com Morgan Freeman
“Em crianças quando somos
confrontados com o racismo, ficamos perplexos. Porque existe isto? De onde vem?
“ MF
Apesar
de toda a nossa capacidade de fazer o bem, o impulso de praticar o mal tem sido
uma praga na história humana.
Se acreditam que vivemos
num mundo sob controlo divino, porque deve o mal existir? Como invade as nossas
vidas? Como e´ que o mal conquistou os nossos corações?
As religiões combatem o
mal de diferentes formas e rituais.
Temos duas mentalidades,
uma boa e outra má. Para transformar as trevas em luz.
Algumas confissões consideram-no
uma força invisível que impregna o mundo inteiro. Demónios espreitam na
escuridão. Para o cristianismo pode ser o próprio demónio ou será o mal uma
coisa que vem de dentro de nós?
Mas a pergunta é: Mesmo assim,
um criminoso não continua ele a ter escolha? Será um criminoso capaz de
escolher não cometer um crime hediondo?
O peso no coração assume a
forma de medo das consequências, é a
única coisa que nos mantém no caminho dos justos. O que me leva a perguntar… se
somos inerentemente bons ou inerentemente maus? A resposta está na raiz da fé
cristã. Os primeiros livros da igreja traçam a nossa tendência para pecar até Adão
e Eva que comeram o fruto proibido, o pecado original.
O que é o pecado original?
A tradição cristã cunhou um pecado original, um desejo primitivo que todos
temos. É uma necessidade, um impulso humano de natureza muito básica. Porque
Adão pecou. O pecado original foi transmitido a sucessivas gerações,
perpetuado, uma após outra geração. Um
homem que mata e viola por prazer e não sente arrependimento, pode ser chamado
de coisa demoníaca. É demoníaco. Mas penso que é importante reconhecermos que
existe um pouco dele em todos nós. Há algo inerente em nós que parece
inclinar-se para a morte e a violência.
- Será o diabo? Ou isso é
apenas uma metáfora?
Nascemos com a capacidade
de fazer o mal. A maioria de nós, luta uma vida inteira para resistir à
tentação, para resistir ao que está errado. Mas pode haver outra fonte de mal
nas nossas vidas; as pessoas que nos trouxeram a este mundo, estejam vivas ou
mortas.
Uma das mais antigas e
influentes religiões do mundo mas a maioria de nós nunca ouviu falar dela,
chama-se zoroastrismo, teve início há 3 mil e quinhentos anos, do antigo irão. O
fogo é um símbolo do zoroastrismo. O fogo esta sempre aceso. Representa a
iluminação. Quanto mais conscientes estamos do mundo em que vivemos, quanto
mais sabemos o que nos espera, melhores decisões podemos tomar. É como caminhar
com uma lanterna na mão. O lema zoroastriano é “ bons pensamentos, boas
palavras e bons atos”
É uma religião que se
concentra na derrota do mal. O zoroastrismo é anterior às religiões que
reverenciam Abraão. Para muitos
zoroastrianos, o demónio já não é uma figura real, é um combatente interior, a
luta entre o bem e o mal que tem lugar na mente.
A
escola de pensamento zoroastriano não tem que ver com passado ou futuro, mas
com o que podemos fazer no tempo atual. Todos os nossos problemas, os do mundo,
são causados pelo homem. Como tal, devem ser resolvidos pelos homens. Culpar
uma força sobrenatural, não é uma noção zoroastriana.
Purgar
o mundo do mal não é tarefa de Messias, de reis ou profetas. É tarefa de todos
nós. Sejamos alfaiates, talhantes, vendedores ou atores. Quem quer que sejamos.
Gosto disso. MF
A
pergunta proverbial é se assaltaríamos um banco, se soubéssemos que ninguém
poderia saber que o tínhamos feito. E acho que se formos honestos connosco,
muitos de nós entrariam e levariam todo o dinheiro.
A
recompensa do paraíso e a ameaça do castigo eterno ao inferno, mantem-nos no
caminho certo. MF
Mas e aqueles que
sucumbiram ao mal? Pode a fé conduzir-nos à redenção? Ou será que o mal nos
marca para a vida? Fará parte da condição humana? Muitas confissões incitam-nos
a combater a tentação. A colocar o bem maior, o bem de todos acima do seu
interesse pessoal mas será isto é possível?
Os budistas tibetanos
acreditam que a necessidade de praticar o mal deriva da nossa ignorância, do
funcionamento das nossas mentes. Para que possam compreender a sua causa e vencê-los.
Mas nem todos querem combater os seus demónios interiores. São muitos os que
parecem condenados ao fogo do inferno por fazerem coisas más. Haverá forma de
os mudar?
Segundo estudos, o cérebro
de alguém que mata é diferente daquele que não mata. A ciência pode ajudar a
identificar os mais propensos para o mal, mas como se volta costas a uma vida
de maldade?
O
que nos dá esperança de que as pessoas podem mudar são aqueles casos de
transformação absoluta, casos reais, um homem que conheceu uma mulher,
apaixonou-se tiveram um filho e ele mudou completamente a sua vida,
anteriormente entregue ao crime. O mal pode ser contido? Esta esperança está no
centro da fé cristã. As pessoas pecam, mas os seus pecados podem ser lavados
através do batismo. É um recomeço de vida. A bíblia diz-nos que adão e Eva não
conheciam o mal até comerem o fruto proibido. Quase todas as confissões
religiosas contam a história do início do mal, terá começado em almas
infelizes? No próprio demónio? Ou nos nossos demónios interiores? Todos
acabamos por ficar frente a frente com o mal.
O
sofrimento que provoca fazer bem e mal? Sem o mal, como teríamos
desenvolvido características humanas únicas? A capacidade de expressar bondade,
a misericórdia, o perdão. MF
FIM
