domingo, 10 de setembro de 2023

Confissões de mães ou quase

 Jovem, sexo feminino, noiva. Namorar é bom, um festival de emoções; dialogar, rir,  acarinhar,   abraçar,  beijar . Estar apaixonada é  ver  brilhos à nossa volta.  dá imenso gozo ter asas nos pés, porém, é necessário assentar, baixar à terra, o racional também tem voz. Somos simultanamente cigarras e formigas.  Entre as  duas  devia existir  harmonia,  podemos ser um bocadinho mais racionais ou mais sonhadoras, sem muita discrepância. É   precisamente na  altura do namoro que  ambos  têm a oportunidade  se  conhecer. Não vale a pena queimar etapas,  portanto, saber se o outro encaixa mesmo  em nós;  boicotar, mentir, enganar ou forçar vai ser  o maior erro,  mais à frente vamos pagar um preço, vão suceder chatices inultrapassáveis,  em vez da relação correr bem, vai correr mal e a felicidade desmorona-se. A teimosia não é boa conselheira, insistir para quê? O que hoje parece que resulta,  posteriormente não vai acontecer assim. Conheci uma senhora que quando casou, entendeu que havia de  convencer o marido a frequentar a igreja, aquela situação fazia-lhe impressão, insistiu tanto que o massacrou  e não resultou. O marido já faleceu , porém, na reta final agarrou-se a Deus, pediu à empregada que fizesse segredo  por tê-lo apanhado  a rezar o terço, para que a mulher não tivesse conhecimento.

Apesar de estar na casa dos vinte anos,  não me encaixo neste   padrão da grande massa de jovens. Para começar, tenho um pai e uma mãe, estão presentes, ativos como pais. Fui habituada desde tenra idade a  colaborar,  a ajudar nas lides  domésticas. Afinal, somos uma família; "um por todos e todos por um". Apesar de sermos duas filhas, o meu pai  faz de tudo em casa. Isso foi esclarecido com o meu noivo desde o início. Vamos supor que cada um de nós faz o que mais gosta, eu adoeço e fico de cama. Ele não sabe  cozinhar, vai  contratar alguém para cozinhar? uma despeza sem necessidade nenhuma! Ou ia pedir socorro à minha mãe ou à minha irmã.  Incomodá-las com questões do casal?

Por isso, realço; aproveitamos o namoro para saber os hábitos, os costumes de cada um,   filosofia de vida, a  cultura,  como  somos no  trato, que brincadeiras gostamos mais  de fazer, como nos enervamos, como perdemos  a cabeça, como reagimos à ofensa,  aos ferimentos  ou mágoas . Não há  testes, isso não se faz a ninguém.  Tive tempo para saber  quem é  o homem que amo, tal como me dei totalmente  a conhecer.A transparência é fundamental .  Depois quisemos saber mais e passamos à  fase mais exigente; o noivado,  nas férias  estamos juntos em casas alugadas  para experimentarmos   como será uma vida a dois e assim vamos prosseguir até termos mais certezas se queremos dar o nó. Ambos desejamos ter dois filhos, independentemente do sexo. Está previsto comprar  o nosso ninho já a  pensar e preparado para os receber, depois de casar, não pretendemos esperar muito,  porque se isso sucecer, daqui a anos, os filhos  vão ser muito novas ainda  e nós muito velhos e não vamos ter tempo de vida para assistir ao desenrolar das suas vidas.  Gostaríamos muito de desfrutar dos netos. Ele apresentou-me a família, eu apresentei a minha. Convivo com a minha e com a dele, não  toda, nem eu nem ele. Só a que nos recebe bem e vice versa. Ele tornou-se próximo de alguns amigos meus e eu dos dele. Tem sido muito bom. Não me atrevo a afirmar que é para a vida toda, pode até ser. Gostaria que fosse.   E vejo que ele também. Existe uma   grande amizade entre nós. Somos muito cúmplices.  No dia que faltar a  amizade, o sentimento  que nos une começa a  perder força,  porque depois virá a falta de respeito e é uma questão de tempo até o ponto final.  Não vou pensar nisso agora, nem fazer  previsões  idiotas, é  um dia de cada vez mas torna-se    assustador ao que assistimos,  demasiados casamentos à pressa e com a mesma rapidez que se casam, com a mesma  rapidez se desfazem.  Somos jovens e por isso  muito naturalmente vão  suceder  imensos  episódios agradáveis e desagradáveis , espero que possamos enfrentar o que vem por aí,   ombro a ombro..  É nos  momentos de provação que melhor ficamos a saber quem  é verdadeiramente  o outro e o outro, julgará o mesmo de nós. Penso  que o que nos une é  durável. Interessa o que sentimos um pelo outro e  eu sou apaixonadíssima  por tudo isto que estou a viver com ele.