quarta-feira, 1 de abril de 2020

Estarei por aqui...


Modelo retirado da NET

Ouço...Ouço... Ouço
( Então,  não  dizes nada?)
Aqui vai cautelosamente
Sem ser profícua ou copiosa
Recebo um jorro atropelado;
uma gaguez  acentuada,  ansiedade declarada
Imensa  garatuja, solavancos sibilados, vocábulos arrevesados
Essa urgência em vomitar... essa indisposição
Esse mal estar...que te atormenta e mortifica...
Quase não encontro espaço para mim ...
Digo para comigo;( paciência,  muita paciência, ele   está profundamente arrasado .)
Aguardo uma brecha tua, uma pausa mais demorada ...
Está no momento!
Omito, parca  nas frases?  não posso causar nenhum dano, agora não! 
Encontro terreno impreparado para erguer teses elaboradas.
Vou entrando devagar, tateio vegetação densa, mata esguia ...
ciente dos bombardeios a que estás sujeito; o teu papel tem sido;
Amarrar os dentes, ouvir e sentir...
Procuras consolo para esse tremendo desconsolo
E o teu corpo vai dando sinais dos arremessos;
Acometido de tremedeiras , verdadeiros assaltos de pânico
E eles, cegos e loucos procedem a lavagens cerebrais,
 lógica  não aplicável, fora de época, fora de uso.
PN

Nota- Atenção, a 1a pessoa do singular não quer dizer que me diga directamente respeito.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Iranian actor Danial musically tells you how to wash your hands...





Nota: Apesar do vídeo ser uma paródia curiosa e muito criativa, é também um apelo. Para que tenhamos  consciência cívica neste  momento,  sobretudo da imprevisibilidade deste momento histórico. Apelo também eu, para que fiquem em casa, não saiam senão em situações excecionais e com os devidos cuidados. Lembre-se que se trata da sua saúde, da saúde dos seus familiares e da saúde  de terceiros e há contaminação! E ficamos infectados e quanto mais infectados, mais complexo e perigoso se torna! Pense bem! Seja responsável, não custa nada! É para bem de todos! Não se esqueça, ao ficar em casa, resguarda-se  e evita que o vírus se propague ainda mais. Eu também estou em casa!
Agradecida!
PN

domingo, 15 de março de 2020

O que é isto ?


Rebentamento sibilado,  rugido desesperado
Animal patudo, acuado?
Balançam paredes, levantam chãos
Óculos resvalam de  olhos escancarados
Disparados das órbitas
Como bolas de canhão
A roupa puxada do corpo por uma força estranha, maior
Estalactites  descem sobre a cabeça
Estalagmites sobem através dos pés. 
Resta fugir, fugir e parar num lugar só  teu.
Só  teu, senão dá-se o contágio
Ou então... então  será o fim?
PN
( Só um pequeno esclarecimento,  o 1* momento do poema faz referência ao sismo de 5,3 de magnitude que sacudiu  praticamente toda a  ilha a 7 de Março de 2020 .  Eu apanhei um valente susto, as notícias só  nomeiam o Funchal mas não corresponde à  verdade, o último aconteceu há  45 anos. Em 1975, foi um abalo  de 7,9 e  sentido em todo o país, mas provocou apenas danos materiais ligeiros,  nessa altura andava na primária e tenho a vaga ideia da sala ter sido evacuada. A ilha assenta em algumas falhas , ou seja, rasgões dentro das placas tectônicas que aparecem quando as rochas cedem à pressão que os movimentos tectônicos provocam, a Madeira, ao contrário dos Açores não  está numa região de encontro de placas, de elevada sismicidade. )
Imagens retiradas da NET

segunda-feira, 2 de março de 2020

Apeteceu simplesmente...



Gosto de fronteiras e deslumbro-me com horizontes. As primeiras são linhas que marcam onde inicia e finda um país, uma cidade,  um lugarejo, etc. Horizontes ; aquelas linhas   que a  vista alcança...desafiam a imaginação e despertam  o desejo de ir mais longe. As linhas fronteiriças  também se revelam libertárias e servem igualmente para travar avanços inoportunos,  limites a gestos e conversas abusivas e  revelem desrespeito.
Fronteiras e horizontes , palavras bonitas . O encanto depende da perspectiva. 
PN

Nota: Imagens colhidas da Internet

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Ainda a propósito...


Imagem captada da Internet 

Segundo J.G.

O que me parece é que estamos já, sobretudo nas sociedades altamente industrializadas, numa espécie de caos do tempo. Eu lembro-me daquela famosa, célebre e conhecidíssima frase de Shakespeare no Hamlet em que ele diz " O tempo saiu dos gonzos, o tempo está fora dos gonzos." O que é uma frase absolutamente extraordinária pelo que revela do conhecimento, que está fora dos gonzos. O tempo vive por si, saiu daquilo que o domestica, é o que faz com que haja uma ordem da vida, é a possibilidade de haver uma charneira que liga o tempo do trabalho e o lazer, que os tempos de um e de outro possam coexistir. Quando há pouco tempo para o trabalho, o trabalho começa a disfuncionar e não se pode combinar com o tempo do lazer, com o tempo psicológico, com o tempo da família.  Nós somos feitos de imensas camadas de tempo, tempos heterogêneos, que entram em combinações e a possibilidade de combinar, de traduzir uns nos outros e de os integrar numa vida, é que faz a ordem do tempo. Quando o tempo sai dos seus gonzos isso desaparece.

Há uma experiência do tempo que é sempre mediada pelo movimento das coisas, o tempo meteorológico, o tempo astronômico, o tempo psicológico, o tempo da convivência familiar, da convivência comunitária, o tempo político, o tempo da ação aventurosa, o tempo do amor, o tempo dos afetos, etc. São todos tempos.  A perceção que tenho é que nós vivemos num tempo fora dos seus gonzos, em que não temos tempo para nada, em que precisamente estamos sempre à procura de arranjar tempo para a família, tirando o tempo ao trabalho, tirando tempo ao lazer...Não temos já essa tal ordem do tempo.  E isso é extremamente importante porque é essa ordem combinada das diferentes camadas de tempo que dão sentido à vida. Pode-se fazer uma descrição gráfica, do esquema, da ordem do tempo, que dá sentido à vida e esse esquema está a destruir-se, a quebrar-se por todos os lados.

Não é porque se é agnóstico que não se pode admitir um tempo de eternidade, que não devemos confundir com o tempo de imortalidade. A diferença é que imoralidade é a sobrevivência depois da morte, a eternidade pode ser conquistada durante a vida.
A obra de arte é eterna mesmo se os materiais forem corroídos e desaparecerem.

No que diz respeito ao presente e passado, o que acontece hoje é que há uma destruição progressiva que dura já há muito tempo, vem antes do séc. 19, uma destruição progressiva das tradições, dos territórios onde estão inscritas essas tradições, essas que suscitam, induzem comportamentos e ações. Tudo isso está a ser destruído fundamentalmente por 3 fatores: Capitalismo, agora o capitalismo financeiro global, o outro é a tecnologia e o desenvolvimento extraordinário da tecnologia e o terceiro é o poder do estado. Poderíamos analisar, mas é evidente que nós vemos que a tecnologia se põe ao serviço da ganância capitalista e esses territórios vão sendo destruídos de tal maneira que os transportes são cada vez mais rápidos, não temos uma relação com a terra e o território e o passado, por isso às tradições já não contam.  Por isso o peso dos costumes, de uma moral, que vem dos antepassados já não pesa, há essa destruição... O passado é arquivado e há arquivos excecionais como nunca tivemos, mas não temos uma relação com o passado. Temos uma relação puramente de informação, nada é revisto. O que vai sobrar, não sei. Que homem será este sem a construção da memória?  Não sei responder, implica futurologia de que não sou capaz, não tenho controlo.

Não é imediato, mas vamos ter a emergência de um novo ser humano que  vai ser para nós, irreconhecível porque  nós temos uma outra imagem  do homem porque  as técnicas, por exemplo: contra o envelhecimento,  contra a doença vão  transformar completamente a nossa perceção e a maneira de vivermos o tempo; imagine que conseguimos parar o envelhecimento,  com uma boa qualidade de vida, aí a morte pode ser adiada ou não sei, de qualquer forma  isso implica, uma transformação total da nossa maneira de pensar as coisas, de pensar os processos de transformação físicos que nós antropomorfizemos. Basta ver o que se está a fazer em relação ao corpo, às próteses meio humanas, meio robôs, na nova economia de trabalho, em que haverá uma mecanização extraordinária. A Acção não conta, já não é sequer a desvalorização da acção, a acção do corpo não conta. Porquê?  O que vai contar é o tempo que essa acção faz nascer, que é fundamental, esse tempo é que é o tempo da respiração, esse tempo vai desaparecer e então como é? A imagem do homem será irreconhecível, a imagem do homem está em profunda alteração, mas não sei como será. Há outros factores, futurologia, outro factor, para mim extraordinariamente importante, para mim e para milhões de pessoas; as alterações climáticas,  o que  está  a acontecer ao planeta é decisivo; em dois sentidos; ou nós fazemos qualquer coisa e isso implica necessariamente uma transformação enorme do nosso pensamento e da nossa vida, se não  fizermos nada e então?  Não sei! A técnica em si não é má, o que me parece e temos que destacar, estamos numa época de uma crise singular.  Esta crise não é como as outras.
Imagem captada da Internet 

Vou equacionar um terceiro termo, o Ministério da Educação; é preciso que se dê tempo àqueles que não têm absolutamente tempo, a inteligência dos responsáveis relativamente ao que isso é.  O que é uma troca entre um aluno e um professor?  O que é um professor?  O que é  um aluno ? , etc., etc. É preciso que o terceiro termo pense e tenha tempo porque não tem tempo.
A governação hoje em todos os países é uma governação sem tempo, sem tempo para refletir, sem tempo para saber o que é o ensino, o que é educação, etc.



sábado, 8 de fevereiro de 2020

A propósito...

Segundo G.M.T.

Quando acordamos, o dia pode ser uma surpresa, uma dádiva ou podemos tratá-lo de forma displicente e recebemos o dia como se fosse um presente de porcaria. O que vou fazer com este dia? Saber como vou aproveitar o tempo, isto está relacionado com a questão da morte.
Acho que começa logo com as crianças, há um termo extraordinário que é a ocupação dos tempos livres, quero dizer, se ocupamos os tempos livres, é uma invasão dos mesmos... o medo do tempo branco, pronto, agora fazes o que quiseres, o medo do silêncio, do espaço vazio, por exemplo:  hoje é raro, as crianças terem um espaço vazio, têm já brinquedos, estruturas em que o próprio espaço está ocupado a dizer o que elas devem fazer. O que parece claro, é que esta ideia da criança não se poder aborrecer, porque começa na infância e depois a questão de pensar... eu diria, a primeira parte; o prefácio da criatividade nas crianças é o aborrecimento, é o tédio, a criança não tem nada para fazer, que chatice isso! Que chatice! Tem que aguentar, tem que criar algo para conceber. O ócio, é muito interessante, a questão da etimologia das palavras; negócio é   negação do ócio...hoje não têm tempo de ócio, o tempo das crianças é tempo de negócio no sentido estrito da palavra, que é um tempo útil, um tempo utilizável.
Para que é isso? Tem a ver com a dificuldade das pessoas não estarem constantemente ligadas, hoje há um problema; tem se falado muito do tempo que nos é tirado do exterior, acho que nós temos que nos responsabilizar individualmente. Há muito tempo que se auto destrói. As pessoas têm bastante tempo disponível e quando alguém tem várias horas livres, está constantemente a ver disparates na Internet. A viver como um imortal, está claramente a desperdiçar o tempo.
A questão da reflexão está ligada ao espelho, o espelho reflete, a reflexão mental não é mais intectual, eu estar dentro de mim próprio a ver se estou a gostar do que estou a ver. Não é do cabelo, é da minha vida. Se isto faz sentido. Quando nós não temos espelhos e temos ecrãs e o ecrã é espelho, tapa o espelho, impossibilita que nos vejamos a nós próprios, entretidos com ecrãs e ecrãs e mais ecrãs, a certa altura morrem, acaba o ecrã. Será que usaram bem o tempo, a tarefa imposta veio do exterior. Então como é que as crianças vão usar o tempo?




domingo, 2 de fevereiro de 2020

Breve alinhavo sobre o joelho



Na sequência do texto anterior onde deixei a descoberto assuntos e fraseado obsceno, fi-lo porque se tratarem de situações ocorridas em contexto de sala de aula. Há que sacudir o fumo do politicamente correto. Isto sucedeu e sucede e vai continuar a suceder…  Um encontro ocasional bastou.  Não mencionei que aconteceram tentativas de suicídio. Alguém se deteve sobre essas tentativas? Foi-me confessado que não.  Ninguém se interessa com isso! Porquê?! Mais, entre três a quatro horas dentro do mesmo recinto, a sufocar, pois a sala não possui ventilação suficiente?!  Alguns chegam a ser acometidos de síncopes e mal-estar. Já exprimiram o seu desagrado pela forma como são tratados e nada. Isto é correto?! Ninguém quer saber, ninguém se interessa?! Aulas predominantemente teóricas num curso vocacional?! Absurdo! Então estes jovens não saíram do currículo dito normal por esse motivo? Falta de adaptação? Afinal são os docentes que apontam essas razões!
Caros leitores,
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança todo o mundo e composto de mudança, tomando sempre novas qualidades "
Parece que o Ensino, não! Para mal de todos!
Onde estão as reformas profundas, que tanta falta fazem!? Aplicam-se pensos rápidos; computadores, tablets, uma panóplia de tecnologias para os sossegar, torna-los quietos, manietados, calados, como soldados, sem contestar os conhecimentos já cozinhados por gerações anteriores.  Sem permissão para remexer, tocar, apalpar, sentir, nem que seja para voltar à mesma conclusão! Fica a experiência e isso é uma mais valia. (Sopa todos os dias é insuportável).  A escola? " O barquinho da carreira faz que anda, mas não anda, parece de brincadeira "
Nem todos almejam o décimo segundo ou o ensino superior. Nós não precisamos do varredor de rua? Do padeiro? Do pedreiro? Etc. E tantas outras profissões que merecem ser valorizadas. De que servem os cursos profissionais nestes moldes? Faz algum sentido? Para mim, não!  Estes rapazes e raparigas vivem numa conjuntura falida, falhada, desengonçada! E eles são as grandes vítimas do sistema!  É urgente sair destas prisões, derrubar paredes, sair deste terrível incómodo.
 Ensinem a olhar positivamente para a natureza das coisas. Ensinem a plantar árvores. Ensinem a escutar a sério o canto dos pássaros.  Fitem-se mutuamente, como se vissem pela vez primeira. Toquem nas mãos uns dos outros com respeito e alegria. E o amor ao próximo? Ensinem o valor da amizade. Ensinem os bons modos. 

Desfaçam os currículos já prontos, urdam novos e não esqueçam a saúde mental! Ensinem o significado da palavra altruísmo e sobretudo ponham-no em prática.  Para além do que esqueci de mencionar aqui, lembrem-se que cada pessoa tem o seu ritmo e isso precisa de ser tido em conta! Tempo, caros professores, tempo, é preciso paciência e dar tempo.
E tenham em atenção o vosso comportamento para com aos vossos pares. Tal como o pai e a mãe em casa, se a relação de ambos adoece, a saúde da casa fica fortemente comprometida.
E o mal propaga-se a uma velocidade estonteante! É urgente contrariar rapidamente esta vaga negativa! 

Imagens captadas da Internet 
Texto - PN