Mãe
no fim deste dia...
escuta o meu desabafo...
Estou aqui ,na droga de um quarto alugado
Ó mãe que tormento!
Dói-me tudo por dentro...
Sinto fome dos teus carinhos
Sinto fome das tuas preocupações
Sinto fome das tuas advertências
Mas que raio de frio é este?!
Já sorvi uns goles de Aguardente
É bem no fundo de mim que enregelo...
e este nó...
ameça-me o peito.
O trabalho é duro e absorve-me todo
A porcaria do tempo
assusta-me , estou mais velho
irreconhecível...
Quero viver ainda !!!
Tu sabes o que isso significa?
Olha, nem eu sei...
Ando para aqui...
Confesso-te minha mãe
que sinto medo
muito medo
de perder a cabeça...
E cometer uma loucura...
Às vezes queria morrer!!!
outras matar...nem sei bem....
Matar-me sem dó nem piedade
Matar o outro ...o meu outro, o malvado
o idiota chapado
Não te preocupes mãe...
eu engulo esta raiva, esta dor...tanto faz
Vou segurar este pesadelo de vida
até onde as forças me permitirem...
Se ao menos eu não tivesse crescido
mil vezes ficasse preso no teu regaço...
Como eu compreendo agora
a desgraça de se ser adulto!
Uma desgraça minha mãe...
Publicado em 2000