(Durante dias, ela foi visitar o jardim, admirar a obra dele mas e ele só tinha olhos para a beleza dela . Agora, ela à janela, ele
mesmo por baixo)
Ele- Peregrinava agora mesmo entre o jardim da minha
mansão, onde sou rei e senhor, entre flores e cantos, distraído saí e conectei-me
com outros jardins do mundo, depois de uma vigilância noturna dos meus sonhos,
senti repentinamente, espontaneamente, abrir-se-me um rasgo de brilho fino na
minha boca e os meus olhos nutriram-se de um gosto delicioso e lindo para a
beleza desta manhã de domingo. Obrigado pela tua magia, rapariga.
Ela- Ante um rosto inclinado, consumido pela vertigem da cultura
e do conhecimento, coisa que já lhe conheço, sondei intrigada, e bebi o perfume…
a elegância da novidade furou os meus olhos como um raio de luz... A magia
deste domingo é recíproca. “Tudo vale a pena quando a alma não é míope" -
atrevo-me!
Ele- Que lindo rapariga! Obrigado!
Ela - Parece que ambos somos adeptos da arte do belo!
Ele - Sim, do nada...de algum
lado naturalmente, não sei donde, que mexe connosco e nos põe em movimento interior,
e, a escrever...palavras vindas de lugares secretos, encerradas nos nossos
mistérios, que se libertam na sua necessidade sem nós termos qualquer controlo,
voam vindas de dentro de nós. Querem expressar-se, dar-te as boas vindas,
sorrir para ti e mostrar-te a sua beleza atraída pela tua. É um simples gesto atraído pela simpatia.
Ela- Onde viu o rei e senhor, perdido entre as flores e os
cantos do seu jardim, a tal magia de um domingo, um domingo delicioso, que
rasgo foi esse? Que brilho?! Foi
uma simpatia tão especial, vinda de lugares secretos. Onde moram os mistérios
quase insondáveis. O mais estranho, é que o rei centrou-se apenas em mim, viu-me,
digeriu rapidamente toda a beleza...num trago só... Esqueceu, no entanto, de se
debruçar sobre a essência, nem um toque, nem uma remexida, qualquer coisa que
mostrasse que por aqui andou...nada de nada até hoje, tudo no maior secretismo. Podia
ter sido mais simpático ao mostrar um real interesse pelas “coisas” que
"semeio como pregos por aqui".
Ou Sua Eminência é narcísico ao ponto de sentir prazer em ser apreciado e não
saber apreciar o que tenho meu?
Ela fechou a janela e deu-lhe as costas.
PN
Nota: Inspirado em factos reais, e igualmente a pensar no que tem sucedido quer nos EUA, e também no nosso país, há demasiado assédio sobre mulheres e homens! Parte sempre de quem tem poder! Este diálogo serve para mostrar que se pode dizer NÃO! Dar as costas à estupidez, à sobranceria, à insensibilidade, à má educação, à grosseria. Ele projecta nela o que ele é! Bastou ela fazer-lhe uma critica justíssima que ele faz o qualquer fanfarrão faz; destrata-a. Há homens que justificam o injustificável, se a mulher usa mini- saia, é porque está mesmo a pedir... se usa decote, é porque está mesmo a pedir, se vai a uma discoteca, é porque está mesmo a pedir! Não digo com isto, que as mulheres são santas, não são, se aceitam certas condições, quem cala, consente! Refiro-me àquelas que se tornam presas indefesas! Há mulheres que se oferecem, já presenciei!Ou então é necessário um jogo de cintura para conviver sem se envolver.
PN
PN

