quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Alinhavo sobre o joelho

A HISTÓRIA DE DEUS

O poder dos Milagres


-O que sabe sobre o Buda? O que vos ensinam na América?
-Aprendi que ele era de berço nobre, que cresceu muito protegido e que um dia saiu do complexo…
-Está certo…e começou a ver a vida como ela era realmente. E porque fez ele isso?
-É a pergunta a que vai responder.
-Gostava que o seu pai decidisse, logo no seu nascimento, que o filho que tivera ia ser rei, e por isso, ia mantê-lo no palácio, rodeado de objetos belos para os sentidos, de flores que nunca secavam, de belas jovens que nunca envelheciam?
-Parece perfeito.
-Não é perfeito? Mas ele não estava satisfeito com isso. Buda saiu do palácio. E sabe o que viu quando deixou o palácio?
 -Tanto quanto sei, ele viu sofrimento. Ele viu a vida real.
-Em que forma?
-Havia velhos…aleijados…e pedintes. Pessoas que não tinham nada, pessoas com fome.
-Sim, é como se abrisse os olhos. Ele viu a morte. O pai não queria que ele visse a morte. Fê-lo ter a forte sensação de ter de deixar aquele lugar e descobrir qual era a causa daquilo. Porque é que as pessoas sofriam?
Siddhartha vagueou durante seis anos para tentar compreender a origem do sofrimento até por acabar por se sentar à sombra de uma figueira e decidir que permaneceria nesse lugar, concentrando a sua mente até descobrir, como acabar com o sofrimento humano. Depois de permanecer imóvel a noite inteira, Siddhartha conseguiu uma transformação mental. Os budistas dizem que se tornou no Buda, o iluminado.
-Ele ensinou-nos, disse o que um bom médico diz a um paciente. Que está doente, a sofrer, que tem um problema. Em segundo lugar, que conhecia a causa. Basicamente, o apego ao desejo. O Buda percebeu que livrando-se dos eus, desejos e da sua ligação ao mundo material, poderia livrar-se do sofrimento. Para o buda, as gerações de budistas que lhe sucederam, esta libertação parece permitir uma concentração mental e física notável, talvez mesmo, milagrosa.
Ele ficou tão grato à árvore sob a qual se sentara e alcançara essa perceção espantosa, que se sentou aqui durante sete semanas, e passou uma dessas semanas sempre a olhar fixamente. Diz-se que sem piscar os olhos. Imóvel.
É possível, Porque não? Não exercitamos as nossas mentes. Estamos tão ocupados com coisas exteriores, a comprar, a vender e a fazer o que precisamos….
Para os budistas, anos de treino mental, e a desmonstração de amor e compaixão, para com os outros, pode libertá-los do sofrimento. 
Passeando por este templo sentimos que podia acontecer aqui um milagre, o milagre de todas as pessoas se sentirem contentes com as suas vidas e toda a gente se dar bem.
Todos precisamos de importar-nos, de amar e de respeitar os outros. É essa a fonte da felicidade. Quem já experimentou isso está no bom caminho. Quem não tiver isso no coração não está no bom caminho.
-Muitas religiões baseiam-se bastante em milagres. O Cristianismo, o judaísmo … vocês, budistas não fazem milagres?
-O que é um milagre? Voar pelos céus, é um milagre? As aves fazem-no.
-Mas normalmente pensamos em milagres como uma espécie de coisa divina. Algo que nos faça prova da existência de Deus
-Certo. Então, podemos perguntar onde está Deus. Se perguntarmos aos místicos, ou yogis, onde está Deus, eles apontam para aqui, não para cima. Dirão que está aqui dentro. Então, se for inspirado pelo seu deus interior, Buda, Cristo, Krishna, o que lhe quiser chamar, talvez possa realizar o que se chama um milagre. Do que precisa este mundo mais? Precisa de cura, de amor…Precisa de reconciliação. Acho que é esse o milagre, o milagre de que precisamos. Não precisamos de pessoas que levitam sentadas a 10 cm do chão enquanto meditam. Isso é estúpido. Fiquemos pelo verdadeiro milagre, que é transformar a mente humana.

É irónico que um homem que queria que descobríssemos o poder que todos possuímos, seja considerado uma espécie de ser divino. O objetivo do budismo, como o entendo, é ensinar-nos que todos somos capazes de muito mais do que podemos acreditar. Se nos concentrarmos nisso, se lhe dedicarmos a nossa mente.
Passam tantas almas por este mundo. E à medida que os nossos caminhos se cruzam, podem acontecer, e acontecem, coisas milagrosas. As pessoas têm as oportunidades que sempre desejaram, inspiram-se umas às outras, apaixonam-se …E sejam esses eventos orquestrados pela mão de Deus, um poder da mente ou o acaso; uma hipótese num milhão, creio que devemos acreditar em milagres. Porque os milagres, como quer que os definam, ajudam alcançar o Bem, conferem-nos esperança. Levam-nos a criar realidade a partir da possibilidade.

MF