Chora, chora muito, chora tudo
sem medo ou receio, nem outras ditadas intolerâncias
Escancara as aberturas da comporta
Desaperta as fivelas dessas presilhas
que te enlaçam à coberta do navio;
A infância traída
A mocidade perdida
Mas estás aqui!
O primeiro amor, puro engano
talvez nem chegou a sê-lo
O segundo amor, nem sei que história...
O terceiro amor, parecia, prometia
Deixa ir!
O coração desespera por outro dia
O melhor amigo voltou as costas
O segundo amigo nem deu a mão
O terceiro amigo confiaste e perdeste o chão
Abraça o fiel cão
Acertaste nas viagens, bons passos
Já te deslumbraste!
Agarraste nos livros, algumas travessias
Há em ti, dons preciosos, não te desgastes
Um dia, quem sabe... tem calma
Tens a sorte de ter uma prima
Outros que têm o teu sangue, o teu apelido
são os primeiros
a te atiçarem palavras afiadas
punhais, enxofre até ao tutano
Sempre angustiam
Essas feridas nuncas mais vão cicatrizar
Vale o bom humor ! Essa capacidade, mais uma!
Não vivas à sombra de um mundo errado
Essa justiça que te corre nos lábios
não a percas, deixa os outros mentirem
Queixas-te em voz baixa
protestas em voz alta
Outras injustiças virão
Tudo reunido, é a luz do universo a tremer os queixos
Agora, vai correr, sobe a serra
De quando em vez, solta uns brados
Uns quantos guinchos, uns quantos urros
Regressa com a limpidez dos cristais
E olha, tens sorte, os braços da tua prima