quinta-feira, 23 de abril de 2020

Esbanjar e Consumir, Consumir e Esbanjar




Esbanjar e Consumir em excesso não é qualidade de vida. 

" A terra não está a dar uma oportunidade de a salvarmos e de vivermos melhor?"

Por R. F.

" Apesar de tudo, nunca são boas notícias, uma pandemia e o confinamento Eu penso que é  uma oportunidade para confinados, repensarmos, pensarmos um pouco neste planeta. Afinal não há outro planeta para habitarmos , é neste que moramos, não há  outro em condições de habitar e de facto ele está a rebentar pelas costuras, nós  estamos a exigir demasiado da terra. Temos vindo a aumentar século após século.  Estamos a colocar claramente a terra sob um enorme stress,  está a diminuir a diversidade, estão-se a esgotar os recursos,  está  a aumentar a poluição do ar, da água,  dos solos, portanto,  eu diria que temos que mudar de vida. Este alerta tem sido lançado há  muitos anos, tem sido cada vez mais insistentemente lançado, por cientistas, inicialmente seria  por um grupo restrito, hoje  são cada vez mais; as academias, as universidades,  a comunicação social, muitos políticos já,  mas de facto alguns países vão fazendo alguma coisa , outros vão fazendo bastante, mas claramente não chega.  Os sinais são  alarmantes.  Eu vi, por exemplo, numa revista científica prestigiada,  indica a propósito, que em 2017 morreram 1.2 milhões de pessoas de doenças respiratórias, por causa da poluição.  Isto é  alarmante, sobretudo quando comparamos com os números do Covid deste ano, são números violentíssimos . Nós  de facto, estamos claramente a criar uma atmosfera  perigosíssima, mesmo as partículas finas , enfim, nós  estamos com níveis de poluição muito elevados, que não foram levados muito a sério "

" Estávamos a viver uma realidade em que era impensável; parar tudo e a pandemia obrigou-nos a parar, nós não  conseguimos sequer reduzir a produção para termos menos poluição, tivemos que parar, e parar pode ser importante para começarmos outro caminho"

" Eu penso que sim, nesse sentido,  as Nações Unidas e o apelo que é  feito, pode ser que leve a que se repense o nosso modelo económico,  não podemos pensar na economia andar para trás, não vamos defender o regresso ao passado,  para trás  da revolução industrial,  não é isso que ninguém defende. Andar para a frente, a ideia de futuro, deve ser um futuro pensado não numa lógica de continuarmos a aproveitar recursos que são recursos que são finitos, mas, pelo contrário,  não é uma lógica de crescimento mas é  de bem estar, porquê continuar a aumentar o número de automóveis, porquê continuar a aumentar o número de quilómetros percorridos  por todos nós, porque não, recorrer mais ao tele trabalho,  que estamos a ver que funciona. Porque não procurarmos alimentos de maior proximidade, em vez de os importar do outro lado do planeta. Porque não  sermos mais racionais nesta lógica ambiental. Porque não andar mais a pé. São um conjunto de formas de estar, que são  melhores para a nossa saúde. Que são  melhores para o planeta. Que são melhores para nós.  É  uma forma mais racional de estar no planeta. É  isto que se pede. Penso que é uma boa altura de repensarmos, como cidadãos,  cada um de nós. E nesse sentido já temos vindo a fazer bastante, designadamente na Europa. Claramente que isto pede uma acção muito mais forte.  Uma acção forte dos diferentes decisores,  falta aqui o governo do mundo, que é  uma coisa que nós não temos, e faz falta, porque nas grandes acções globais o que faz muita falta é  o governo do mundo. Falta-nos isso. Não há umas Nações Unidas fortes, infelizmente.  Mesmo na União Europeia nós  vemos a dificuldade que é tomarmos decisões mais fortes; nas alterações climáticas, no ambiente, na acção económica, nas acções sociais, e, o planeta não vai lá com cada um para o seu lado, na tomada  das  grandes responsabilidades ... Eu espero que esta oportunidade venha gerar mudanças e espero bem que  sejam mudanças no melhor sentido, para o planeta e para o futuro, para o futuro dos nossos filhos,  netos... enfim, a médio e longo prazo e para todos nos"