domingo, 5 de março de 2023

Confissões de uma mãe

 

Mulher, casada, mãe de três filhos,  estados de espírito controlados, picos de emoção fortes, adequados às situações. Às vezes preferia ter nascido homem, há imensas vantagens; não   menstruam uma por mês durante toda a vida, não engravidam e consequentemente desconhecem  as dores do parto.  Não lhes são  impostas as mesmas responsabilidades que às mulheres.  Ganham salários mais altos. Urinam de pé que é mais prático. Mudar de sexo? Fora de questão. Nem pensar. Nasci, vivo, respiro  e acabarei os meus dias como mulher.
 
O amor? é intemporal,  nunca esteve  fora de "moda", " mudam-se os tempos e a vontade, todo o mundo é composto de mudança, sublinho (há mudanças e mudanças...) tomando sempre novas qualidades...( que qualidades?) "Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança"...( Diferentes em tudo da esperança!)  Nunca me foi dado a observar tanto desamor como agora, transversal à  sociedade; facto inegável! Apesar dos alertas, continuamos a descartar atitudes saudáveis,  a descartar afetos, a descartar o que é vital para nós. Os mais novos? O reflexo dos mais velhos, entretidos a nadar insistentemente no  virtual. Que realidade? Que laços? O retangulozinho extensão do braço.   Loucos por  amor ao digital, aos jogos, perdidos em conversas arranhadas, suprimidas, gatafunhos mal urdidos, sem nexo, sem lógica, embebidos de sensações baratas; "meia pataca". A diversão do álcool, do sexo,das  drogas e das mentiras. A geração dos caprichos, não foram feitos para grandes esforços , as redes sociais dão-lhes boleia para o estrelado; cabelos esticados, maquiagem à farta, vestuário arejado, é de suprema importância exibir  as curvas e os músculos. Correr nas áreas vizinhas,  não pela saúde,  pela  moda e vai outra fotografia;   num estalar de dedos e Hollywood à  vista! Contudo, sem talento, sem cultura, e uma falta tremenda de  inteligência,   nasceram cansados. Os pais pouparam os  filhos  das dificuldades e esconderam as partes pesadas e sofridas, esqueceram de ensinar aos (t)chicos , a lidar com as frustrações. A sociedade dá à luz jovens  que enchem pavilhões,  festivais de música, bares e discotecas. Partilham imagens das bebedeiras uns aos outros! mostram-se ao planeta sem nenhum receio ou  pudor... sem maneiras...habituados ao supérfluo.  Quanto mais caídos,  melhor! Grande farra! Viciados nos likes, nas visualizações, não suportam um "Não "nem compreendem,  por isso disparam à queima roupa, eles têm direitos e fazem birra em voz alta, ai de quem lhes mexa, nessas "aquisições",   eles têm necessidades e querem satisfazê-las logo, adiar impacienta-os ,  eles têm expectativas muito altas, disseram aos (t)chicos que eles eram muito bons, por isso continuam a querer, numa sede insuportável e insaciável e já ninguém os atura. Estudar é chatice, uma maçada! Exigem diplomas  para alimentar o ego insuflado,   sem conhecimento teórico e duvidosa capacidade de exercer qualquer atividade ou ofício.  
A responsabilidade  é nossa, dos adultos, perdemos,  fomos mesmo cegos, surdos  e tontos,  não soubemos formar, nem educar, em momento algum paramos para ver a realidade . Ter atenção ao que estávamos a criar! A sociedade não assume , não  quer, não consegue, não pode,  facilitamos demais e agora resta enfrentar o nosso terrível fracasso. 

As mulheres? O seu estatuto de mães é fundamental  na qualidade da educação, são elas as verdadeiras obreiras na continuidade da espécie.  A arquitetura da família que se conhece hoje, deixa muito a desejar. É fraca, é pobre. Não pode dar bons frutos. Para se ser mãe,  primeiro que tudo, é sentir vocação, estar preparada, ter  responsabilidade e maturidade! Há muita leviandade e os resultados são visíveis.  Podem negar com o slogan do politicamente correto, a realidade contradiz essa publicidade enganosa.
Conheço muita mulher  má;  mentirosa, hipócrita, terrivelmente  manipuladora,  péssimas mães, que exemplos?!   mal resolvidas, mal estruturadas,  pobres de espírito, no entanto, a grande maioria  julga-se excelente mãe! Não há exame de consciência. Tal como as crianças levam para a escola a má educação  vinda de casa, as mulheres transportam o mesmo  para o local de trabalho; quando atingem cargos de topo;  má conduta,  falta de ética, sem escrúpulos, tirania,etc,etc. Quem puder fugir, que se ponha a milhas. Quando se fareja o poder, tanto faz homens como mulheres, é tudo igual ; Deus nos acuda!
As desgraças formam-se quando os (t)chicos, apesar de novinhos já distinguem o bem do mal, praticam a maldade, julgando-se ilibados,  salvos pello ambiente familiar onde estão inseridos. Cuidado, a vida não se compadece disso, se já tem noção dos seus atos,   será melhor não ir por aí,  começam cedo os amargos de boca. Preparem-se! Que alguém os ensine isso mesmo.
 
Os meus filhos? Boa pergunta.  O meu marido e eu  acertamos numas,  desacertamos  em outras. Procurei  a via do diálogo,  mesmo quando havia zangas que chegavam ao limite, o tempo é bom conselheiro, após a  fervura baixar,  calmamente introduzir a palavra. Abre-se uma brecha de sol por entre um céu fechado e é nesse tempo que devagar procurei chegar ao outro lado. Resultou sempre? É óbvio que não.  Não desistir, é o meu lema. Aprendi, errei, chorei, ensinei, deixei atalhos, contornei alguns, meti por outros...
Se me considero feliz? Sim, sem qualquer dúvida! A felicidade não é viver num mar de rosas; pedi ajuda ao meu marido e vice-versa, aos filhos quando atingiram a idade adulta, socorri-me  de  profissionais de saúde mental, procurei padres para ouvir o conforto das suas palavras, inclusive  algumas religiosas, nomeadamente freiras. Tive amigos que me deram atenção quando precisava e outros que me voltaram as costas.
Nunca fui mulher de andar constantemente aos prantos e lamúrias. Quando  necessário,  vou mesmo aos cornos do touro, depois, logo se vê. A vida não  é  só dor, nem só alegria. Sofrer por antecipação também está fora de questão.  Rir com vontade se for caso disso e contrariamente,  chorar copiosamente se for caso disso. Somos de opostos, quem pensa ficar fora desta lógica, vai se dar mal. Enquanto pudermos,   pouparemos  os filhos a preocupações nossas. Eles precisam seguir as suas vidas com independência e autonomia,  nós os dois, igualmente . Temos nos desenvencilhado bem, somos amigos um do outro, sem traições, uma relação de cumplicidade mútua; de respeito, longe de ser perfeita!  Mas tenho muito orgulho no projeto familiar que erguemos. Os meus filhos são unidos,  e sinto a amizade deles para connosco. Sigo  descansada e em paz. Mais tarde, precisarei de me libertar do trabalho e me dedicar a outras atividades que me dão prazer e realização, tanto a  mim quanto  ao meu marido. Cada um de nós seguirá as suas motivações,  de forma saudável, desprendidos e soltos.   Ao contrário da frase ; "o trabalho liberta", uma expressão conhecida por constar à entrada de certos campos de extermínio do regime nazista .  Um paradoxo total, como tudo o que se conhece  deste regime. Quando os loucos chegam ao poder, corre-se perigo... a História está cheia deles ; cito uma frase de Aldous Huxley que fala das ditaduras do futuro, eu acrescento, as falsas democracias do futuro e Aldous continua assim; ..." produzirão uma espécie de campo de concentração indolor para sociedades inteiras, de modo, que, de facto, poderão tirar às pessoas as coisas mais fundamentais que, no entanto, ficarão satisfeitas e até felizes com essa situação porque foram desviadas de qualquer desejo de rebelião  por meio de drogas, propaganda  ou lavagem de cérebro."  Há países onde é possível reivindicar mas... há consequências embora não saibamos...
Certos profissionais ficam desejosos de colocar um ponto final à sua carreira, porque são pouco valorizados, mal remunerados e o ambiente de trabalho é péssimo, por vezes, prisões austeras, lugares irrespiráveis,inóspitos,  um sufoco mortal, onde se pratica uma verdadeira caça ao homem , uma perseguição doentia. Isto é mais que suficiente para retirar a vontade de permanecer,  retira o sossego do homem mais tranquilo. Sem condições, não se consegue tirar   proveito algum de nada . A idade ideal de se reformar é inequivocamente aos sessenta anos, sem as terríveis e  injustas penalizações. As pessoas estão cansadas, fartas , caso contrário,  ficam por obrigação  mas desempenham mal as suas funções. Desta forma, os serviços  não funcionam bem. É ocaos, agarrar-se a quê, então? Aos telemóveis!
A morte é  um tema delicado. Muito íntimo, singular. O ponto de viragem. A grande viagem!  Uma morte digna?  A acompanhia dos  seus. Presenciei certa vez um senhor a morrer na sala aberta, no serviço de urgência, à sua volta gente a gemer,  gente sofrida, gente desconhecida. E outro caso; este ainda pior, o senhor no estertor da morte, o biombo posto, na cama ao lado, as assistentes sentadas desportivamente , a contar anedotas, sufocadas em risos e garlhadas. Há lá coisa pior que isto? Alzheimer? Não é melhor morrer louquinho, que ter o seu juizinho e perceber que se está a partir sozinho?  Faz-me lembrar um filme,  do qual nada restou  a não ser uma  imagem, sei apenas que é  clássico;  um homem condenado à cadeira elétrica e no momento exato da descarga, o condenado interrompe o processo, pede que  chamem   o capelão, que está a assistir à execução,  para lhe desapertar o cinto, pois está a demasiado apertado, na zona da barriga. Para nós,  pode parecer um absurdo, para o condenado não. Além do direito de se sentir cómodo, o contato com alguém que lhe transmitisse conforto e salvação naquela hora pavorosa.
A pena de morte é a vingança  lícita,   um ajuste de contas, olho por olho, dente por dente. E, quanto a enganar-se ? Condenar inocentes? É tenebroso que ainda existam condenações deste género; injeção letal, cadeira elétrica,  enforcamento,  decapitação. Há um turismo mórbido a passear por lugares onde aconteceram estas execuções   sumárias, porquê? Respirar as energias fúnebres ?

A nossa sociedade tem desprezo pelos seus velhos; aterradora  negligência,  basta visitar lares e hospitais. Os familiares deixam os seus idosos  à mercê de profissionais descuidados; a maioria é sexo feminino;  mulheres insensíveis e mal formadas,  uma maneira de igualmente perpetuar o sofrimento ,  tornar mais enfermo  quem  já   se encontra  numa fase pouco saudável. Uma forma camuflada  de "atentado" aos mais frágeis e incapacitados  ,  sem qualquer sentimento de culpa, sem qualquer complacência. Vivemos num submundo, cada vez mais intolerante e desumano , que aposta forte  nos jovens belos, nas caras lindas e perfeitas, nos corpos invejáveis, tudo pela aparência,  o que sai destes padrões fica atirado ao esquecimento,  à negligência, aos maus tratos, à   sorte de ter caído em certas mãos.
 Para além desta vida deve haver outra forma de vida,  talvez uma nova Jerusalém, a cidade espiritual  de Cristo. Bem diferente daquela que é  do nosso conhecimento, foi e continua a ser. Torna-se  necessário   purgar, para poder  passar à fase seguinte  após um  profundo arrependimento.  Acaso não suceda  aqui, na terra, no outro lado, terá de acontecer, se quisermos a salvação. Sou crente, acredito em Deus, não na Igreja, à Igreja falta humildade, falta verdade,  falta verdadeiro espírito cristão e uma doutrina mais compreensiva e coloborativa com os pobres. A pobreza é uma verdadeira calamidade,  sem fim à vista!  Essa gente que pertence ao clero precisa ter uma ação muito mais ativa e generosa com os mais carenciados . Não pode, nem deve  aliar-se aos mesmos; aos ricos e aos poderosos, e tornar-se ela própria, um poder instituído.

E para terminar, esqueçam as divergências, não façam de todas as diferenças um cavalo de batalha, sejam mais tolerantes e menos cruéis. 
 É  urgente o amor e já passou há  muito o  prazo de espera...