Apesar da voz vociferante, olhos pouco iluminados; vindos do fundo do tempo, a face; ondas alterosas, semblante anuviado e densamente povoado. Todavia, merece um bocado de céu... Tem de haver salvação para um confesso oculto contrito.
PN
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Cúmulo da estupidez
É inadmissível saber a verdade, ver a verdade e fingir acreditar naquelas verdades alicerdadas em mentiras, e ,de tanto se mascarar do que não se é , acabam- se tornando em verdadeiros fingidos, feios e escuros.
PN
PN
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Medos que desconhecia...
Aconteceu inadvertidamente, as pontas dos dedos tocaram-se
Não sei a minha expressão ...
a tua fisionomia alterou-se e ficou
dura, séria, o rosto encarquilhado
escuro, os olhos secos de pólvora...a rebentar pelos maxilares.
Percebes agora a tua impossibilidade?
PN
( episódio pré Covid)
Art Institute of Chicago- left eye detail
Não sei a minha expressão ...
a tua fisionomia alterou-se e ficou
dura, séria, o rosto encarquilhado
escuro, os olhos secos de pólvora...a rebentar pelos maxilares.
Percebes agora a tua impossibilidade?
PN
( episódio pré Covid)
Art Institute of Chicago- left eye detail
sexta-feira, 24 de julho de 2020
Sabes,
do que julgas,
Não é só dentes brancos, olhos esverdeados, cabelos selvagens
Voz grossa e rouca... barba farta.
É também !...
É saber-te a par, suporte amigo, inquietar-se comigo.
A tua franqueza comove e quando estás a meu lado, é tudo verdade;
o que me fazes sentir... e onde vamos!
Puxas e eu confio, aceito o desafio!
Os abismos para onde me levas são altos!
Provocam calafrios, ousadia, o meu corpo arde...
Um mundo povoado de imagens
Vertigem... e quando te atreves a descrever
aquelas cenas loucas que te sobem à cabeça,
sem qualquer pudor, solto-me ainda mais...
Gosto de te escutar enquanto vamos desbravando
terreno suado, gozo pelos poros bordado...
É tudo tão fiel; uma boca com fome de outra boca...
cumplicidade!
Depois do alvoroço é seda sobre nós, sossego, rumorejo baixinho das nossas vozes...
Espreguiçamo-nos, esticados e felizes, olhos nos olhos.
Num salto, corres e trazes
à cama: frutos, café, pão, queijo, biscoitos...
Rimos deliciados e os teus lábios soletram e repetem:
-Amo-te, amo-te, amo-te!
PN
Internet
domingo, 12 de julho de 2020
Lígia!
Artista: Cécile Desserle
Lígia, ainda estou a repensar... a remoer no último encontro; até as paredes da minha casa silenciaram ante a nova consciência de nós dois. Juntos, seria um completo absurdo. A diferença de idades, tu querias coisas, que a mim, não vibravam. Soltei a verdade, abri o jogo, só no núcleo íntimo, devia-te isso, devia-me isso. Fui surpreendido, subitamente as minhas palavras lavraram terreno ,como um incêndio, um fogo em busca de mato, de alimento. Porquê, Lígia? Porquê esse mar de lágrimas? Saltaste do teu lugar e desataste aos berros, nem me deste tempo para justificar melhor as minhas razões, agarraste a bolsa e bateste com a porta na minha cara? !Julgo que procuraste o colo da tua mãe e logo, logo, a dor torna-se passageira. Oh, Lígia, era previsível o desfecho! É fantasia minha; ou a causa desse dramalhão é mesmo o fim deste hábito que impusemos a nós mesmos? Não pode haver outra razão ! Sabemos ambos que não há ! Ou então choras por outro motivo que desconheço. A falta de interesse, o clima pálido que nos vestia, cada um voltado para os seus interesses! Ao pequeno almoço, ocasião para nos olharmos e dialogarmos, o pouco tempo, os corpos perto, as almas distantes; eu a ler o Diário de Notícias, tu entretida ao telemóvel! Quando tentava abordar algum assunto que me perturbava, tu respondias com o que observas nos murais dos teus amigos! Por favor, Lígia! Um beijo apressado e cada um desatava a correr porta fora para os respectivos empregos. Felizmente não tivemos logo filhos . Que caminho era este? Até na hora de nos enfrentarmos nus, sem cobertas, nem lençóis, apenas dois corpos que se queriam agarrar, que se queriam apertar, que se desejavam roçar um no outro, a epiderme a chamar os lábios sorvedouros e a língua convidada a lambidelas mornas...e logo o teu brinquedo despertava, naquele som estridente e irritante ; ora, era a tua mãe... ou a tua tia, ou o teu irmão ... ou uma colega de trabalho a pedir-te explicações , ou uma amiga a querer conselhos. Faltava a desfaçatez de me dizeres na cara que a cadela lá de casa lamentava por não te ouvir e as suas vocalizações agudas e frustradas, agoniavam-te ... Lígia, a culpa era tua, eu ali à espera que tu te decidisses... como se não existisse outra ocasião mais opotuna para te ligarem . É óbvio, quando estes comportamentos se repetem , tornam-se hábitos... e depois, nenhum de nós já sequer teria forças para apanhar as sombras de um e de outro e mudar-lhes o destino. Assumimos o arrefecimento sem nos preocuparmos ou refletirmos .
Porque choraste tanto, Lígia? Nos meus olhos não havia nenhuma água para correr. Nem resquícios de mágoa ou dor , apenas senti que não tínhamos nada para dar um ao outro . A minha idade foi uma vantagem, sendo muito mais velho, sou mais racional e tive outra maturidade que um dia alcançarás e hás-de perceber a minha atitude. Amanhã, essa dor passa, passa de certeza.
Lígia, neste brando tempo, quero estar sossegado. Confesso que vou guardar tudo o que vivemos, quer em fotografias, quer na minha cabeça. O teu lugar, ninguém subtrai ou subestima .
A página virou, novo capítulo vem por aí, tempo para estar solteiro e sozinho mas quem remexer nas minhas notas, aquelas que um dia tenciono reunir em livro, encontrar-te-á de certeza.
A minha gratidão, por tudo aquilo que me fizeste sentir e no homem que ajudaste a erguer cá dentro, é imensa.
Não penses que te livras de mim facilmente, como se de um um objecto obsoleto se tratasse, que já não faz falta. Preciso da tua amizade, prezo esse sentimento, nutro por ti um grande respeito e carinho. Sobretudo, nada de confusões com outras relações do passado, eu não sou desses que te voltaram as costas, que desavergonhadamente foram próximos e posteriormente regressaram estranhos... Espero para te refazeres, terás o teu tempo. Depois disso, procurar-te-ei.
PN
quarta-feira, 24 de junho de 2020
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Grande parangona
Imagem de um filme " A tempestade" - NET
Amedrontados com o forçado anacronismo
Dos argumentos eruditos e sapientes
A terra, fica a perder com a criação
Deste abocanhar constante e desavergonhado
Como se não pudesse aflorar
À memória colectiva, algo semelhante, em chuveiros de gaz
Sob ordens dementes, marchas de soldados drogados.
A audácia carece de atos extraordinários
De ousadia, contrária a este entorpecimento,
Esta escravidão a que submetem os mais incautos
Ou os que se servem inescrupulosamente das contrapartidas
A pulga, mexe e remexe atrás da orelha, há quem a sinta,
Mas acredite em especulações prontas a vender.
Nada como uma moléstia complexa e incaracterística
E assim o quintal é varrido por um vendaval desconhecido,
e a população atirada ao chão.
Após uma, há-de chegar outra, sem comprometer
Os donos desta farsa infame e mal encarada
À viva força de repetir uma cartilha bem estudada
torna-se verosímil!
E esta amofinação a que nos querem submeter
Que abalo histórico, um verdadeiro maremoto !
Um levantamento gigante, engendrado por nuvens sinistras
Tão cedo auspícios menos enganadores, não seráo possíveis
Quem irá sarar as sequelas daqueles que, não obstante,
Ainda conseguem ruflar, dobram a espinha,
amolgam-se para endireitar?
Apesar do ruído confuso, o medo despersuade
Paulatinamente os mais sinceros, honestos , honrados
Nesta panóplia de jogos pautados por riscos incomensuráveis.
PN
Amedrontados com o forçado anacronismo
Dos argumentos eruditos e sapientes
A terra, fica a perder com a criação
Deste abocanhar constante e desavergonhado
Como se não pudesse aflorar
À memória colectiva, algo semelhante, em chuveiros de gaz
Sob ordens dementes, marchas de soldados drogados.
A audácia carece de atos extraordinários
De ousadia, contrária a este entorpecimento,
Esta escravidão a que submetem os mais incautos
Ou os que se servem inescrupulosamente das contrapartidas
A pulga, mexe e remexe atrás da orelha, há quem a sinta,
Mas acredite em especulações prontas a vender.
Nada como uma moléstia complexa e incaracterística
E assim o quintal é varrido por um vendaval desconhecido,
e a população atirada ao chão.
Após uma, há-de chegar outra, sem comprometer
Os donos desta farsa infame e mal encarada
À viva força de repetir uma cartilha bem estudada
torna-se verosímil!
E esta amofinação a que nos querem submeter
Que abalo histórico, um verdadeiro maremoto !
Um levantamento gigante, engendrado por nuvens sinistras
Tão cedo auspícios menos enganadores, não seráo possíveis
Quem irá sarar as sequelas daqueles que, não obstante,
Ainda conseguem ruflar, dobram a espinha,
amolgam-se para endireitar?
Apesar do ruído confuso, o medo despersuade
Paulatinamente os mais sinceros, honestos , honrados
Nesta panóplia de jogos pautados por riscos incomensuráveis.
PN
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