A casa amarela era um gigante dentro do jardim
À volta havia muitas escadas;
Subiam e desciam em degraus…
como fios de
água a percorrerem uma montanha…
Dentro de casa imaginei uma criança muito amada por
uma fada
Tempo primordial nos olhos do menino, naqueles olhos
molhados de sonhos
e de risadas e corridas e outras coisas ingénuas e
inocentes de petiz;
Vi na íris, as
cores leopardo vermelho poente, beleza rara, dois barquinhos
largados, a voarem céu adentro;
ia pescar estrelas…
Pediste-me a mão:
- Vem fazer de conta!
E lá fui eu pescar peixinhos brilhantes,
Só que me escapavam das mãos e depois ficavam-se a rir da
minha inabilidade
O pequenino, agarrava-os e devolvia-os de novo ao mar
que afinal era céu, a terra dera uma reviravolta;
o que era de cima passou para baixo, o que era de
baixo passou para cima!
Ele queria apenas entreter-se; correr atrás, apanhar e
deixar ir…
Os peixes também eram, miudinhos …engraçados…
Apontou para o sol, que sorria velhinho…
Bocejou e bocejou … a fada apareceu logo
- Vamos, meu menino, já se faz tarde!
Cada um em seu barquinho; a fada, a mim, emprestou-me
umas asas de anjinho
Chegados a casa…
ela depositou logo o menino no cálice de uma flor e a
pétala abafou-o por completo
só que ele mexeu-se, levantou ligeiramente a pétala e
sorriu-me;
- Psiu… – ciciei e coloquei o indicador nos meus
lábios
Ele sorriu de novo:
- Vens amanhã?
- Venho.- disse-lhe em tom de segredo- agora dorme,
doce menino…
Sorriu de novo:
- Amanhã vamos a outro lugar?
Mal fizera a pergunta, a fada veio a correr, baixar a
pétala;
ouviu-se um risinho distante, ele cansado, voltou-se e
adormeceu.
PN
Nota : Baseado na verdade dos acontecimentos