sábado, 13 de novembro de 2010
Terceira Experiência
Poema de André Martins (à memória do meu avô)
Não fujas
A esferográfica com que opero o parto
bal bu ci an te
pode vir a falhar, o café arrefecer,
a manteiga coalhar,o calendário mudar
e nisso tudo há a ameça dum relógio que nos usa.
Entro no quarto deserto do cimo da vida :
A poeira deitada como um beijo nos móveis
o teu retrato, o chapéu, a gabardina,
as folhas agrafadas
onde lavraste com diligência ciúrgica, o sentido da tua vida:
as teorias de doutor de lareira com que
entretias a solidão
Tudo isso é tão caro como se saltasses do retrato
donde me olhas do fundo do tempo,
tudo isso é tão caro
como se voltasses a ocupar o vazio côncavo do chapéu
e o forro da gabardina engelhado ( o coração engelhado?),
tudo isso é tão caro
como se as tuas mãos acariciassem de novo o papel
de que valem as promessas da superstição
se mergulhaste nesse lago de fome eterna
e raízes de gelo?
de que valem as promessas da superstição
se os sonhos valem o mesmo que o pó que mordes?
os grilos não desistem de ferir liras,
oa rios cantam novamente
e os tapetes de flores desdenham os viajantes extintos?
A minha memória é Deus na capela sistina:
tu voltarás rondando as palavras e as coisas
e eu te renovo o sopro no coração gelado,
porque o que realmente és vive ainda
dentro daquilo que te chama em nós.
Acompanha-me a História dos sonhos e dos desastres
do anjo mutilado, as argumentações e contra argumentações
das gerações apodrecidas e a indefinição do enigma?
A filosofia? A poesia? quem ultrapassa os limites?
é tudo tão inútil como pronunciar o teu nome
António Francisco Alves Martins
repito mas em vão
António Francisco...
para sempre
(*citação de Herman Broch)
Voz : Pedras nuas
domingo, 7 de novembro de 2010
Prémios Dardos
Os meus ensaios receberam o prémio Dardos, pela primeira vez, vindo directamente do SHE
"Acho que é coisa importante, cá para as bandas da blogosfera..."
Reza que «O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Os nomeados estão no sei_lá...se por acaso não se encontra na lista,as minhas sinceras desculpas.
Porque no meu coração e na minha mente está com certeza e faz-me falta a sua presença.
Muito Obrigada à Ana...do SHE
UM BRINDE A TODOS!!!
"Acho que é coisa importante, cá para as bandas da blogosfera..."
Reza que «O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Os nomeados estão no sei_lá...se por acaso não se encontra na lista,as minhas sinceras desculpas.
Porque no meu coração e na minha mente está com certeza e faz-me falta a sua presença.
Muito Obrigada à Ana...do SHE
UM BRINDE A TODOS!!!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Ver mais além,ver mais fundo,ver melhor...
Na pureza do ser, o ideal sonhado, na pureza do vidro ver a verdade...sem mentiras,sem embustes ,sem delírios ,sem loucas fantasias...Simplesmente ver o óbvio.Ver com os olhos,com os ouvidos,com a boca cheia de sol. Ver com as mãos,apalpar ,sentir o fresco...e incendiar toda de frio...
Particpação na blogagem colectiva da Fábrica de Letras e Palavras
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Um conto de fadas mal contado
Acordo, encontro-me numa sala linda...Uma beleza rara...que causa tédio...Apaga a inspiração de uma musa bem intencionada.
Os meus olhos vislumbram uma construção antiga. Reporta-me imediatamente a um filme de terror...Um túmulo sem um raio de sol, a própria morgue!? Feito de pedra dura com uma arcada românica,bem atarracada...até já rocei ali os meus cornos...
Lá mais adiante edifica-se majestosamente um templo pré-fabricado, muito apropriado para os pupilos...eficaz para a distracção, sem infra-estruturas próprias...
Mas em compensação muito ventilado...tão arejado que o vento quando sopra louco... rouco, prolongado e forte galga, trepa a galope para dentro e levanta folhas, roupas e cabelos...
Os cortinados curtos afunilam no rosto da criançada...e do lado de fora outros meninos bem comportados,instruídos, educados...muito intrometidos metem o nariz na ceara alheia,que é como quem diz...onde não são chamados....
Assim perturbam a lição aos rugidos, numa autêntica arruaça...numa linguagem ininteligível!
Fazemos uma , duas, três ...pausas forçadas.
Dentro há os que mordem a língua,porém, tentam refilar.
Chovem advertências e chamadas de atenção!
Entretanto, perdemo-nos todos...e encontrar o fio à meada?
Mas somos todos mestres na arte de compreender, de educar...actores fabulosos,substitutos dos criadores e até conseguimos mostrar dotes que não possuímos; desde bons psicólogos,excelentes pedagogos, educadores exímios... heróis à força...forçados a entrar numa guerra que negamos, que não desejamos, que não compramos, sem sentido,cruel e injusta...
E qual é o principal culpado, o arguido,o acusado de todos os crimes?
sábado, 23 de outubro de 2010
Uma certa Lady...
Minha bela senhora
penteada de azul
é chegada a hora
de remar para sul
Convido-a a sentar na carrugem
apesar das suas contradições...
venha tomar comigo uma aragem
na chama das minhas ilusões
Que os meus discursos não a façam adormecer
nesta tarde que nos enche de emoções
mas tudo depende do seu querer...
nas longas claridades de platónicas paixões
acompanhe o trajecto da verdade
depressa encontrará meu sentimento
levará com certeza no bolso a saudade
e a recordação de um bafo quente
Menina... vós sois uma andorinha
Conservai então essa frescura para mim
pois sou tão digno de vós...
e quero-a toda purinha
porque sou seu amor primeiro.
penteada de azul
é chegada a hora
de remar para sul
Convido-a a sentar na carrugem
apesar das suas contradições...
venha tomar comigo uma aragem
na chama das minhas ilusões
Que os meus discursos não a façam adormecer
nesta tarde que nos enche de emoções
mas tudo depende do seu querer...
nas longas claridades de platónicas paixões
acompanhe o trajecto da verdade
depressa encontrará meu sentimento
levará com certeza no bolso a saudade
e a recordação de um bafo quente
Menina... vós sois uma andorinha
Conservai então essa frescura para mim
pois sou tão digno de vós...
e quero-a toda purinha
porque sou seu amor primeiro.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
O Clube dos Homens Imortais
Vamos?
Talvez diga como José Régio ...Não,não vou por aí! Só vou por onde me levam os meus próprios passos.
Desde muito cedo sonhei em galgar a linha do horizonte, sim,como se ela fosse um fio ténue. Apenas uma linha onde se espelha a beleza das nuvens, Mas a grande proeza é ir mar adentro e ver de perto mar e céu unidos por um fio. O desafio à capacidade imaginativa e inventiva. O fascínio do lado de lá...o mistério de terras inventadas...teci e preparei viagens,ergui cidades,criei roteiros e depois mergulhei nas folhas dos livros que me proporcionaram as maiores descobertas...cresci com eles...sonhei com eles...lembro-me como foi bom descer às profundezas com A menina do mar. Entrei em A Floresta ....na quinta toda cercada de muros...onde morava Isabel...e ali nasceu a nossa grande amizade. Escondi-me no jardim secreto com O rapaz de Bronze. Depois com o passar dos anos dei de caras com a Fada Oriana e logo a seguir com o Cavaleiro da Dinamarca e os Contos exemplares .
Sophia de Mello foi sem sombra de dúvida muito importante no meu crescimento a todos os níveis.
A idade mudou e outras preferências começaram também a surgir; experimentei navegar nos braços de Fernão Capelo Gaivota, e fui ao deserto deliciar-me com o Principezinho, depois uma mão amiga colocou-me no regaço E tudo o vento levou de Margaret Mitchell,foi a viagem mais interessante e incrível que realizei. Conheci imensa gente maravilhosa.Inesquecível...
Mais tarde ,por volta de 1988 travei conhecimento com Os irmãos Karamazov... e outras viagens seguiram-se, algumas perderam-se na memória...mas voltando a Portugal,mais especificamente à ilha, fui a uma livraria e comecei a encontrar pessoas muito agradáveis e curiosas nas prateleiras, destaco estes nomes sobejamente conhecidos:
Branquinho d' Afonseca, Miguel torga, Fernando Pessoa, Augusto Gil, Florbela Espanca, Matilde Rosa Araújo, Manuel Alegre, Eugénio de Andrade, Antero de Quintal, José Régio, Gomes Pereira, Almeida garret, Eça de Queiroz, Soeiro Pereira Gomes, Alves redol, Cecília Meireles, David Mourão Ferreira, Vergílio Ferreira, Maria Judite de Carvalho,Oscar Wilde entre outros...e nomes mais recentes ...destaco um a não perder A princesa que acreditava em contos de fadas de Márcia Grad...mas a lista continua. Veja, pense e meta-se num combóio. A escolha é sua:
Foi Eder Ribeiro do blogue Gotas de Prosias que me convidou a fazer esta viagem
Quero então que se ligue a nós:
Vanuza Pantaleão
Tatiana
Wilson
Momentos
Verseiro
Sanzinha
A todos uma excelente viagem!
"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas."
Cecília Meireles
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A minha segunda experiência
Poesia de Delfim Dias
Não passei por aqui
Ó poetas parai!
Quebrai as canetas !
Deixem-se de filosofias baratas
que não passam de tretas
Perdoai-me o que já escrevi
Mas vale mais uma pequenina descoberta científica
Que todas as quadras que já li!
A minha caneta não parte!
A ciência não é o meu forte!
Se de nada perceber também é arte
Sou um homem de sorte.
Não pensem que ando à deriva no mundo
Por muito mudar de direcção
Correm diferentes caminhos as veias do meu corpo
Todas vão dar ao coração
Não me preocupa o ser original
Nem procuro o primeiro lugar
Quero ser uma "catana"
Na selva onde eu passar!
Voz de : Pedras Nuas
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