domingo, 10 de maio de 2015

No cimo da tua mesa…



No cimo da tua mesa há rima branca
dispersa, poalha, farelo…assim, desaparecida….
luz branca que sorri e flutua
e o problema retorceu a anca…

No cimo da tua mesa há muros espessos
nós apertados à tua garganta
dúvidas engasgadas, guilhotinas de medo
 a tua cabeça rola nas bocas do mundo…

No cimo da tua mesa há vertigens
suicidas, sedutoras, convidativas ao salto mortal
tudo seria mais fácil….
Mas outra força maior puxa-te para a vida

No cimo da tua mesa há um espelho
onde se reflecte o que nem sabes …
navios, mastros, santos mártires …
homens intocáveis, inteiros

No teu cimo da tua mesa há acusações
sentimentos de culpa, espinhos que te mordem
e ferem a boca
confusões, artilharia apontada e mentira pesada


No cimo da tua mesa navegam peixes de água doce
tempestades marinhas
mar calmo….
até regos bem cultivados e alface a saltar para cima…

No cimo da tua mesa há verdades dolorosas
que não podes vencer…
por muito que grites e combatas
é uma conquista que irás perder

No cimo da tua mesa, a um canto
 a  esperança aguarda por ti
parou de chover…
mesmo com o estômago embrulhado,

sai, sai a correr
segura a tua idade
não a deixes fugir.
PN                                                        Jean Frederic Schall