terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Satã e a Vaidade

Descansa em seu espaldar precioso
a mão fina de plumas cintilantes
Bela, fogosa...
a vaidade exibe as pedras mais graciosas...
'
Desta forma, a deliciosa senhora
provoca um enorme prazer
nos incautos jovens que a desejam ter
'
É noite, lua cheia, o céu estende-se de glória
No inferno Satã chifrudo grita vitória
'
Os bonitões inclinados sobre o majestoso véu
recordam as festas passadas
....
O calor dos tesões
O viço das orgias
A força dos orgasmos
E das posições....
'
A vaidade é opulenta
mas ostenta certa mágoa...
falta-lhe a conquista que o peito abrasa....
'
É noite, lua cheia, o céu estende-se de glória
No inferno, satã chifrudo mira-se ao espelho...
e tem uma ideia sem demora...
'
Levado pelo entusiasmo...
enverga uma armadura cintilante
ousa descer ao salão nobre do pecado
e sussurrar ao ouvido da vaidade
muitos galanteios ...
o seu amor chamejante...
'
O sol fulgurante inveja
a figura deslumbrante e tinasda de Satã.
Mais brilhante que a sua
mais pujante que a lua
'
No auge da sedução,Satã matreiro
arranca à sua guitarra
os mais estranhos acordes...
os mais embevecidos
loucos, roucos
dignos de um apaixonado guerreiro...
'
Os olhos penetram a seda
das varetas
do leque plumoso
E canta numa voz de mil matizes
num riso fascinante e libidinoso
'
Os cabelos compridos aos caracóis
escuros e sedosos
o olhar claro e malicioso...
'
A vaidade totalmente rendida
escorrega nos meandros
da sua majestade que a toma como perdida
'
Certo é que, a um toque de Satã
sente a senhora um estranho ardor...
Ofegante e aflita com o súbito calor
solicita rapidamente um objecto para se ver...
'
Satã o seu espelho entrega...
desvairada, a senhora estremece e não quer crer....
ao descobrir um rosto medonho
Desconhecido
fenecido
deformado
uma fera
um animal?!
'
Satã , abjecto e asqueroso, retira-se nas sombras
os jovens que se tinham apartado
vêm agora secar-lhe as lágrimas
com piedosas mentiras
e apaziguar a sua aflição
'
A vaidade desesperada ordena que trocem de satã:
as gargalhadas saltam à rua
e todos se riem
cantam
bailam
festejam
a terrível maldição
Satã ...perde o espelho
o feitiço quebrou
para mal do seu coração...
'
Em altos brados, a vaidade grita por ele...
Pede-lhe com ternura que lhe devolva
o que mais amou...
'
Os jovens galanteadores abandonam
o salão da beleza promíscua
Ali finou-se o vício da devoção
'
Resta uma certeza
prostrada a vaidade perde o seu falso idílio
e chora naquele que será o seu exílio
'
É noite, lua cheia, o céu estende-se de glória
No inferno Satã chifrudo fica
mudo e sem vitória