Tanto estudioso de gravata ajustada
fatinho escrupulosamente limpo
escovado, cabelo lambido, excelente tecido
Medalhados até ao pescoço!
Teorias e mais teorias visivelmente aplaudidas
O resultado?
Mais maleitas irreconhecíveis?!
Surtos a entrar olhos adentro
Efeitos secundários , adversos, efeitos colaterais
boca seca, respiração ofegante,
A própria morte a arranjar canto?!
Depois, é a vez das vestes sacerdotais
ricas em simbolismo e significado!
escrupulosamente preparadas para
elevar a pureza que a Divindade
exige ao seu povo?
para honrar e reverenciar o altíssimo
Com as mãos impuras?!
Afogados em vícios? embebidos na profanação?
Ligados a crimes?!
E os mendigos à porta das igrejas?!
à espera que lhes caia uma moeda nas mãos?
Suas santidades onde estão?
Lá dentro? De altar em altar? Sempre a rezar? Em oração?
E os miseráveis do lado de fora?
Que Deus é o das batinas ?
O coro dos indignados sobe de tom,
numa vozearia
Cria tumulto
Ruído, confusão
E Insiste!é a repetição de outros séculos...
Quem não tem memória?
Mais recente, parcas travessuras
foram cometidas;
Arremessados
ovos coloridos contra fatos caros
atira-se tinta às estátuas!
E lá vem:
- Não pode ser assim! contestação
não é atentado contra a democracia?!
Nao posso concordar com estes atos de vandalismo
E outra voz chega-se à frente:
- Qual democracia? Conhece-a ?
Os garotos condenados pelos ovos coloridos?!
Ao tempo que não os escutam ?! Já cansa, já farta!
A eterna surdez, a surdez,
a fazer-se sempre e ainda mais de surda?!
Quanto maior é o grito,
maior a surdez, maior a vingança,
maior a astúcia, maior a soberba,
maior o desdém, maior o castigo,
maior o policiamento, maior a condenação,
maior a perseguição.
Afinal, que quem querem de nós?
Que esperam de nós?