Autor: Mota Urgeiro - " A rapariga na varanda"
O sol na tarde
escorregadio…
Os prédios a arder
brandamente, de forma tão aprazível, suavemente
digerindo aquele sentimento, bem por dentro,
as paredes sonolentas e tontas de bebedeira
Um motor, um rugido e o autocarro na curva engolido
As crianças soltam-se como pardais, na rua
e eu fico aqui na varanda
com a vista calada
testemunha ocular
da tarde que se vai….
O horizonte nem se mexe…
sempre ali,
azul, fiel, firme, familiar, … à minha frente…
Mar e céu, enrolados, abraçados
Lá em baixo há vento…
as ondas frisadas, crispadas …
empurradas, lançando-se umas contra as outras…
em brincadeiras galopantes…delicadas, vibrantes
espumando pela boca…
Grandeza de se ver!
PN
