Rugido tenebroso de fera
Uivos, silvos...
cortam memórias de traça
nos sorrisos afundados
de gentes de outrora
O frio gélido abrasa
engole
o desespero
da hora baça
Os espantos da terra desgraçada
oscilantes
escondidos
já cadáveres
salpicados
de ferrugem
na paisagem movediça
O terror imenso
dos céus agonizantes
boiando
num soluço intenso
Redemoinho de trevas
engole gente
desce à rua
O chão foge
Submerge...
e os ciprestes...
como dedos apontados
ao firmamento
são gigantes enterrados
nos gemidos
arrastados
tristes
no mar sepultados
num manto de escombros
na tumba selados
Viúvos e orfãos
Sem nada
Para sempre calados
A pensar na catástrofe que se abateu sobre o Japão, as imagens fizeram-me lembrar as cenas de um filme de ficção... nunca imaginei que um dia pudesse mesmo vir a acontecer num qualquer ponto do planeta... Que conclusões devemos tirar destas grandes tragédias?