sábado, 2 de janeiro de 2010

Que sabes tu de mim...


Eu que nunca te falei
das pontes que atravessei
dos desertos sem fim
sem nome
e...sem mim
'
Eu que nunca te falei
dos gritos apenas murmurados
proibidos
e sufocados
'
Eu que nunca te falei
das portas que fizeram
eco na minha cabeça
muitas vezes em silêncio escutei
'
Eu que nunca te falei
das horas paradas
mortas
jazidas
e sem inspiração
'
Eu que nunca te falei
dos amores que tive
das bocas que sofregamente
beijei
e das línguas ardentes
que deliciosamente chupei
'
Eu que nunca te falei
das chuvas copiosas
que fustigaram o alento
e fizeram-me sangrar por dentro
'
Eu que nunca te falei
dos risos, das gargalhadas
dos peixes e das fadas...
'
Eu que nunca te falei
se sou vela
nau
caravela
se pertenço
a ti
a um grupo
ou bando
'
Eu que nunca te falei
se sou gaivota sedenta
desse mar que um dia foi céu
ou uma simples cabeça
coberta por um véu
'
Eu que nunca te falei
do mundo cinza
brutalmente cinza
de um cinza cinzeiro
de um apagado luzeiro
'
Eu que nunca te falei
da aparência que ilude
no corpo franzino
na fuga heróica
à depressão que persegue
'
Eu que nunca te falei
das adversas reacções
da cabeça que meneia
do perdido desatino
que a outros enfurece
'
Eu que nunca te falei
da falta de concentração
a razão... do sorriso triste
porque tu não me ouviste.