Puxei por ti tantas
vezes...
ao teu orgulho não agradou
Não foi uma perna, nem um braço...
Sentirias apenas o puxão e passaria a impressão
ou nem sentirias ...
Falei-te ao coração e o assomo agastado:
"Eu é que sei, não te metas na minha vida”
Mas a tua vida permanece ligada à minha...
Desterras-me para o lado da sombra?!
As minhas palavras novas em folha! … pena!
Paraste os teus olhos ateus nos meus desarmados? Que
coragem!
À procura de quê? de outra; talvez uma criatura cáustica, a
crepitar aleivosa
O teu sobrolho amarrotado, num enxovalho defensivo
Logo a seguir, mais de perto, ensaiando passos cautelosos;
tento nova investida, acantoada numa penumbra reservada
Saco outra vez, outras frases, recicladas talvez; e, mais respingos:
" Faço o que eu quiser, como quiser e não quero a tua
interferência "
Mas depois pedes... apelas a palpites ?!
Que cegueira desse mundo às avessas!
Cataratas coladas nas lentes, sombras sem remédio de delir, apagar
ou remover.
Inamovível, à força de uma mente obstinada, lançada na ira
de quem tudo quer, tudo pode, anulas o meu amor, trocas o verdadeiro pelo falso...
rendido ao circo que tu mesmo criaste
Nada mais posso fazer, a não ser caminhar e esquecer
porque voltas sempre para mim, quando a mágoa aperta e a
festa termina.
Olho fixo nos meus gestos, olho; prego espetado, insinuas-
te como se nada, se nada se rasgasse cá dentro...
Dentro de mim; encontras a ilusão pura de que… quem sabe…
Dentro de ti; encontro rocha dura, tranca na porta, sinal de fechado.
PN


