domingo, 25 de julho de 2021

Há verde no deserto

 

Chora, chora muito, chora tudo
sem medo ou receio, nem outras ditadas intolerâncias
Escancara as aberturas da comporta
Desaperta as fivelas dessas presilhas
 que te enlaçam  à coberta do navio;
A infância traída
A mocidade perdida
Mas estás aqui!
O primeiro amor, puro engano
talvez nem chegou a sê-lo
O segundo amor, nem sei que história...
O terceiro amor, parecia, prometia
Deixa ir!
O coração  desespera  por outro dia
O melhor amigo voltou as costas
O segundo amigo nem  deu a mão
O terceiro amigo confiaste e perdeste o chão
Abraça o fiel cão
Acertaste nas viagens, bons passos
Já te deslumbraste!
Agarraste nos livros, algumas travessias
Há em ti, dons preciosos, não te desgastes
Um dia, quem sabe... tem calma
Tens a sorte de ter uma prima
Outros que têm o teu sangue, o teu apelido
são os primeiros
a te atiçarem palavras afiadas
punhais, enxofre até ao tutano
Sempre angustiam
Essas feridas nuncas mais vão cicatrizar
Vale o bom humor ! Essa capacidade,  mais uma!
 Não vivas à  sombra de um mundo errado
Essa justiça que te corre nos lábios
não a percas, deixa os outros mentirem
Queixas-te em voz baixa
protestas em voz alta
Outras injustiças virão
Tudo reunido, é a luz do universo a tremer os queixos
Agora, vai correr, sobe a serra
De quando em vez, solta uns brados
Uns quantos guinchos, uns quantos urros
Regressa com a limpidez dos cristais
E olha, tens sorte,  os braços da tua prima