é do nosso conhecimento, foi e continua a ser. Torna-se necessário purgar, para poder passar à fase seguinte após um profundo arrependimento. Acaso não suceda aqui, na terra, no outro lado, terá de acontecer, se quisermos a salvação. Sou crente, acredito em Deus, não na Igreja, à Igreja falta humildade, falta verdade, falta verdadeiro espírito cristão e uma doutrina mais compreensiva e coloborativa com os pobres. A pobreza é uma verdadeira calamidade, sem fim à vista! Essa gente que pertence ao clero precisa ter uma ação muito mais ativa e generosa com os mais carenciados . Não pode, nem deve aliar-se aos mesmos; aos ricos e aos poderosos, e tornar-se ela própria, um poder instituído.
E para terminar, esqueçam as divergências, não façam de todas as diferenças um cavalo de batalha, sejam mais tolerantes e menos cruéis.
É urgente o amor e já passou há muito o prazo de espera...