sábado, 5 de janeiro de 2019

Passagem pelo deserto



Repousa esqueleto repousa,
repousa esqueleto repousa
O verde cedo acabou-se…
não estás a suportar?
chora, vale a pena chorar …
descongela as tensões emocionais
O deserto é comprido…
O deserto é penoso
não vale a pena o passo estugar
Repousa esqueleto repousa,
o  teu relógio atrasou-se
Oh deserto, o esqueleto não tem frescura por onde passar;
encolhe a travessia e dá-lhe um atalho para mais cedo chegar
ele já se está a desmanchar!
Porque o deserto é longo…e traiçoeiro;
 o esqueleto vai encontrar uma flor;
uma flor bem dotada
mas muito ardilosa, atenção!
reveste-se de cores desiguais para ludibriar
Esqueleto, não permitas o enfraquecimento das tuas faculdades intelectuais
E não  é    essa que irás  encontrar
Cruzar-te-ás com muitas outras
Aprendeste a analisar…tu sabes
Continuas no deserto?
É a tua sina!
Os teus pés pisam o pó que ferve,
mais à  frente encontrarás
outras tão  sorrateiras
como a primeira…
Conheces o lado temerário da senda
  sabes… tens rodagem
E levas outra picada?!
já são tantas que te ferem
cautela, muita cautela
para não sofreres tanto
Elas são  assim; matreiras, sorrateiras…
e continuas no deserto
Queres sair?
mas o deserto é  demorado;
direcção  larga
Estás ao ermo,
tão  sozinho e desamparado
Tão  farto de estar afastado
Levas os olhos vermelhos,
fadiga nas pernas,
dores nos ombros
e as mãos cheias de espinhos
Tu também  és  uma flor ;
Olhas para ti !
e ficas a pensar…
- Que raio de flor sou eu? – elevas a voz como um altar sofrido
- Que raio de flor sou eu? – responde o eco sofrido
- Será  verdade ? – sussurras compungido
- Serei flor ? Flor manhosa como as outras que encontrei no caminho? - as sensações dobram-se atormentadas
- Eu quero um oásis !-vociferas rouco ou louco
- Eu quero um oásis ! – responde o eco rouco ou louco
-Onde  estás?- tu  
 -Onde estás ? - o eco
- Quem me quer vender um oásis ? - tu
Quem me quer vender um oásis? - o eco
Não sejas tolo. Aqui  não  se vende água,
encontrar essa região fértil…? Onde?
não há viva alma, só bicharada,
ninguém  vende, ninguém compra
só a voz agreste do vento! e o sol a uivar!
Para ti não há consolo;
agarra a sorte com muita, muita  força e não a largues
e não toleres que qualquer uma, daquelas desrespeitosas
 flores, te venham usurpar.
PN