Lanternas acesas
nuvens incendiadas
céu branco
de asas pretas.
Borboletas
presas sem fios de rendição...
ventos fugidos
atraiçoados
pelo lado Norte.
Nos teus olhos abismais
há teias escondidas
reflexos genuínos
em tudo semelhantes aos tais...
Claridades divinais
agressivas e infernais.
Nos teus olhos
nesses olhos verdes outonais
chovem
rios de lama
e muitas mulheres
passam na tua cama...
Há espinhos
ouriços venenosos.
Teus olhos de perdição...
minha falsa inspiração.
Poços fundos
de águas mortas
paradas...
Nesses olhos
não vejo o caminho.
Esses olhos abismais
ofuscam mistérios
que desejava desvendar...
Neles vejo
uma barquinha
a remar...a remar...
não sei se vai
não sei se volta
barquinha de um ladrão de almas
a navegar em alto mar.
Mas quero alcançar
Estico o braço
Numa aflição ...
Num inquietar
Aparentemente imóvel...
na outra margem
cansada de te esperar...