A estação de comboio e esta hora encontra-se deserta. Os painéis de azulejaria narram episódios emblemáticos de vidas passadas. Do lado esquerdo, a bilheteira , no espaço contíguo, os sanitários. Em frente, a máquina de vender chocolates. Encostado à parede do meio, jaz um banco comprido, a criar ferrugem . Na parte dianteira, o portão fechado esconde a linha férrea. Nas laterais da parede do meio, duas aberturas largas e altas, em arcadas, cuja parte cimeira forma meio arco. É por ali que passam os viajantes. Àquela hora, o último comboio partira. Na estação só estão três pessoas. Duas mulheres, sentadas nas extremidades do banco, a meio, um homem. No início, calados, apenas se escuta o respirar da noite e o murmurar dos materiais de que são feitas todas as coisas que os rodeiam. A certa altura, o homem, solta um suspiro que revela impaciência, um estalinho com a língua no Palato. A mulher mais velha, ajusta os óculos modernos e põe um ar sério. A mulher mais nova, arqueia as sobrancelhas resignada, os olhos minúsculos mas muito atrentes atrás das lentes, usa óculos antigos e baratos. Agarra a bolsa com ambas as mãos. Rente aos pés, um saco grande. O homem, desabafa incrédulo e em voz alta, os olhos direcionados para a frente:
- Não me digam que vamos pernoitar aqui?!
A mulher mais velha:
- É o mais óbvio!
- Que chatice! - de novo um estalo com a língua - enche as bochechas e dispara uma baforada de ar sonora
- Que desespero! - expressa-se a mulher mais nova
- Por acaso também não está? - pergunta enervado
- Desesperada, não! Acontece a quem se atrasa, paciência ! - responde resignada
- Impávida e serena ?!- observa o homem
- Afinal, que quer que eu faça? Que me ponha aos gritos? Que lhe bata?
- Me bater é que não! - defende-se cáustico
- Tenham calma, principalmente o senhor, não provoque! - a mais velha chama à razão
- Óptimo, assim já sei como vou ocupar o meu tempo! - levanta-se e apalpa os bolsos das calças, do casaco. Solta um grunhido a meia voz, dirige-se rapidamente para o trole, escancara as aberturas exteriores. E volta a remexer:
- Hum?! Perdi-o! Grande porcaria! - visivelmente abatido, volta-se para as mulheres- alguma de vocês tem telemóvel?
- O meu ficou sem bateria! - declara a mais velha
- Eu não tenho telemóvel! - esclarece a mais nova
- Não acredito, perco o comboio, o telemóvel, que mais vou perder?!
- Nenhuma desgraça! - resmunga a mais nova
- Perder o único meio de transporte não é uma grande chatice?! A minha mulher vai ficar preocupada por não chegar a horas. Os meus amigos facebookianos vão começar a imaginar as razões da minha ausência ! - outra baforada sonora de ar
Volta a questionar as mulheres, se efetivamente possuem ou não o respetivo objecto. A resposta é a mesma. Como não se cala acerca da rede social:
- Fez casa no facebook? - a mais nova pergunta entre dentes
Ele senta-se e volta a cabeça para a esquerda :
- O que é que ela disse?
- Também não percebi.
Cai um silêncio estranho, subitamente nenhum se atreve a dizer mais nada. Após um intervalo:
- Sinto-me vazio, perdido! Este silêncio mexe comigo... - rompe queixoso
- É como se ficasse sem um membro, não é? - a mais velha manifesta-se solidária
- Também sente o mesmo em relação a não poder usar o seu ?
- Assim, tanto, não. Um dos meus filhos que está a estudar em Londres , é uma loucura! O que eu passei... A vida dele fazia-se através daquele retângulo, se falhasse, tornava-se possesso! Trepava paredes!
- Além de vício, é doença ! - atalha a mais nova
- Falhei como mãe e o meu marido falhou como pai, essa e outras...
- Ainda tem consciência para admitir, eu também cometi os meus erros! - declara a mais nova
- Não tenho problemas em colocar a mão no peito! e perceber que nós, mulheres, somos muito moles com os nossos filhos e os homens duros e frios, eles obedecem a quem? Por medo ou por respeito, mais medo que respeito, estes extremismos, não fazem sentido - confessa a mais velha
- Não percebi o que quis dizer, desculpe lá . - responde a outra
- Não se preocupe com isso. Tem filhos?
- Tenho dois filhos - declara a mais nova
- O que fazem ?
- O rapaz já saiu de casa, julgo que trabalha num escritório, não tenho a certeza, a rapariga vive comigo e com o pai, é empregada de balcão . - explica calmamente
- Não tem a certeza do seu filho?
- Ele só aparece em casa para pedir dinheiro e desaparece.
Subitamente o homem ergue-se, estica os braços, as pernas e boceja violentamente.
- Ei, que modos são esses? - interpela a mais velha
- A conversa está animada, por isso... as senhoras deviam aproveitar para fazer o mesmo. Estão aí, travadas, enroladas...
- Tem razão, mas não necessita ser tão expansivo!
- Acusa-me de má educação, ou receia que os meus vírus a atinjam? - ri-se festivo
- E ainda se ri?! - repreende a mais nova
- Se estamos aqui, testamos negativo...certo? - adianta o homem
- Certo! - aprova a mulher - também já levou a vacina?
- Já tomei a primeira dose e as reações não foram famosas.
- E a senhora?- dirige-se à outra
- Eu não tomo, tudo me faz mal! - justifica a mais nova
- Somos apenas três entes, que a ironia do destino, juntou, o banco é comprido, o distanciamento, recomendável... portanto...- conclui o homem satisfeito
- Não estou tão optimista, nenhum de nós tem máscara posta.
- Se fomos testados! - atira o homem
- Não é bem assim! - a mulher mais velha continua séria- toda esta questão causa-me uma enorme confusão, como é possível, termos as tecnologias mais sofisticadas e aperfeiçoadas e ainda recorrermos às técnicas usadas durante a Peste Negra!? confinar toda a gente!? Que absurdo, o auge da Peste deu-se no século catorze! Estamos no século vinte e um?! Parar tudo!? Uma demonstração total da nossa falta de preparação, é óbvio que não estamos no bom caminho. E , olhem lá, se continuarmos como até aqui, não vai ser nada bom!
- Tem razão- o homem subscreve as palavras da mulher mais velha - e continua- surpreende-me que cada vez mais pessoas aceitem restrições às suas liberdades e caladinhos....
-Estou convencida que inúmeras pessoas querem mudar, têm os valores corretos. Desejam cuidar dos outros e das gerações futuras mas não sabem como fazer ... não os deixam fazer, colocam barreiras a cada passo. Um dos maiores desafios que enfrentamos, é a nossa propria sobrevivência no mundo e a nossa sobrevivência depende da forma como tratamos o planeta. Não é só sermos solidários com o vizinho do lado mas com o destino da humanidade, se repararem , há uma tendência, encorajada por todos os governos, a incitar para que nós confiemos neles e deixarmos as responsabilidades nas suas mãos, mas eles já demontraram nitidamente que não conseguem nos proteger de nada . Hoje, temos de ser nós a arranjar meios de proteção e defesa, por outro lado, somos obrigados a aceitar tudo o que nos impingem?! Aprendamos a nos libertar desta gente!
- É isso mesmo! - acrescenta o homem entusiasmado - a mulher prossegue- toda a gente devia fazer algo superior, eu trato de um problema, o meu vizinho trata de outro, os meus amigos, cada um deles trata de um problema. Sabe, é urgente uma maior envolvência por parte de todos.
- Eu até gosto de escutá-los - começa a mulher mais nova- sabem, ser amigo, começa dentro de casa, amigo primeiro dos seus, depois dos outros. Às vezes a família ajuda e não é reconhecida, ajudar para um certo número de pessoas, é dar sem abrir a boca, como se fosse a nossa obrigação!Querem sair de casa, saiam, depois venham de visita!
- Refere-se ao seu filho?
- Ao meu filho e a outros tantos que andam por aí! Se não fosse a família...
- Eles querem o peixe pescado, cozinhado, pronto para mastigar e sem espinhas... acrescenta de novo a mais velha.
- O meu filho é diferente da irmã, ela ajuda em tudo, é muito nossa amiga, ensina-me coisas da escola e que vê na televisão. Ele tem vergonha da mãe, depois bate à porta porque lhe falta dinheiro.
- Vergonha da mãe? - acrescenta a mais velha chocada
- O único motivo é eu ser bordadeira, picar o dedo na agulha, apesar de mal paga, ainda o ajudo! - explica a mais nova.
- A sua filha nunca pensou em se meter num curso superior?
- Quando vai a uma loja, precisa de quem a atenda, não é assim? quando vai ao supermercado, precisa de ajuda ? Mal de nós se não fosse essa gente, o varredor de rua, imagina o lixo de monte durante muito tempo? Como seria? A minha filha falou-me se as máquinas que tratam das águas dos esgotos avariassem e não houvesse quem arranjasse , morríamos todos, levantavam- se doenças perigosas. Acha que alguém pensa nesses homens ? são como eu, mal pagos.
Essa gente, que ninguém presta atenção, que ninguém liga, eles são os que garantem a vida dos outros e são escravos e os mais mal pagos. Acha justo?
- Tem toda a razão! - comove-se sinceramente a mais velha
- A minha filha é digna, gosta do que faz, não explora a família, a mania que só vale quem tem curso superior! Mas os que têm mais estudos não mostram esse saber todo! Olhe o que disse há pouco? Ah! Tanta gente informada para quê? Estamos num beco sem saída. Veja o ambiente! A mesma coisa! Isto está de pernas para cima. Uns ladrões de todo o tamanho. Na minha casa não há ladrões. Apesar de tudo, o meu filho, pede. Somos pobres e honrados . O meu marido também é como eu! só tenho a quarta classe dos tempos antigos, a cabeça não deu para mais. Foram outros tempos! E agora? Como é? Mudou tanto para isto?!é o que se sabe e se vê?!
- A minha tia dizia; " Quem não rouba nem herda, não tem se não merda"- remata o homem.
- Não ouviu esta senhora? - acudiu a mais velha - estamos como estamos, em parte, por pensarmos dessa forma!
O homem cala-se, mete as mãos nos bolsos do casaco, continua de pé, mexendo-se de um lado para o outro.
- Olhe, eu sou professora reformada - confessa a mais velha fixando a mais nova nos olhos.
- Ah, sim? - a outra mostra-se curiosa
- Sim, reformei-me mais cedo, o ensino ficou um barco encalhado, ninguém conserta nada, é remendo aqui, ali, acolá... assim não se chega lá- a mulher levanta-se entusiasmada pelo tema, aproxima-se mais da outra, que permanece sentada.
- Fugiu dessa desgraça? - quis saber a mais nova - e retoma a palavra- Deu-se mal?
- Não me dei mal, até tive muita sorte, consegui atingir o penúltimo escalão, um salário bom, para se chegar lá é uma chatice, enfim, é para esquecer esta estranha forma de avaliar professores. Inventaram o projeto docente e relatórios. Anda muita gente vaidosa, com o quê? A qualidade da educação que se dá às classes mais baixas é a mais vulgar possível, para haver uma diferença entre as duas classes. Para que as elevadas permaneçam num nível superior, fazendo crer às menores que não conseguem atingir o mesmo patamar. Agora, promove-se a mediocridade, tornou-se moda ter falta de inteligência, ter falta de educação, se estiverem atentos, hão-de perceber que tudo o que é medíocre, aparece em grande número, em todas as esferas sociais, refiro-me à arte, à ciência, à religião, à política. Mas, quando falei que tive sorte, é mesmo verdade,no ensino, passei por quase todos os cargos, fui muito bajulada, também bajulei. Testemunhei situações com colegas, inadmissíveis, passam-se coisas nas escolas que não é do conhecimento geral, autênticas aberrações, envolve professores, funcionários, pais, alunos, é uma vergonha, uma falta de ética, de consciência! Julga-se que já se viu tudo, nem pensar!
- Dizem que os professores faltam muito! - interrompe a mais nova , o homem fica parado, atento à mulher mais velha.
- Exatamente, faltam muito! Os ambientes de trabalho são péssimos! Há professores muito mal tratados, alguns são forçados a se afastarem e vão metendo atestados médicos psiquiátricos porque preferem estar em casa e outros adoecem mesmo. Não têm idade para sair do ativo e ficam reféns destas situações nojentas, desculpem-me a expressão. Há escolas que não passam de autênticas ratoeiras.
- Os professores doentes, ficam sem juízo? - interroga a mais nova
- É isso que acabou de dizer! Sem juízo! - justifica a outra
- Porque é que os professores não ficam numa escola, apenas quatro anos, terminado o prazo, seguem para outra ... não estou a dizer para fazerem grandes deslocações, até cerca de uma hora de carro, afinal praticamente todos eles conduzem . - lança o homem
- Parece-me bem! Nada que eu já não tivesse pensado! Fiz mal, arrisquei pouco. Acomodei-me e fiquei parada no tempo, por muitas formações que se frequente, é saudável arejar, ver outras escolas, sentir outros sentires; cheiros, vozes, colegas, alunos...enfim, embruteci, fartei e enfartei!
- Coitado daquele que cai nas garras desses loucos! manicómios ! - observa a mais nova
- Um covil de hipócritas!- acrescenta o homem
- Sabe, recebemos ordens para trabalhar à frente de um ecrã, com falhas grosseiras de imagem e som, o ensino à distância! Querem habituaram-nos a isto? É o projeto do neocapitalismo, fazer com que a tecnologia avance cada vez mais, a inteligência artificial, a digitalização generalizada, a 5G. Sempre mais máquinas...E os laços humanos? manter as pessoas distantes, sequestradas por ecrãs e pela Internet, sequestrados por essas ondas 5G ou outra invenção qualquer. A intenção é isolar-nos uns dos outros! - continua a mais velha
- E já são cinco horas! - o homem consulta o relógio
- Ainda? - a mais nova e endireita os óculos desiludida
- Já estivemos mais longe - acrescenta o homem e finalmente senta-se, e cruza os braços
A mulher mais nova também cruza os braços e desata:
- A senhora deve receber uma boa reforma, não? Veste bem, parece uma rainha! - comenta risonha, a mais nova
O homem olha em frente e sorri também.
- Confesso que em termos financeiros, não há problemas, tenho bons recursos, cresci com eles. Tive sorte, o meu casamento acabou mas conheci um senhor pelo Facebook e agora vou vê-lo ao vivo e a cores.
- Tenha cuidado com essa gente! -adverte a mais nova
- Já falo com ele há muito tempo, agrada-me o género e o meu género agrada-lhe!
- Não quer experimentar comigo? - o homem tenta sua sorte
- O senhor não é casado?- lembra a mais nova
- Mal casado! - responde ligeiramente irritado
- É bem mais jovem do que eu ! - observa a mais velha
- Não gosta de homens mais novos? - atira com um sorriso maroto
- Tem boa presença! - a mais velha comprova - Mas não o conheço!
- Se me der uma oportunidade...
- Posso dar... - declara com alguma incerteza - e sequer acha-me interessante, faço o seu tipo?
- Já tinha reparado em si...
- A sério?!
A mulher mais nova, olha para um e para o outro com um ar reprovador.
Pouco a pouco cai um silêncio estranho, os três calados, a mulher mais nova, acaba por fechar os olhos. Entretanto, o comboio chega.
O homem começa a fazer olhinhos à mulher mais velha. Ela fica constrangida , porém, demonstra que lhe agrada. O homem de quando em vez , espreita a outra para se certificar que dormita ou simula.
- Assim podemos nos entender sem esta senhora incomodar- diz o homem
- Coitada, deve estar cansada . Que quer dizer?
- Quando descermos vou acompanhá-la! Esqueça o outro ! Quantos dias ia ficar com ele?
- Cinco dias!
- Óptimo, passe-os comigo! - consegue ser convincente
- Ai, estou confusa! O outro espera-me, não é uma atitude digna da minha parte!
- Isso passa, invente uma desculpa, já sabe, vou consigo! Certo?
- Sim, certo! - concorda meio desajeitada
A mulher mais velha levanta-se pensativa, o homem também, ficam próximos, ela afasta-se.
- Que se passa? Tem medo de mim ?
- Não se trata disso! O confinamento, o distanciamento, repetido sem cessar, está tudo dentro da minha cabeça...o outro senhor , o outro senhor que me aguarda...que falta de respeito e de palavra!não me sinto confortável nesta posição...
- Ligue-lhe e arranje uma situação impossível...
-Calma, as coisas não podem ser no seu timing!
- Então vamos dar tempo... para começar uma amizade! nem pense em fugir de mim! Declara carinhoso e passa um braço pela cintura da mulher -Gosta do toque ? - pergunta ele baixinho
- Gosto! -ela responde baixinho
- O ritmo é o aconselhável por agora! - acrescenta o homem
- Agora sente-se no seu lugar - pede branda
- Com certeza! - alisa o bigode louro recortado sobre o lábio superior e ajeita o cabelo lambido da mesma cor.
Depois, ficam calados e aos poucos lançam olhares mútuos , ora sérios ora sorridentes. A mulher mais nova, acorda atordoada, foi comprar um chocolate, a mais velha procurou o WC. O homem fica sozinho.
Anunciam a hora de embarque. Os poucos viajantes vão entrando, o homem segura imediatamente o braço da mais velha e conduz a mesma para dentro do comboio.
- A outra senhora onde está?
-Acredita que ela tem telemóvel e não me emprestou?!
- Como descobriu?
- Quando foi à máquina dos chocolates, tirou o porta moedas da bolsa e deixou-a cair, nisto, o telemóvel sai.... eu agarrei e vi que estava ativo e tinha bateria, ela ficou atrapalhada.
- Ela não vem?! Esqueça isso, ela não tinha que emprestar o telemóvel a um desconhecido. É um objeto pessoal. Que lhe aconteceu? Não a vejo!
- Vai aprender ! - sussurra o homem
- Que falou?!
- Arrefeceu!
- Faz fresco! Mas está agradável, temos os nossos agasalhos, dá sempre jeito!
- Muito mais agradável com a sua presença !
A mulher sorri :
- Vá chamar a outra senhora!
- Espere, vou chamar!
Volta sozinho.
-Então? ! - exclama pasmada
- Ela recebeu uma chamada e disse que afinal vai de boleia.
- Tem a certeza disso? Nem me despedi dela, nem fiquei com o contato...simpatizei com a sua simplicidade e franqueza, que pena!
- O comboio já vai partir! - anuncia o homem- e escuta-se o som de saída
A mulher mais velha ainda espreita pela janela, volta o pescoço e nem sinal da outra.
Na estação, a mulher mais nova percorre o recinto numa aflição:
-Bom dia, que procura? - pergunta o homem da belheteira
- A minha bolsa! Meu Deus, perdi o comboio! E agora? Tenho toalhas para entregar amanhã. A minha bolsa?! - pronuncia quase a chorar
- A sua bolsa? O indivíduo que estava aqui com as senhoras meteu debaixo do banco!
- O meu filho?!