Repousa esqueleto repousa,
repousa esqueleto repousa
O verde cedo acabou-se…
não estás a suportar?
chora, vale a pena chorar …
descongela as tensões emocionais
O deserto é comprido…
O deserto é penoso
não vale a pena o passo estugar
Repousa esqueleto repousa,
o teu relógio atrasou-se
Oh deserto, o esqueleto não tem frescura por onde passar;
encolhe a travessia e dá-lhe um atalho para mais cedo chegar
ele já se está a desmanchar!
Porque o deserto é longo…e traiçoeiro;
o esqueleto vai encontrar uma flor;
uma flor bem dotada
mas muito ardilosa, atenção!
reveste-se de cores desiguais para ludibriar
Esqueleto, não permitas o enfraquecimento das tuas
faculdades intelectuais
E não é só
essa que irás encontrar
Cruzar-te-ás com muitas outras
Aprendeste a analisar…tu sabes
Continuas no deserto?
É a tua sina!
Os teus pés pisam o pó que ferve,
mais à frente
encontrarás
outras tão sorrateiras
como a primeira…
Conheces o lado temerário da senda
já sabes… tens rodagem
E levas outra picada?!
já são tantas que te ferem
cautela, muita cautela
para não sofreres tanto
Elas são assim; matreiras,
sorrateiras…
e continuas no deserto
Queres sair?
mas o deserto é demorado;
direcção larga
Estás ao ermo,
tão sozinho e desamparado
Tão farto de estar afastado
Levas os olhos vermelhos,
fadiga nas pernas,
dores nos ombros
e as mãos cheias de espinhos
Tu também és uma flor ;
Olhas para ti !
e ficas a pensar…
- Que raio de flor sou eu? – elevas a voz como um altar sofrido
- Que raio de flor sou eu? – responde o eco sofrido
- Será verdade ? –
sussurras compungido
- Serei flor ? Flor manhosa como as outras que encontrei no
caminho? - as sensações dobram-se atormentadas
- Eu quero um oásis !-vociferas rouco ou louco
- Eu quero um oásis ! – responde o eco rouco ou louco
-Onde estás?- tu
-Onde estás ? - o eco
- Quem me quer vender um oásis ? - tu
Quem me quer vender um oásis? - o eco
Não sejas tolo. Aqui
não se vende água,
encontrar essa região fértil…? Onde?
não há viva alma, só bicharada,
ninguém vende,
ninguém compra
só a voz agreste do vento! e o sol a uivar!
Para ti não há consolo;
agarra a sorte com muita, muita força e não a largues
e não toleres que qualquer uma, daquelas desrespeitosas
flores, te
venham usurpar.
PN