Coloquei sobre os meus ombros as asas de um pássaro... enfiei nos olhos a saudade da Primavera. Sonhei com a terra perdida... Flutuei sobre as nuvens macias e deixei-me afundar.
Na minha viagem rasguei céus de ilusão, enfrentei ventos ciclónicos!
E procurei o inatingível ...
Subitamente toquei uma estrela e iluminada por ela subi ,subi...
Foram noites e dias sempre a bater asas...vislumbrei o inexistível, o fantástico, o inimaginável...
Um alvorecer regressei ao casulo. A amargura apertava a minha garganta e eu sentia dificuldade em respirar...
No silêncio de mim , observei uma folha que trémula rodopiava melancolicamente mesmo em frente aos meus olhos escancarados. Mais além havia um pássaro que chorava copiosamente por querer alcançar a paz de um lugar divino...e tal como eu sentia-se totalmente errante.
Publicado em 5/12/94