sábado, 2 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

-Posso fazer uma pergunta filosófica?
-Filosófica?
-Vou tentar…
-Tem que ver …com os ocidentais, com a sua ideia do Apocalipse. O final dos tempos, o final da vida. Existe algo assim no budismo? Quando tudo cessa, o mundo chega ao fim? E a humanidade é julgada?
-Acreditamos que cada dia é uma espécie de universo.
-E é como…Um fim?
-Um fim? O fim é …um início.
-Um início?
-Não há um juiz… como direi? Que julgue as coisas. Não existe Dia do Juízo?
-Não existe, não.
-É um pouco diferente. Parece-me que está a dizer é que não existe um fim, apenas mudança.
-Sim, mudança.
-Uma coisa acaba, outra começa. Talvez não exista um fim absoluto…


Quando se conhece alguém como sua santidade, o Karmapa, acho que o que mais se destaca é a sua humildade. O Karmapa não nos dá a impressão de se considerar mais do que nós, superior a nós. De modo algum, melhor que nós. Ele está aqui, como o resto de nós, numa demanda. A tentar entender porque estamos aqui, procurando descobrir a verdade. Procurando a iluminação.
Apocalipse é uma palavra grega que significa levantar o véu. Não tem que ver com a guerra, mas com iluminação. Não tem que ver com a morte. É um estado de espírito e de coração que nos ajuda a ver a verdade. Não é um distante Dia do Juízo. Está aqui. É o agora.
 MF