“O corpo”
Vi e foi numa recta final de sábado, um desses que já passaram...estava curiosa e de repente uma amiga surgiu na hora certa com um estojo recheado deles...lembro que nesse dia não me sentia lá muito bem!!! Aquelas crises de meia idade que nos batem à porta sem pré aviso! E lá chovem uma série de dúvidas, receios, medos, frustrações e constatações...não muito agradáveis... subitamente somos assaltados por uma vontade insuportável de chorar e de não querer ter ninguém por perto... Ficamos então a curtir aquela sensação de náufrago que resvala nos meandros de uma depressão, que sem grandes dramas morre um ou dois dias depois …
Retomando o fio à meada, nesse fim de tarde...segurei o estojo e sem mais delongas tirei um filme para visionar no computador...A película intitulava-se; “O corpo” com António Banderas, interpretando o papel de padre! Sem querer entrar em pormenores, porque a ideia não é recontar a história, pois isso não faria sentido e seria enfadonho! Tudo começou quando uma arqueóloga descobriu um túmulo e as ossaturas de um homem que tudo indicava serem as de Jesus Cristo!!! A polémica instalou-se, e é naturalíssimo que gerasse grande confusão entre as partes envolvidas: israelitas, palestinianos, Vaticano… Um dos padres amedrontado com a ideia, suicidou-se, e essa morte remeteu-me para a morte colectiva da humanidade crente numa fé cultivada durante séculos....! Seria realmente trágico se hoje a ciência provasse que a ressurreição de cristo nunca acontecera ... Que tremendo abalo para todos aqueles que acreditam no Filho de Deus! Penso que a igreja tudo faria para que a verdade fosse calada e poupada a escândalos… O final é realmente surpreendente, quando António banderas deixa cair o engenho explosivo, correndo, ele próprio risco de vida, contudo, impediu assim que soubessem o que quer que fosse acerca da identificação do ossos. Depois ele deixa o Vaticano porque apercebe-se que foi usado pelos membros do clero para esconder os factos, e sobretudo, chega à conclusão que não necessita da igreja para ser um homem de fé.
8 de Março de 2006

