A
HISTÓRIA DE DEUS
Apocalipse
com Morgan Freeman
“
Conflitos religiosos. Alterações climáticas. Parece tudo tão apocalíptico. Mas
nada disto é novidade. Há milhares de anos que prevemos o fim do mundo.
Recuando de Nostradamus ao Livro das Revelações. Algo no drama da aniquilação
parece cativar-nos. Será apenas a natureza humana a temer e a desejar o final
dos tempos? Ou estará mesmo a chegar?” MF
Os
filhos da luz enfrentarão os filhos das trevas.”
“O Livro das Revelações, é o livro do fim dos
dias. O Apocalipse. É um livro profético, com imenso simbolismo, mas também é,
um livro político. O Anticristo recebeu um código para nunca dizerem o seu
nome. Houve grande polémica sobre o número 666 e a quem se referia. Também foi
apresentado um forte argumento a favor de 666 se referir ao imperador Nero. E
porquê? O imperador Nero era desprezado por muitas coisas, incluindo a
perseguição aos cristãos. Nesta praça é visível um obelisco, que ele conseguiu
que ficasse no ponto de viragem do seu circo. O Circo Máximo. O Circo Vaticano.
Era lugar de corridas de carruagens, de jogos… Mas também usava para perseguir
cristãos. No ano 64, houve um enorme incêndio em Roma e grande parte da cidade
foi destruída. Nero acabou por culpar os cristãos. E executou-os em grande
número, tanto quanto sabemos, aqui mesmo, neste circo. A história de Pedro diz
que foi crucificado de cabeça para baixo. Alguns foram incendiados, queimados
para iluminar o local. Agora, ergue-se aqui a Basílica de São Pedro, em celebração
da sua morte. A ironia é que foi aqui que Pedro fundou a igreja, o que torna
tudo dramático. É evidente que os cristãos odiavam Nero. Era o Anticristo.
Mesmo após o seu suicídio, parecia ter o poder de voltar para governar. Razão
porque era mais seguro referirem-se a ele por um código secreto. Para os
cristãos, vivendo nas condições em que viviam, o Dia do Juízo já vinha tarde. “
O
Apocalipse é apelativo para quem se sente deslocado. Tem mais a ganhar e menos
a perder por alterarem o status quo. Mas é mais vasto. Culturalmente parecemos
ter uma atração mórbida pelo Apocalipse. É quase como se nos desse conforto.
