Animal patudo, acuado?
Balançam paredes, levantam chãos
Óculos resvalam de olhos escancarados
Disparados das órbitas
Como bolas de canhão
A roupa puxada do corpo por uma força estranha, maior
Estalactites descem sobre a cabeça
Estalagmites sobem através dos pés.
Resta fugir, fugir e parar num lugar só teu.
Só teu, senão dá-se o contágio
Ou então... então será o fim?
PN
( Só um pequeno esclarecimento, o 1* momento do poema faz referência ao sismo de 5,3 de magnitude que sacudiu praticamente toda a ilha a 7 de Março de 2020 . Eu apanhei um valente susto, as notícias só nomeiam o Funchal mas não corresponde à verdade, o último aconteceu há 45 anos. Em 1975, foi um abalo de 7,9 e sentido em todo o país, mas provocou apenas danos materiais ligeiros, nessa altura andava na primária e tenho a vaga ideia da sala ter sido evacuada. A ilha assenta em algumas falhas , ou seja, rasgões dentro das placas tectônicas que aparecem quando as rochas cedem à pressão que os movimentos tectônicos provocam, a Madeira, ao contrário dos Açores não está numa região de encontro de placas, de elevada sismicidade. )
Imagens retiradas da NET

