Os cães ladram hoje como nunca os havia escutado antes;
à distância… ao perto… mais e mais perto... a revolta ou o
silêncio…
aqui mesmo, ao cruzar comigo…
Alguns olham-me, como interpretar o seu olhar?
Uns atrelados , puxados com brutal força … focinho arrepiado
desejosos de arrepiar caminho, livrar-se do laço
que engasga e enforca
o destino
e a cólera daqueles afiados caninos…
Outros, atirados fora, no lixo,
perdidos de fome e de frio,
mendigos, à mercê do abandono
e um deles fita-me;
e o meus olhos cruzam-se com os dele;
Que dizer?
Olha, já somos dois desgraçados, alguém te abre a porta?...
nem a mim,
renegado pelos teus pares, eu também, rejeitado por aqueles
que te deviam amar,
eu, igual…
Vens comigo, lado a lado? Calmos, manhã iniciada, tarde
adentro, noite fora …
ninguém dará por nada, nem procurar por nós…
PN
Nota: Amigos, por utilizar a 1a pessoa do singular nas composições escritas, não quer dizer que me refiro a mim. Obrigada.