Do que se trata? A narração de alguém
que frequenta um curso profissional diurno. Fui autorizada a usar gravador.
Afirmar que se fala mal dentro da sala, é colocar uma cortina de fumo sobre
factos terríveis, resolvi deixar tudo como me foi relatado.
" A maior parte das aulas,
é para amarrotar papéis e atirar uns aos
outros. Falar alto. Rir. Provocarem-se mutuamente, dizer graçolas. Uns dão-lhe para consultar o telemóvel, mesmo
descaradamente. Há na turma um casal que
são namorados, aquilo é amor/ ódio,
acaba sempre mal. Ela bate nele, ele bate nela, mesmo dentro da sala. É um manicômio.
O professor chama à atenção mas
eles estão-se nas tintas e olhe, acha que sequer participam? É só
ruído. Acontece esporadicamente,
um ou outro... raramente, os outros impedem. Enquanto o professor explica, está tudo a fazer o que lhe apetece; no
telemóvel ou as raparigas mostram constantemente as unhas umas às outras.
Há dias passei-me com algumas delas; estava uma
para a outra; " Olha as minhas
unhas, não estão perfeitas ?" e a
outra responde, " Vou fazer as minhas para a semana, estás a
perceber?"
" Eu sei de um lugar bom
para isso." E o professor a dar a aula. E ela para o professor; "
Professor, já viu as minhas unhas? Olhe, são
bonitas, fiz ontem." Odeio quando estou num grupo de raparigas e o assunto são as unhas.
Dá-me nervos, esqueça. Elas às vezes
são irritantes! Estão
interessadas em tudo, menos na
vida escolar. E, o mais interessante é que elas depois vão pesquisar no
telemóvel lugares para fazer o raio das unhas, a seguir mostram ao professor
também. Os professores não se chateiam, já
se cansaram, já não ligam. Eles vêm tudo o que se passa. Há uma delas que chama o professor e diz
:"Venha aqui para lhe mostrar uma coisa, olhe, este lugar é muito bom, aqui fazem unhas bonitas, é para a
sua mulher, se ela estiver interessada..."
A mais incrível é a maquiadora,
começa a aula, entra, vestida de forma excêntrica, parece que vai para um
desfile de moda. Ela chega ao lugar e mete
um espelho pequenino, virado para ela. A aula decorre e ela vai-se vendo
ao espelho, claro.O quê? Para aí meia
hora antes de terminar, tira outro, muito maior e muitos objetos da bolsa... e
começa a se maquilhar à frente do
professor. Ele vira-se para ela: "O que é isso? ; " Estou a me
maquilhar." ; " "E está a fazer isso, porquê?"; " Não estou a incomodar ninguém, não posso
continuar a fazer isto à minha vontade?
Há ocasiões que o professor
cala-se para não chegar à ignorância. A
aula dela é se maquilhar. Há outra
também do mesmo género, com o mesmo tipo de roupa, usa saltos de meio metro, ou
coisa parecida. Julgam que a sala é passagem de modelos.... Eu já lhe disse e
ela respondeu:" Ah, mas as botas são minhas".
Não vale a pena falar com estas pequenas,
porque não vai mudar nada. Elas são
assim e até os próprios professores desistem. E desata: " Quero o meu
lugar porque sou aluna desta turma,e exijo ter um bom lugar para estudar mas
não estuda nada. Esta é mesmo irritante,
dá-lhe para ser agressiva, um dia destes
empurrou a mesa pesada, com uma
brutalidade às minhas costas... bateu-me
na zona lombar, apanhei uma dor daquelas!Depois tem a coragem de dizer que é
uma brincadeira. As brincadeiras dela
acabam sempre por magoar os outros. Eu também não estava no meu melhor e ela
fica atrás de mim, sentei-me e irritado, dei uma cotovelada na mesa com força,
não sabia que ela tinha a mesa junto do estômago e fi-la vomitar. Fiquei aflito
e pedi desculpa.
E quando o assunto são rapazes?
Fogo, esqueça! Aquilo dá-me cabo dos
nervos! Mostram o Instagram deles todos umas às
outras. E lá vem uma e diz: Ah!o
meu namorado não é assim tão bonito !" e é
caso para acabar com o namorado por causa do outro que é mais " giro"?! Diga-me, se isto não
é um manicômio? O que é então?
Eu tive uma namorada, só que ela vive em Lisboa, acabou por isso, ela
chegou à conclusão que a distância era
um impedimento. Filha de professores, pense nisto e ela quando viu pela
primeira vez a minha foto, no Instagram, atirou-me esta! : "Puta que te
pariu, és lindo como um pau".
Conheço uma miúda de doze anos
que só numa frase deve dizer para aí mais
de quarenta palavrões, isto dentro da sala! Do
tipo; "vai levar no cu", "dá o cu à
tua prima". Ele responde: " É?
então vai chupar a pila da tua mãe. " Ela responde : " vai
foder a tua prima, seu caralho, filho da puta! "
O professor pergunta: " O
que é isso?! " e eles: " A gente está-se a tratar como colegas, é
assim que se fala, o que é que o Sr o
quer, também? Eu falo como eu quiser, cara de vaca! " O professor resolve
fazer participação e manda sair. Antes de ir porta fora ainda são capazes de
resmungar:" Quero lá saber, filho da puta". Houve uma aula que só
ficaram tres alunos, o resto foi expulso para fora da sala, vão passear...
Digo-lhe mais, os testes são
todos copiados e quando lhe digo todos, são
mesmo todos. Nós copiamos pelos colegas dos lados, se não dá, copia-se
pelos de trás ou por quem está à frente
e uma delas alertou-me : " Carlos, faz
cábulas porque isso é o que te vai salvar, senão vais te foder".
Confesso que não estudo muito,
estudo pouco mas estou atento às aulas e depois, conseguir ouvir é complicado
porque aquilo é caótico. Uma completa desorganização, só palavreado, tratam- se
mal uns aos outros. Não há respeito nenhum e julgo que a culpa é dos pais entre
si, os dois, o casal e depois os filhos vão ouvindo e repetindo.
Numa aula de História, estávamos
todos, a professora resolveu passar um filme, passados para aí, uns trinta minutos, olhei à minha volta, observo que só mais duas colegas estão como eu, a prestar
atenção, o resto de cabeça deitada, coberta, outros de olhos fechados, penso que aproveitaram para dormir...
Estou louco para terminar este
curso e ir trabalhar, olhe, atenção, isto acontece numa escola bem-conceituada.
Professora, que ideia ficou disto
tudo que lhe contei?"
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