Presenciei algo verdadeiramente
trágico, o meu queixo rolou pelo chão da sala quando aquela sombra denominada
de gente ou talvez não, aquela espécie de corvo, uma verdadeira ave de rapina,
se levantou do seu lugar, agitou os braços e em altos brados, vociferou
demoníaco numa retórica repetida. Com que gozo e satisfação deixou subentendido
que o seu superior hierárquico seria um assassino. O discurso daquele ser
abjeto, supostamente preparado ao espelho inchou-lhe o ego mas revelou que o
ser humano pode descer muitos degraus e o quanto se pode tornar cavernoso,
medíocre, vil e desprezível. Este indivíduo desconhece a palavra respeito. Disforme,
nem se aceita tamanha desfaçatez. E daqui, se conclui que a montanha pariu um
rato. Ali, não se debateu nada útil, nem consensos, nem união nacional, nem
acordos, nem espírito de equipa. Apenas espingardadas à semelhança de outas tantas
sessões; tudo feio, cru, nu e ríspido. Democracia, onde moras?
(Nota inspirada na
intervenção de um conceituado jornalista que faz parte do plantão de um
programa de debate e discussão política).
PN
Fotos: NET

