Ode às mulheres
"Ode às Mulheres. (Ler embalado ao
som da música que vem aqui escondida)
som da música que vem aqui escondida)
Mulheres cor café com leite,
misturadas, mulheres de face encardida que caminham nas ruas
obscuras, mulheres anorécticas que escondem maças verdes nas
algibeiras e pesam os sonhos, mulheres redondas que dão
gargalhadas gulosas por entre os sacos transparentes barulhentos
recheados de gomas coloridas, mulheres compridas com
pernas esbeltas de gazela que fazem os olhos parar, mulheres pequenas portuguesas,
mulheres enrugadas que escrevem no rosto cada página, mulheres-menina ansiosas,
reluzentes e vivas, mulheres com muitos anos, mulheres-vendidas, orfãs
de si mesmas, mulheres de pés descalços, encardidos, duros,
cicatrizados, mulheres de saltos agulha que ecoam num
caminhar frenético pelos corredores de tecto alto, mulheres-chefe imponentes, mulheres
de saia a bater nos pés, mulheres despidas, sem
pudores, mulheres da terra,com mãos calejadas pela enxada e unhas
sujas, mulheres da casa que salpicam o avental já desbotado de
água quente fervilhante das panelas de todos os dias.
misturadas, mulheres de face encardida que caminham nas ruas
obscuras, mulheres anorécticas que escondem maças verdes nas
algibeiras e pesam os sonhos, mulheres redondas que dão
gargalhadas gulosas por entre os sacos transparentes barulhentos
recheados de gomas coloridas, mulheres compridas com
pernas esbeltas de gazela que fazem os olhos parar, mulheres pequenas portuguesas,
mulheres enrugadas que escrevem no rosto cada página, mulheres-menina ansiosas,
reluzentes e vivas, mulheres com muitos anos, mulheres-vendidas, orfãs
de si mesmas, mulheres de pés descalços, encardidos, duros,
cicatrizados, mulheres de saltos agulha que ecoam num
caminhar frenético pelos corredores de tecto alto, mulheres-chefe imponentes, mulheres
de saia a bater nos pés, mulheres despidas, sem
pudores, mulheres da terra,com mãos calejadas pela enxada e unhas
sujas, mulheres da casa que salpicam o avental já desbotado de
água quente fervilhante das panelas de todos os dias.
Mulheres-prisoneiras de sonhos
rasgados, débeis, pálidas, mulheres do mundo que riem por
entre outras mulheres numa tarde de esplanada, mulheres curiosas que
sussurram a vida de outras mulheres, mulheres mesquinhas que
se escondem atrás das lentes escuras dos óculos de sol, mulheres
sonhadoras que pintam nuvens no tecto do quarto, mulheres
pobres que gritam sozinhas.
rasgados, débeis, pálidas, mulheres do mundo que riem por
entre outras mulheres numa tarde de esplanada, mulheres curiosas que
sussurram a vida de outras mulheres, mulheres mesquinhas que
se escondem atrás das lentes escuras dos óculos de sol, mulheres
sonhadoras que pintam nuvens no tecto do quarto, mulheres
pobres que gritam sozinhas.
Mulheres-professoras que desenham sublimemente as letras do
abecedário com pau de giz, mulheres-carteiras que debaixo de
chuva deixam um pedaço de vida em cada caixa do correio, mulheres-cozinheiras que
têm braços fortes de remexer a sopa, mulheres-prostitutas que
abanam a alma em troca de uma nota, mulheres-presidente que marcham
à frente dos homens, mulheres-surfistas que se deitam nas
ondas e se encostam no colo da areia...
abecedário com pau de giz, mulheres-carteiras que debaixo de
chuva deixam um pedaço de vida em cada caixa do correio, mulheres-cozinheiras que
têm braços fortes de remexer a sopa, mulheres-prostitutas que
abanam a alma em troca de uma nota, mulheres-presidente que marcham
à frente dos homens, mulheres-surfistas que se deitam nas
ondas e se encostam no colo da areia...
Mulheres de si mesmas, mulheres dos
homens, mulheres dos filhos, mulheres dos filhos dos
filhos, mulheres de outras mulheres, mulheres dos outros.
homens, mulheres dos filhos, mulheres dos filhos dos
filhos, mulheres de outras mulheres, mulheres dos outros.
Mulheres há muitas... (como já
alguém dizia)
alguém dizia)
Às Mulheres-Maria, Mulheres-Rita,
Mulheres-Ana, Mulheres-Sofia e a todas as mulheres que conheço, que não conheço
e talvez vá conhecer, e às que jamais irei conhecer.
Mulheres-Ana, Mulheres-Sofia e a todas as mulheres que conheço, que não conheço
e talvez vá conhecer, e às que jamais irei conhecer.
À Mulher-menina que trago comigo, que
seja um pouco de tudo..."
seja um pouco de tudo..."