Há uma pedra que geme
quando o silêncio se cala
Dedos ulcerados em neblina
embebidos num céu franjado
de agonia…
Olhos sulcados de areia fina
nau que afunda
odor a pimenta
ósculo na minha mão guardado
sabor a bruma…
oh cinza reservada…
Gaivotas suicidas esgrimem
no ponto exacto do armistício…
Sons rosa…
colinas de desejos
e o botão ?… o botão…
viçoso, límpido, tenro…
oh doce tentação…
O incêndio devora a guitarra
A noite masturba-se com volúpia
o rio desprende-se
despenha-se quente…
banha a encosta …
desemboca para lá das faluas
Junto ao cais…
Tropeça
no assalto da onda
que se arremessa contra
espelhos partidos
Melopeia de lágrimas vertidas
um choro sem intenção
centelha de pecado original
Dedos entrelaçam
meias verdades..meios sorrisos
Bebedeiras sucumbem
a bares vulgares…
Não há fuga …
Ou se deixa empurrar com a vaga
Ou se perde o pé… na noite acesa de vultos
O desespero amordaçado…
Esconde-se nas sílabas
Que não ousa gritar…
A Madrugada cansada…
pede, roga …
para retornar a casa …
fragilizada
emotiva
fica triste e revoltada…
P.N.