Segundo G.M.T.
Quando acordamos, o dia pode ser uma surpresa, uma dádiva ou podemos tratá-lo de forma displicente e recebemos o dia como se fosse um presente de porcaria. O que vou fazer com este dia? Saber como vou aproveitar o tempo, isto está relacionado com a questão da morte.
Acho que começa logo com as crianças, há um termo extraordinário que é a ocupação dos tempos livres, quero dizer, se ocupamos os tempos livres, é uma invasão dos mesmos... o medo do tempo branco, pronto, agora fazes o que quiseres, o medo do silêncio, do espaço vazio, por exemplo: hoje é raro, as crianças terem um espaço vazio, têm já brinquedos, estruturas em que o próprio espaço está ocupado a dizer o que elas devem fazer. O que parece claro, é que esta ideia da criança não se poder aborrecer, porque começa na infância e depois a questão de pensar... eu diria, a primeira parte; o prefácio da criatividade nas crianças é o aborrecimento, é o tédio, a criança não tem nada para fazer, que chatice isso! Que chatice! Tem que aguentar, tem que criar algo para conceber. O ócio, é muito interessante, a questão da etimologia das palavras; negócio é negação do ócio...hoje não têm tempo de ócio, o tempo das crianças é tempo de negócio no sentido estrito da palavra, que é um tempo útil, um tempo utilizável.
Para que é isso? Tem a ver com a dificuldade das pessoas não estarem constantemente ligadas, hoje há um problema; tem se falado muito do tempo que nos é tirado do exterior, acho que nós temos que nos responsabilizar individualmente. Há muito tempo que se auto destrói. As pessoas têm bastante tempo disponível e quando alguém tem várias horas livres, está constantemente a ver disparates na Internet. A viver como um imortal, está claramente a desperdiçar o tempo.
A questão da reflexão está ligada ao espelho, o espelho reflete, a reflexão mental não é mais intectual, eu estar dentro de mim próprio a ver se estou a gostar do que estou a ver. Não é do cabelo, é da minha vida. Se isto faz sentido. Quando nós não temos espelhos e temos ecrãs e o ecrã é espelho, tapa o espelho, impossibilita que nos vejamos a nós próprios, entretidos com ecrãs e ecrãs e mais ecrãs, a certa altura morrem, acaba o ecrã. Será que usaram bem o tempo, a tarefa imposta veio do exterior. Então como é que as crianças vão usar o tempo?






